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Os bairros com menos crimes graves em Porto Alegre

Por Alexandra Diniz·Metodologia

Verificado em 8 de abril de 2026

Ranking dos bairros de Porto Alegre com menor número de crimes graves (homicídio doloso, furto e roubo de veículo) nos últimos 36 meses, com dados de população e taxa por 100 mil habitantes.

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Destaques
#1: Marcílio Dias
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Zero crimes graves nos últimos 36 meses. População de 598 habitantes, 1.041 registros totais no período.
Vista de Porto Alegre, RS — ranking de segurança por bairro com dados da SSP/RS dos últimos 36 meses
Porto Alegre, RS

Porto Alegre aparece nas listas de cidades mais violentas do Rio Grande do Sul. Mas dentro da cidade, a realidade varia radicalmente de um bairro pro outro.

Tem bairro onde crimes graves — homicídio, roubo de veículo, furto de veículo — acontecem toda semana. E tem bairro onde esses mesmos crimes são praticamente inexistentes. Pra encontrar quais são quais, usamos um critério direto: número absoluto de crimes graves nos últimos 36 meses, em bairros com dados suficientes pra análise.

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01

POR QUE ESSES 3 CRIMES

1.Por que esses 3 tipos de crime?

Homicídio doloso, furto de veículo e roubo de veículo são os crimes com menor subnotificação no Brasil. Quase todo homicídio vira boletim de ocorrência. Quase todo veículo roubado é registrado — o seguro exige. Usar esses indicadores reduz o viés que distorce rankings baseados em totais brutos.

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Rankings de segurança costumam usar o total de ocorrências sem filtro. O problema: bairros com mais comércio, mais circulação e mais delegacias por perto geram mais registros — não porque são mais perigosos, mas porque concentram mais gente passando e mais facilidade pra registrar.

O Centro Histórico de Porto Alegre soma mais de 29 mil registros nos últimos 36 meses. A maioria são furtos simples, ameaças e estelionatos — crimes que dizem mais sobre o volume de pedestres do que sobre a segurança de quem mora ali.

Pra escapar dessa distorção, separamos os crimes graves — homicídio doloso, furto de veículo e roubo de veículo — do restante. São os três tipos com menor subnotificação e os que mais impactam a percepção real de risco. O ranking é pelo número absoluto de crimes graves, não pelo total de registros.

02

OS 10 BAIRROS COM MENOS CRIMES GRAVES

BairroPopulaçãoTotal de RegistrosCrimes Graves ▲Taxa /100K hab.
Marcílio Dias5981.04100,0
Guarujá6.1456987113,9
Lageado5.6768049158,6
Vila Assunção3.97482010251,6
Chapéu do Sol5.5471.07912216,3
Jardim Floresta2.22853514628,4
Ponta Grossa8.9391.16916179,0
Lami6.6771.26218269,6
Montserrat10.3571.88019183,5
Arquipélago6.41182121327,4

Marcílio Dias encabeça o ranking com um dado que persiste: zero crimes graves em 1.041 registros totais. Com 598 habitantes, é o único bairro de Porto Alegre onde — nos últimos 36 meses — não houve nenhum homicídio doloso, furto ou roubo de veículo registrado.

O Guarujá chama atenção pela combinação de volume baixo e taxa baixíssima: apenas 7 crimes graves em 698 registros — taxa de 113,9 por 100 mil habitantes. Pra uma população de 6.145 pessoas, é o menor risco per capita entre todos os bairros com dados suficientes.

Lageado, Vila Assunção e Chapéu do Sol completam o top 5 com menos de 12 crimes graves cada. São bairros geograficamente periféricos e residenciais — o que contribui tanto pra números mais baixos quanto pra maior subnotificação potencial.

Porto Alegre vista urbana — Guarujá tem 7 crimes graves contra 419 no Centro Histórico, diferença de 60 vezes
Porto Alegre

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03

O CONTRASTE COM O PIOR BAIRRO

A barra vermelha no gráfico é o Centro Histórico: 419 crimes graves nos mesmos 36 meses. Sessenta vezes mais que o Guarujá. Vinte vezes mais que o décimo colocado.

2.419 crimes graves no Centro Histórico. 7 no Guarujá.

A diferença não é só de escala — é de dinâmica. O Centro concentra circulação intensa de pedestres, comércio informal e turismo, o que atrai crimes de oportunidade e também crimes graves como roubo de veículo. Os bairros do top 10 têm densidade muito menor e perfil predominantemente residencial.

O Centro Histórico tem população de 30.569 habitantes — uma taxa de 1.370,7 crimes graves por 100 mil. Mas não é só a população que explica: o bairro concentra fluxo diário de pessoas que moram em outros lugares, o que distorce qualquer taxa per capita baseada apenas em residentes.

O que o gráfico mostra com clareza é o tamanho do intervalo. Entre zero (Marcílio Dias) e 419 (Centro Histórico), os bairros mais seguros de Porto Alegre operam em uma realidade completamente diferente.

Compare os bairros

Veja os dados de cada bairro de Porto Alegre por tipo de crime.

04

O QUE ISSO SIGNIFICA (E O QUE NÃO)

Poucos crimes graves registrados não é a mesma coisa que ausência de crime. E essa distinção importa.

Bairros residenciais menores tendem a ter subnotificação maior. Num lugar onde todo mundo se conhece, uma briga entre vizinhos pode ser resolvida sem BO. Um furto no quintal pode virar "deixa pra lá". A pressão pra não registrar é maior — justamente em bairros onde o senso de comunidade é mais forte.

Três ressalvas específicas:

  • Subnotificação existe mesmo pra crimes graves. Um roubo de veículo pode não ser registrado se a vítima não tem seguro. Um homicídio pode ser classificado como "morte a esclarecer" e não entrar na contagem como doloso.
  • 36 meses é uma janela. Os dados cobrem abril de 2023 a abril de 2026. Bairros que aparecem com números baixos agora podem ter padrões diferentes em outros períodos.
  • Outros crimes continuam. Todos os bairros da lista têm registros de ameaça, lesão corporal, furto simples e estelionato. "Menos crimes graves" é um recorte — não um atestado de tranquilidade completa.

O que podemos afirmar: nesses bairros, nos últimos 36 meses, o número de crimes graves registrados é o menor de Porto Alegre entre os que têm dados suficientes pra análise. É o dado mais direto que temos — sabendo que é incompleto e que "mais seguro" depende sempre do crime que você está perguntando.

05

METODOLOGIA E FONTES

Metodologia, fonte, ressalvas e limites

Revisão: este artigo foi completamente reescrito em 08/04/2026. A versão anterior ordenava por volume total de registros. Esta versão ordena por número de crimes graves (homicídio doloso + furto/roubo de veículo) nos últimos 36 meses.

Fonte dos dados: Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS), registros individuais de boletins de ocorrência disponibilizados sob a Lei Estadual 15.610/2021. População dos bairros: IBGE Censo Demográfico.

Período: últimos 36 meses — abril de 2023 a abril de 2026 (year_month >= 2023-04).

Critério de seleção: bairros com pelo menos 500 registros totais no período E com dados populacionais do próprio bairro (IBGE ou fonte verificada). Bairros que só têm população a nível de município foram excluídos — usar a população da cidade inteira distorceria as taxas per capita.

Crimes graves considerados: homicídio doloso, furto de veículo e roubo de veículo. Esses três tipos têm a menor taxa de subnotificação no Brasil — quase todo veículo roubado gera BO (seguro exige), e quase todo homicídio doloso é registrado.

Ranking: ordenado por número absoluto de crimes graves crescente (menor quantidade = melhor posição). Marcílio Dias lidera com zero. A tabela permite reordenar por qualquer coluna.

Pior bairro: Centro Histórico, com 419 crimes graves nos 36 meses — o maior volume entre os 84 bairros que passaram nos critérios (500+ registros, população verificada). Aparece em vermelho no gráfico pra ilustrar o contraste.

Normalização de nomes (NORM): a análise aplica normalização nos nomes de bairro — remoção de acentos, conversão para maiúsculas — e mergeia variantes conhecidas da SSP/RS. Exemplos: "CENTRO" = Centro Histórico; "BOMFIM" = Bom Fim; "PASSO PEDRAS" = Passo das Pedras; "MONT SERRAT" = Montserrat; variantes de Guarujá, Lageado, Arquipélago, Vila Assunção consolidadas.

Taxa calculada como: (crimes graves / população do bairro) x 100.000. A taxa do Centro Histórico (1.370,7/100K) é calculada sobre residentes — e subestima o risco real porque o fluxo diário de não-residentes não entra no denominador.

O que "menos crimes graves" NÃO significa: este ranking não é um índice completo de segurança. Todos os bairros da lista têm registros de outros tipos de crime. Número baixo nos 36 meses pode refletir subnotificação, não ausência real de violência.

Limitações: os dados representam exclusivamente crimes registrados em boletins de ocorrência. Bairros sem dados populacionais do IBGE ficam de fora. Esta é uma análise descritiva — não fazemos inferências causais.

Reprodutibilidade: gerado pelo sistema de publicação do Crime Brasil. Verificado em 2026-04-08 contra a base de dados.

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Citado por Gazeta do Povo, O Eco, Tribuna do Planalto

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Como citar esta página

CRIME BRASIL. Os bairros com menos crimes graves em Porto Alegre. Disponível em: <https://crimebrasil.com.br/analises/bairros-mais-seguros-porto-alegre>. Acesso em: 27 out. 2026.

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Vinícius Mendes
Repórter · Olhar Direto (Cuiabá · MT)

Repórter da editoria de Reportagem do Olhar Direto, portal de notícias de Cuiabá (MT), com cobertura de segurança pública e casos policiais no estado. Usou o dado do Crime Brasil para reportar a queda de roubos e a alta de estelionatos em Mato Grosso.

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Jair GonçalvesDepoimento
Jair Gonçalves
Fundador · Portal Atibaia News

Fundador do Portal Atibaia News, veículo de notícias de Atibaia (interior de São Paulo). Publicou com o dado do Crime Brasil o ranking de ocorrências por bairro da cidade.

“Parabéns à Crime Brasil pelo excelente trabalho de jornalismo de dados! As informações disponibilizadas possibilitaram ao Portal Atibaia News produzir uma importante matéria sobre os números de ocorrências policiais por bairro em Atibaia, levando informação e transparência aos nossos leitores. Muito obrigado.”
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Mundo de Cores
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Douglas, médico veterinário, comanda com a família o canal Mundo de Cores, sobre vida no campo, no Rio Grande do Sul.

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“Gratidão pelas informações. Essa é uma excelente ferramenta para uma decisão segura.”

— @marceloguilemond1632

“Verdade, pode ajudar muito mesmo!”

— Mundo de Cores (canal)

“Muito Bom!”

— @edmundosantos3812
Gazeta do Povo
Artigo de opinião
Gazeta do Povo
Artigo assinado · Paraná

Artigo de opinião do editor do Crime Brasil: a queda de homicídios no Paraná esconde a alta em mortes no trânsito, suicídios e feminicídios — com o dado da plataforma.

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O Eco
Reportagem
O Eco
Reportagem · Amazônia

Reportagem sobre violência fundiária e baixa punição de crimes ambientais na Amazônia, cruzando dados do Crime Brasil com CPT, Ibama, CNJ e MapBiomas.

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Tribuna do Planalto
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Goiânia · edição impressa

Matéria de capa cruzando a queda de homicídios em Goiás com a alta no entorno do Distrito Federal, a partir do dado da plataforma.

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São Paulo · capital

Levantamento exclusivo do mapa da criminalidade na capital paulista — Moema com muito mais infrações que o Grajaú — com o dado do Crime Brasil.

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Fonte acadêmica
IHU · Unisinos
Instituto Humanitas Unisinos

Entrevista do Instituto Humanitas Unisinos que cita a plataforma como fonte de microdado criminal aberto.

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Revisado por pares
IBCCRIM · JCC
Jornal de Ciências Criminais

Artigo no Jornal de Ciências Criminais sobre os limites do acesso a microdados criminais no Brasil, citando o Crime Brasil.

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