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Como saber se um bairro é perigoso: o guia com dados oficiais

Por Valdo Stonehart·Metodologia

Verificado em 2 de outubro de 2026

Antes de alugar ou comprar, veja por habitante, por tipo de crime e por horário. Guia prático com dados oficiais de 2026 e as fontes que valem a pena.

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Destaques
Maior número, menor taxa
672 x 87
Homicídios no Rio de Janeiro e em Belford Roxo, de janeiro a agosto de 2026. Por 100 mil habitantes, a ordem inverte: 10,0 no Rio e 16,8 em Belford Roxo.
Rua de bairro residencial com casas e prédios baixos no bairro Floresta, em Coronel Fabriciano (MG).
Rua do bairro Floresta, em Coronel Fabriciano (MG)
Foto: HVL / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Você achou o apartamento: preço bom, perto do trabalho, dois quartos. Falta a pergunta que nenhum anúncio responde e que quase todo mundo digita no Google antes de assinar: esse lugar é perigoso? A busca devolve uma manchete, um comentário de grupo de moradores e algum ranking de origem duvidosa. Quase nada disso ajuda a decidir, e o motivo cabe numa comparação.

De janeiro a agosto de 2026, a cidade do Rio de Janeiro registrou 672 homicídios dolosos. Belford Roxo, na Baixada Fluminense, registrou 87. Se a pergunta fosse "qual tem mais morte", o Rio ganharia por 7,7 vezes. Só que o Rio tem 6,7 milhões de habitantes e Belford Roxo, 518 mil. Por 100 mil habitantes, quem mata mais é Belford Roxo: 16,8 contra 10,0. E, se a pergunta passa a ser "qual registra mais ocorrências por habitante, de qualquer tipo", o Rio volta à frente: 4.906 por 100 mil, contra 2.152.

O mesmo par de cidades dá respostas opostas conforme a pergunta. Esse é o fio deste guia: o número absoluto engana, e o que importa é a taxa por habitante, o tipo de crime e onde e quando ele acontece. A seguir, seis passos para você mesmo checar, o que cada fonte oficial mede (e o que deixa de medir) e o que nenhum número substitui.

Passo 1: pergunte quantos por habitante, não quantos no total

O número que aparece na manchete costuma ser o total, e o total é, antes de tudo, uma medida do tamanho da cidade. Uma cidade com dez vezes mais gente tem, por pura aritmética, mais de tudo: mais gente indo ao mercado, mais gente sofrendo assalto, mais gente morrendo. Para saber se o risco é maior, é preciso dividir pelo número de moradores. Quem faz isso é a taxa por 100 mil habitantes, que é a ocorrência dividida pela população e multiplicada por 100 mil.

Veja as quatro cidades com mais de 500 mil habitantes da região metropolitana do Rio que usamos de exemplo. No total de homicídios dolosos de janeiro a agosto de 2026, o Rio está muito à frente, e Belford Roxo fica em último.

Agora o mesmo dado dividido pela população. A ordem se inverte: Belford Roxo vai para o primeiro lugar e o Rio, para o último.

1.O gráfico de cima mede o tamanho da cidade. O de baixo, o risco de quem mora nela.

Em Belford Roxo, 87 mortes em oito meses dão uma para cada 6 mil moradores. No Rio, 672 mortes dão uma para cada 10 mil. Quem escolhe onde morar está escolhendo a probabilidade, não a contagem, e a probabilidade só aparece quando se divide pela população.

Duas regras mantêm a comparação honesta. A primeira é usar o mesmo período nas duas pontas: uma taxa de oito meses não se compara com uma de doze. A segunda é usar a mesma fonte e a mesma população. Neste texto, todas as taxas usam a estimativa do IBGE e a janela de janeiro a agosto de 2026, sem projeção para o ano.

Passo 2: separe o crime que mata do crime que rouba

"Perigoso" é uma palavra que junta coisas diferentes. Quem teme ter o celular arrancado na rua está perguntando sobre roubo. Quem se pergunta se a região é violenta no geral está perguntando sobre homicídio. As duas perguntas têm respostas diferentes, mesmo dentro da mesma cidade.

Belford Roxo mostra bem isso. Foram 1.778 roubos de todos os tipos de janeiro a agosto de 2026: 343 por 100 mil habitantes, contra 568 no Rio de Janeiro e 562 em Duque de Caxias. O roubo por habitante em Belford Roxo é, portanto, cerca de 60% do carioca. O homicídio, como vimos, é 1,7 vez maior. A cidade tem pouco do crime de rua que assusta quem passa e muito do crime que acaba em morte, o contrário do que sugere a imagem de "Baixada perigosa" em bloco. A análise de Belford Roxo detalha essa distância e discute quanto dela é fato e quanto é registro.

Uma distinção ajuda a ler esse padrão. O roubo é, em geral, crime de oportunidade: depende de alguém passando com algo que vale a pena levar, na hora e no lugar certos pro assaltante, e some quando a rua esvazia. O homicídio muitas vezes é crime de território ou de convívio: acontece entre pessoas que se conhecem, ou dentro de uma disputa por área, e quase nunca atinge quem só está de passagem. Em Saquarema, por exemplo, a mesma combinação de muita morte e pouco roubo foi lida como violência de território, como conta a análise de Saquarema. É interpretação a partir do padrão dos números, não classificação oficial, mas ajuda a escolher a coluna certa da tabela.

Na prática: se o seu medo é o de andar com o celular na mão, olhe a taxa de roubo e de furto. Se a decisão é morar numa região por anos, olhe também o homicídio e a lesão corporal, que dizem algo sobre o convívio local. E nunca tire a conclusão de um tipo só. O oposto de Belford Roxo também existe: Guararema, em São Paulo, não registrou nenhum homicídio doloso de janeiro a agosto de 2026 e teve 17 roubos (52 por 100 mil), mas a análise de Guararema mostra que o crime que destoa por lá é a lesão corporal, em boa parte dentro de casa.

Passo 3: desconfie de número pequeno e de um período só

Guararema serve para a próxima regra. A cidade tem 32.620 habitantes, e nesse tamanho um único caso mexe 3,1 pontos na taxa por 100 mil. O zero de homicídios em oito meses é um dado verdadeiro, mas não prova que a violência letal não existe ali: é compatível com um mês ruim logo adiante. E os 17 roubos podem virar 21 com quatro boletins a mais, o que muda a posição da cidade num ranking sem mudar nada na vida de quem mora lá.

A regra vale para bairro e para cidade pequena: quanto menor a base, mais a taxa balança. Em lugar com poucos casos, olhe a contagem e a taxa juntas, e não tire conclusão de um ranking em que as posições estejam separadas por um ou dois casos.

O segundo cuidado é olhar para a direção, não para a foto. A única comparação com 2025 deste texto é esta, e vale como exemplo: no mesmo período, de janeiro a agosto, os homicídios dolosos em Belford Roxo foram de 64 em 2025 para 87 em 2026, alta de 36%. Em Nova Iguaçu, vizinha com perfil parecido, foram de 170 para 107, queda de 37%. No Rio, de 627 para 672, alta de 7%. A foto de 2026 põe Belford Roxo (16,8 por 100 mil) acima de Nova Iguaçu (12,7). A do mesmo período de 2025 mostrava o contrário (12,3 contra 20,2). Quem olhasse só um ano acertaria a posição de hoje e erraria o rumo. Comparar sempre os mesmos meses de anos diferentes evita ainda confundir tendência com sazonalidade.

Um último alerta de calendário: muitos rankings e matérias que circulam na internet usam dados de anos atrás sem avisar. Antes de confiar, procure no texto a janela exata. A pergunta é sempre a mesma: de quando é esse número?

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Passo 4: veja quando e em que dia acontece

O horário é uma das informações mais úteis e mais ignoradas, porque muda o que significa "perigoso". Usando os registros da SSP-SP de 2026 (janeiro a agosto, fatos ocorridos neste ano), o roubo tem uma assinatura clara: 40% dos casos com hora preenchida aconteceram entre 18h e 23h59, a faixa que sobra do fim do expediente e do começo da noite. Se os roubos se espalhassem igualmente pelo dia, cada faixa de seis horas teria 25%.

O homicídio doloso segue o mesmo desenho da noite: 39% entre 18h e 23h59, com outros 23% na madrugada. A lesão corporal dolosa também (37% na noite). O furto, que costuma ser crime de oportunidade sem confronto, é o que mais se espalha: 27% na noite e 30% à tarde. Já o dia da semana separa os tipos de outro jeito. Sábado e domingo concentram 38% dos homicídios e 36% das lesões corporais dolosas, bem acima dos 29% que esses dois dias teriam se tudo se espalhasse por igual (dois dias em sete). No roubo, o fim de semana responde por 26%, abaixo disso.

2.O roubo é de rua, no começo da noite e em dia de semana. O homicídio e a lesão são de noite e de fim de semana.

O padrão sugere duas dinâmicas diferentes. O roubo acompanha o movimento de gente na rua com algo para levar, que é mais intenso no fim do expediente. Homicídio e lesão corporal acompanham o convívio: bar, festa, discussão, casa. É uma leitura a partir dos números, não um dado do boletim, mas explica por que a mesma esquina pode ser tranquila numa segunda de manhã e outra coisa numa sexta à noite.

Duas ressalvas pedem cuidado. Os percentuais são de registros com hora preenchida: faltou o horário em 19% dos roubos e em 45% dos furtos, e não sabemos se esses casos teriam a mesma distribuição. E o horário é o que a vítima informou ao registrar o fato, nem sempre exato. O padrão é do estado de São Paulo inteiro; num bairro específico, ele pode ser outro. Serve como pergunta para levar à visita (passo 6), não como regra.

Passo 5: lembre que registro não é crime

Todo número deste texto é um boletim de ocorrência, não o crime em si. A diferença importa, porque a decisão de ir à delegacia depende do tipo de crime, da confiança na polícia, da distância até a delegacia e do que a vítima espera ganhar com isso. O roubo de veículo costuma ser registrado, porque o seguro e o documento exigem. O furto de celular, a ameaça e a agressão dentro de casa, muito menos. O homicídio fica no extremo oposto: dificilmente deixa de aparecer, porque há um corpo.

É por isso que o dado de Belford Roxo é interessante: a cidade registra 2.152 ocorrências por 100 mil, menos da metade do Rio, mas 87 homicídios, 1,7 vez mais por habitante. Uma parte dessa distância pode ser crime que existe e não chega à delegacia. Outra parte pode ser fato. Os dados não separam as duas, e é justamente por isso que o homicídio costuma ser a melhor régua para comparar lugares em que a confiança nos registros é diferente.

Uma segunda forma de checar é cruzar duas fontes, e o resultado nem sempre bate. Para o primeiro trimestre de 2026, o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça, traz 31 homicídios dolosos em Belford Roxo e 330 no Rio. O ISP/RJ traz 26 e 265 para os mesmos meses. Não sabemos dizer quanto da diferença vem de critério e quanto de data de fechamento ou atualização de cada base, e o texto não tenta adivinhar. A lição prática é outra: não misture fontes numa mesma comparação. Compare cidades na mesma fonte e no mesmo período.

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Passo 6: complete com o que o número não alcança

A estatística oficial responde por município ou, em alguns estados, por bairro. A vida acontece na escala da rua, onde um quarteirão pode ser muito diferente do outro. Por isso a última etapa é presencial, e vale o mesmo cuidado dos números: fazer a pergunta certa.

  1. Vá em dois horários. Um dia útil por volta das 18h e um sábado à noite, os dois momentos em que os padrões do passo 4 mais pesam. Se for morar, faça o trajeto que fará todo dia.
  2. Caminhe do ponto de ônibus ou da estação até a porta. É o trecho em que a maioria das pessoas está sozinha, com a mão no celular.
  3. Olhe os sinais da rua. Iluminação, comércio aberto à noite, gente a pé, terrenos baldios, muros altos e grades. Como regra de bolso, e não como dado nosso, rua com movimento tende a ser mais segura que rua vazia, mesmo bem iluminada.
  4. Converse com três pessoas. O porteiro ou zelador, um comerciante antigo e um morador. Pergunte "o que mudou nos últimos anos" e "por onde você não anda à noite". Uma conversa só é um caso; três já começam a mostrar um padrão.
  5. Pergunte ao condomínio ou à imobiliária se houve ocorrências no prédio e se há grupo de moradores ou portaria à noite.
  6. Volte aos números dos passos 1 a 3 para o município e confira se a conversa e a taxa contam a mesma história.

Esse roteiro tem limites. Quem foi assaltado vai descrever a rua como perigosa e quem nunca foi, como ótima. Três conversas não são uma amostra, mas fazem uma pergunta melhor do que a que você levava de casa.

De onde vêm os números: o que cada fonte diz e o que deixa de dizer

Quase todo número sobre segurança no Brasil sai de uma destas fontes, e cada uma responde a uma pergunta diferente. Saber o que cada uma mede muda a forma de ler.

SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo). Consolida os boletins de ocorrência de todos os 645 municípios paulistas e os publica todo mês. Cada registro traz a natureza do crime, a data, a hora, o município, o bairro e o logradouro do fato, o que torna São Paulo um dos poucos estados em que dá para olhar abaixo do município. O que mede é o registro: roubo e furto só entram quando alguém vai à delegacia. A base também deixa de fora alguns tipos, como estelionato e ameaça, e o horário falta em parte dos casos.

ISP/RJ (Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro). Publica, por mês, os registros das delegacias do estado, organizados em áreas de delegacia (as CISPs), com dezenas de tipos de crime, de homicídio doloso a estelionato, e as mortes por intervenção de agente do Estado em campo próprio. Para a maior parte das cidades, o recorte é o município: em Belford Roxo, a cidade inteira é uma única área na base. Ou seja, o ISP responde bem à pergunta "a cidade é perigosa?" e mal à pergunta "este bairro é perigoso?". Não traz horário nem dia da semana.

Outras secretarias estaduais. Cada estado publica do seu jeito: Minas Gerais e Rio Grande do Sul, por exemplo, têm bases próprias, com tipos de crime, janelas de tempo e níveis de detalhe diferentes, e alguns estados publicam muito menos que outros. Por isso é arriscado comparar dois estados com o dado bruto de cada secretaria: o mesmo nome de crime pode esconder critérios diferentes.

Sinesp/MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública). Reúne dados que os estados enviam ao governo federal, com os mesmos eventos (homicídio doloso, latrocínio, feminicídio, mortes por intervenção policial, tentativa de homicídio, entre outros) para os 27 estados, e é por isso que serve para comparar estados entre si. Em março de 2026 a base traz mais de 5 mil municípios. No nível municipal é um recorte mais enxuto que o das secretarias estaduais: traz sobretudo mortes violentas e tentativas, e não roubo e furto. Como vimos no passo 5, pode diferir da base do próprio estado.

DATASUS/SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade). É a base do Ministério da Saúde que reúne as declarações de óbito, o documento que o médico preenche quando alguém morre. Registra a morte e a causa (inclusive as violentas), não o crime, e por isso os números não batem com os da polícia: o SIM conta pelo atestado, as secretarias, pelo boletim. Em compensação, quase toda morte gera uma declaração, o que faz do SIM uma boa régua da violência letal. O custo é o atraso: leva mais de um ano para fechar, então não serve para saber o que aconteceu neste ano.

População do IBGE. O denominador de toda taxa por 100 mil habitantes. Corrige o efeito do tamanho, mas é uma estimativa fixa: não conta quem visita a cidade, como turistas e quem trabalha num município e dorme em outro, e isso pode inflar ou reduzir a taxa de lugares muito turísticos ou muito dormitórios.

Cadastro de endereços do IBGE (CNEFE). A lista de todos os endereços do país levantada pelo Censo. Serve como medida de exposição: em vez de dividir as ocorrências pelos moradores, dá para dividi-las pelos endereços de um lugar, o que torna comparáveis uma rua comercial cheia de gente de passagem e uma rua residencial. É uma fotografia do Censo, e o lugar muda depois dela.

O que os dados não dizem

Este guia descreve o que está registrado nas bases oficiais e para onde elas apontam, e aqui é onde ele para. Número registrado não é crime que aconteceu: roubo, furto e agressão só aparecem quando alguém registra, e a propensão de registrar varia por crime e por lugar. Uma taxa baixa pode ser lugar seguro ou lugar onde ninguém vai à delegacia, e o dado, sozinho, não diz qual dos dois.

A taxa também é uma média. Ela mistura as ruas calmas e as que concentram o risco, e a distância entre elas é maior do que a distância entre muitas cidades. A leitura dos padrões (oportunidade contra território, roubo na rua à noite, homicídio no fim de semana) é interpretação a partir dos números, não classificação do boletim: os registros não trazem a motivação nem a relação entre vítima e autor. E os números de cidade pequena, como Guararema, mexem com um caso a mais ou a menos.

O que os dados sustentam com segurança: o total mede tamanho, a taxa por habitante mede risco relativo, e tipos diferentes de crime pedem perguntas diferentes. Com a mesma fonte, no mesmo período, Belford Roxo tem taxa de homicídio mais alta que o Rio de Janeiro e taxa de roubo mais baixa. O resto é leitura, e a rua é quem confirma.

Última atualização: 02/10/2026, com dados do ISP/RJ e da SSP-SP até agosto/2026 e do Sinesp até março/2026. Próxima atualização prevista após a publicação dos dados de setembro/2026.

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Perguntas frequentes sobre como saber se um bairro é perigoso

Como saber se um bairro é perigoso? Compare as ocorrências por 100 mil habitantes, e não o total; separe homicídio de roubo e furto; olhe o horário e o período; e confira a fonte oficial do estado. Depois visite o lugar em dois horários e converse com quem mora. Os números dizem onde olhar, e a rua confirma.

Qual a diferença entre o número absoluto e a taxa por 100 mil habitantes? O número absoluto é a contagem de casos e cresce com o tamanho da cidade. A taxa divide a contagem pela população e multiplica por 100 mil, o que permite comparar cidades de tamanhos diferentes. De janeiro a agosto de 2026, o Rio teve 672 homicídios e Belford Roxo 87, mas a taxa de Belford Roxo é maior (16,8 contra 10,0).

Dá para ver dados por bairro? Depende do estado. São Paulo publica o bairro e o logradouro de cada boletim. No Rio de Janeiro o ISP publica por área de delegacia, e em muitas cidades a cidade inteira é uma área só. Onde não há dado por bairro, a taxa do município é uma média que esconde diferenças grandes entre ruas.

Os dados da polícia são confiáveis? São o melhor retrato oficial disponível, com um limite conhecido: registram o que chega à delegacia. O homicídio é o mais confiável, porque há um corpo; o furto e a agressão em casa são os que mais ficam de fora. Por isso vale comparar lugares na mesma fonte e no mesmo período.

Qual o melhor horário para visitar um bairro antes de alugar ou comprar? Dois: um dia útil por volta das 18h e um sábado à noite. Em São Paulo, em 2026, o roubo se concentra no começo da noite e o homicídio e a lesão corporal, na noite e no fim de semana. Um bairro tranquilo numa manhã de segunda pode ser outro à noite.

Onde ficam as fontes oficiais? Cada secretaria estadual de segurança pública publica seus dados (SSP-SP em São Paulo, ISP no Rio de Janeiro), o Ministério da Justiça reúne os dados dos estados no Sinesp, o Ministério da Saúde publica os óbitos no DATASUS/SIM e o IBGE traz população e endereços. O Crime Brasil reúne essas fontes e calcula as taxas sobre a população do IBGE.

metodologia e limites

Fontes de crime: ISP/RJ (tabela app.rj_isp_cisp_raw: campos registro_ocorrencias, hom_doloso e total_roubos, soma dos registros da CISP de cada município); SSP-SP (tabela app.ssp_sp_dados_criminais); Sinesp/MJSP (tabela app.sinesp_vde, evento "Homicídio doloso"). Última competência: agosto de 2026 (ISP e SSP-SP) e março de 2026 (Sinesp municipal).

Janela: janeiro a agosto de 2026 em todos os números de crime do ISP e da SSP-SP. Sinesp: janeiro a março de 2026, comparado ao ISP no mesmo trimestre. A comparação com o mesmo período de 2025 (jan a ago) aparece uma vez, no passo 3; fora isso, só há dados de 2026.

Taxa por 100 mil: ocorrências no período ÷ população × 100 mil, sem anualizar. População IBGE usada nas páginas de cidade do Crime Brasil: Rio de Janeiro 6.730.729; Duque de Caxias 866.225; Nova Iguaçu 843.220; Belford Roxo 518.384; Guararema 32.620. "Uma morte para cada X mil moradores" = população ÷ casos no período.

Tipos de crime (SSP-SP): homicídio doloso = natureza "HOMICÍDIO DOLOSO". Roubo = roubo de veículo, de carga e demais roubos somados. Furto = furto de veículo, de carga e demais furtos somados. Lesão corporal dolosa = natureza "LESÃO CORPORAL DOLOSA". Homicídio doloso do ISP exclui a morte por intervenção de agente do Estado.

Horário e dia (SSP-SP): registros com ano estatístico 2026, meses 1 a 8, e data do fato em 2026. Faixas de seis horas (0h–5h59, 6h–11h59, 12h–17h59, 18h–23h59) calculadas só sobre os registros com hora preenchida (roubo 81%, homicídio 93%, lesão corporal 80% e furto 55% do total). Fim de semana = sábado e domingo da data do fato; a referência de 28,6% é a de uma distribuição uniforme (2 dias em 7).

Sobre o contexto: a leitura de oportunidade contra território, de roubo ligado ao movimento da rua e de homicídio ligado ao convívio é interpretação a partir do padrão dos números, não classificação dos boletins. O texto sinaliza onde termina o dado e começa a interpretação.

O score do seu endereço

O score do Crime Brasil faz com um endereço o que este guia ensina a fazer à mão: resume em uma nota o risco de um lugar, somando o que acontece com o patrimônio, a violência contra a pessoa e as mortes, cada crime pesado pela gravidade e dividido pelos endereços do lugar, e não pelos moradores. A escala vai de 0 a 1.000, e quanto maior a nota, maior o risco. As faixas são: até 299, risco muito baixo; de 300 a 499, baixo; de 500 a 699, médio; de 700 a 849, alto; de 850 a 1.000, muito alto. A régua é a mesma para o país inteiro, então uma nota 500 em Belém significa a mesma coisa que uma nota 500 em Porto Alegre.

Na prática, os seis passos deste guia respondem à pergunta "esse lugar é perigoso?" com mais precisão do que a fama. O número absoluto não decide nada. A taxa por habitante, o tipo de crime e o horário dizem de que risco se está falando, e a visita confirma o que a estatística, por ser média, deixa escapar. Quem faz esse caminho chega à assinatura do contrato sabendo o que está escolhendo, em vez de depender do comentário do grupo de moradores.

O mesmo cálculo existe para o lugar que você está considerando. Consulte a nota do seu endereço e, se quiser ir além da nota, gere o relatório completo do lugar, com os crimes por tipo e horário e o contexto da região, para levar à visita e à conversa com o corretor.

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Como citar esta página

CRIME BRASIL. Como saber se um bairro é perigoso: o guia com dados oficiais. Disponível em: https://crimebrasil.com.br/analises/como-saber-se-um-bairro-e-perigoso. Acesso em: 2 out. 2026.

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Depoimento em vídeo
Vinícius Mendes
Repórter · Olhar Direto (Cuiabá · MT)

Repórter da editoria de Reportagem do Olhar Direto, portal de notícias de Cuiabá (MT), com cobertura de segurança pública e casos policiais no estado. Usou o dado do Crime Brasil para reportar a queda de roubos e a alta de estelionatos em Mato Grosso.

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Jair GonçalvesDepoimento
Jair Gonçalves
Fundador · Portal Atibaia News

Fundador do Portal Atibaia News, veículo de notícias de Atibaia (interior de São Paulo). Publicou com o dado do Crime Brasil o ranking de ocorrências por bairro da cidade.

“Parabéns à Crime Brasil pelo excelente trabalho de jornalismo de dados! As informações disponibilizadas possibilitaram ao Portal Atibaia News produzir uma importante matéria sobre os números de ocorrências policiais por bairro em Atibaia, levando informação e transparência aos nossos leitores. Muito obrigado.”
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Douglas, médico veterinário, comanda com a família o canal Mundo de Cores, sobre vida no campo, no Rio Grande do Sul.

“Só Compre uma Chácara Após Assistir Esse Vídeo!”

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“Gratidão pelas informações. Essa é uma excelente ferramenta para uma decisão segura.”

— @marceloguilemond1632

“Verdade, pode ajudar muito mesmo!”

— Mundo de Cores (canal)

“Muito Bom!”

— @edmundosantos3812
Gazeta do Povo
Artigo de opinião
Gazeta do Povo
Artigo assinado · Paraná

Artigo de opinião do editor do Crime Brasil: a queda de homicídios no Paraná esconde a alta em mortes no trânsito, suicídios e feminicídios — com o dado da plataforma.

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O Eco
Reportagem
O Eco
Reportagem · Amazônia

Reportagem sobre violência fundiária e baixa punição de crimes ambientais na Amazônia, cruzando dados do Crime Brasil com CPT, Ibama, CNJ e MapBiomas.

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Tribuna do Planalto
Capa do jornal
Tribuna do Planalto
Goiânia · edição impressa

Matéria de capa cruzando a queda de homicídios em Goiás com a alta no entorno do Distrito Federal, a partir do dado da plataforma.

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Levantamento exclusivo
Gazeta de S.Paulo
São Paulo · capital

Levantamento exclusivo do mapa da criminalidade na capital paulista — Moema com muito mais infrações que o Grajaú — com o dado do Crime Brasil.

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IHU · Unisinos
Fonte acadêmica
IHU · Unisinos
Instituto Humanitas Unisinos

Entrevista do Instituto Humanitas Unisinos que cita a plataforma como fonte de microdado criminal aberto.

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IBCCRIM · JCC
Revisado por pares
IBCCRIM · JCC
Jornal de Ciências Criminais

Artigo no Jornal de Ciências Criminais sobre os limites do acesso a microdados criminais no Brasil, citando o Crime Brasil.

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