
Alguém na sua rua foi furtado. O vizinho do lado já instalou câmera, o grupo do condomínio não fala de outra coisa e você abre o Google com uma pergunta direta: câmera de segurança funciona? As respostas que aparecem se dividem entre o "sim" de quem vende e o "não adianta nada" de quem foi roubado com a câmera ligada. Nenhuma das duas olha para o que decide a pergunta: de qual crime você quer se proteger, e onde ele costuma acontecer.
De janeiro a agosto de 2026, o estado de São Paulo registrou 102.542 roubos (de veículo, de carga e demais roubos) com data do fato neste ano. Nove em cada dez, 89,8%, aconteceram na via pública. Dentro de residências foram 1,9% (1.944 casos). Em estabelecimentos comerciais, 1,9% (1.992). A câmera que você instala olha para um ponto, e o roubo quase nunca acontece no ponto de alguém: acontece no caminho.
Esse é o fio deste texto. Câmera é uma ferramenta de ponto, e há crimes de ponto e crimes de caminho. O crime de ponto, o que acontece no seu portão, na sua loja, na sua garagem, é sobretudo furto, e a câmera responde bem a ele de um jeito que quase ninguém explica: registra quando e quem, e pode avisar a tempo. O crime de caminho, o roubo da rua, fica fora do alcance. Abaixo, o que a pesquisa diz sobre o efeito do CFTV, onde e quando os crimes aconteceram em 2026, o que cada fonte mede e o que nenhum número consegue responder.
O que a pesquisa diz: efeito pequeno, mas real, e com condições
A melhor evidência sobre câmeras vem de revisões que juntam dezenas de avaliações. A primeira é a da Campbell Collaboration, de Brandon Welsh e David Farrington, publicada em 2008: reuniu 44 estudos de câmeras em espaço público, todos com área de comparação, e fez a meta-análise de 41. A conclusão é que o CFTV tem efeito desejável modesto, mas significativo; o efeito é mais forte em estacionamentos e contra crimes de veículo, e maior no Reino Unido do que em outros países. Os autores recomendam manter o uso, mas de forma mais direcionada (revisão completa).
A segunda é a atualização de Eric Piza, Welsh, Farrington e Amanda Thomas, de 2019, que cobre 40 anos de avaliações. O resumo diz que as câmeras estão associadas a uma queda significativa e modesta do crime, com efeitos maiores e mais consistentes em estacionamentos e também queda em áreas residenciais. Sistemas com monitoramento ativo, em que alguém olha e reage, tiveram efeito maior que os passivos, que só gravam, e o resultado foi melhor quando a câmera veio junto de outras medidas. Os autores defendem que o CFTV seja direcionado a crimes de veículo e patrimoniais, e não usado como medida isolada (resumo do estudo).
Essas revisões têm limites que importam para quem decide em casa. O que medem é a queda do crime numa área coberta, em geral em sistemas instalados em espaços públicos, e não a chance de a sua casa ser furtada. Parte dos efeitos vem de poucos casos bem-sucedidos (estacionamentos). E a própria revisão de 2008 mostra que o resultado variou entre países. Dá para tirar duas ideias úteis: câmera funciona melhor contra crime patrimonial e de veículo, e funciona melhor quando alguém vê a imagem. As duas ideias dizem onde olhar nos dados.
O frame: crime de ponto e crime de caminho
Uma câmera tem um campo de visão. O que acontece dentro dele pode ser gravado, avisado e usado depois; o que acontece fora, não. Daí uma distinção simples: o crime de ponto acontece num lugar fixo que você controla (a casa, o comércio, a garagem), e o crime de caminho acontece onde você passa (a calçada, o ponto de ônibus, o semáforo).
Com os registros da SSP-SP de 2026, dá para ver quanto de cada crime cai em cada lado. Agrupamos o local do fato em via pública, residência (casa, apartamento, garagem do prédio), comércio (loja, mercado, bar, farmácia, posto, oficina e similares) e outros. Em roubo, quase tudo é caminho.
Fonte: Crime Brasil · crimebrasil.com.br
No furto o desenho muda, mas só um pouco. A via pública continua na frente, e o que cabe dentro do seu endereço cresce de 3,8% do roubo para 11,4% do furto.
Fonte: Crime Brasil · crimebrasil.com.br
1.O que a câmera vê é uma fatia pequena do crime total, e é a fatia onde ela tem mais a oferecer.
Somando furto e roubo, residência e comércio respondem por menos de 10% dos registros em SP em 2026 (9,8%). A maior parte do crime patrimonial acontece onde a sua câmera não alcança. Isso não é argumento contra instalar: é um argumento para saber o que ela pode e não pode fazer. Ela atua sobre o crime que acontece no seu ponto, e esse crime existe, mas não é o grosso dos números.
Duas ressalvas sobre a leitura. A primeira: "via pública" inclui a calçada em frente à sua casa ou loja, e uma câmera na fachada pode pegar parte dela. O dado não separa a calçada da esquina distante, então a fatia que a sua câmera enxerga é maior que os 1,9% de roubo em residência, mas não dá para dizer quanto maior. A segunda: o agrupamento por local é nosso, a partir de um campo de texto do boletim com 280 descrições diferentes; outro agrupamento daria percentuais um pouco distintos, sem mudar a ordem entre os lugares.
O Rio de Janeiro conta de outro jeito, e aponta para o mesmo lado. O ISP/RJ separa o roubo por tipo, e de janeiro a agosto de 2026, dos 59.870 roubos do estado, 53,9% (32.260) foram roubo de rua, 27,2% (16.310) foram roubo de veículo, 2,5% (1.506) foram a estabelecimento comercial e 0,7% (422) foram a residência. As categorias do ISP não são exclusivas entre si e não seguem o critério da SSP-SP, então os percentuais de lá e de cá não se comparam diretamente. Mas a proporção é parecida: o roubo a residência é uma fração mínima.
Em casa: o crime de ponto é o furto, e ele é descoberto depois
Se o roubo dentro de casa é raro, o que há dentro de casa? Furto. Em SP, de janeiro a agosto de 2026, foram 29.365 furtos em residências (casa, apartamento, garagem do prédio) contra 1.944 roubos. Para cada roubo dentro de uma residência, 15 furtos. É a diferença entre quem entra com a casa cheia e quem entra com ela vazia.
E aqui está a pista mais útil dos dados para quem pensa em câmera. Os boletins trazem um campo em que a vítima descreve o período do fato, e uma das opções é "hora incerta". Entre os furtos em residência com período informado, 34% estão nessa opção. No furto na via pública, são 1,9%. No roubo na via pública, 0,5%. Quem é roubado na rua sabe a hora, porque estava lá. Quem chega em casa e encontra a porta forçada não sabe.
Fonte: Crime Brasil · crimebrasil.com.br
Essa é a lacuna que a câmera preenche. Sem imagem, o furto em casa é um boletim com a hora em branco: não se sabe quando, nem quem, nem por onde entrou. Com imagem, o registro tem data, hora, rosto ou placa, e a polícia e o seguro têm do que partir. E o horário em que acontece mostra por que a gravação sozinha às vezes não basta: entre os furtos em residência com hora preenchida (só 51% do total), 23% foram na madrugada, 27% de manhã, 28% à tarde e 22% à noite. Distribuição quase uniforme: não existe um horário seguro em que dê para desligar a atenção.
2.Em casa, a câmera é mais fonte de resposta do que de barreira, a menos que alguém veja a imagem a tempo.
O furto residencial é espalhado pelo dia e descoberto depois. Uma câmera que só grava ajuda a reconstituir o que aconteceu. O que muda o desfecho é o alerta no celular, uma portaria que olha ou uma empresa de monitoramento que reage, e é o monitoramento ativo que aparece com efeito maior nas revisões. É interpretação a partir dos números e da pesquisa: os boletins não dizem se o local tinha câmera nem se alguém viu a tempo.
Quer a análise completa deste lugar?
No comércio: o furto no expediente, o roubo à noite
O comércio é o outro ponto fixo, e mostra dois crimes com horários diferentes. Em SP, de janeiro a agosto de 2026, foram 14.268 furtos e 1.992 roubos em estabelecimentos comerciais. O furto se concentra no horário de funcionamento: dos casos com hora preenchida, 54% foram entre 9h e 17h59. É o balcão, a prateleira, a loja com movimento. O roubo no comércio se inclina para a noite: 35,5% entre 18h e 23h59, a faixa do fechamento.
A leitura provável é que são dois problemas. O furto no expediente tem a cara do crime de quem circula dentro da loja, e para ele a câmera dentro do estabelecimento, que dissuade e identifica, é a medida óbvia. O roubo, mais raro, acontece na abertura e no fechamento, quando há pouca gente e dinheiro no caixa, e pede outra resposta: rotina de fechamento, iluminação, alarme. Os boletins não classificam quem comete nem o que a vítima fazia, então isso é leitura do padrão, não dado.
Aqui entra a única comparação com 2025 do texto, e ela tem a ver com a decisão de quem tem uma loja. No Rio de Janeiro, de janeiro a agosto de 2026, os roubos a estabelecimento comercial foram 1.506, contra 1.142 no mesmo período de 2025: alta de 32%. No mesmo intervalo, o total de roubos no estado caiu 9% (de 66.099 para 59.870). O crime em geral recuou e o roubo ao comércio foi na contramão. Isso não diz que a causa é a falta de câmera nem que a câmera resolveria; diz que o comerciante carioca olha para uma tendência pior que a do estado.
No carro e na garagem: onde a pesquisa é mais forte e o crime menos concentrado
A evidência mais robusta das revisões é para estacionamentos e crimes contra veículos. Os dados paulistas de 2026 trazem um contraponto: o furto e o roubo de veículo não acontecem, em sua maioria, onde a pesquisa mais achou efeito. Dos 52.623 furtos de veículo, 85,8% foram na via pública; 5,7% em residência (incluindo 2,1% em garagem) e 3,5% em estacionamento. Dos 11.189 roubos de veículo, 86,6% foram na via pública.
A leitura é que o carro é furtado onde está, e a maior parte do tempo ele está na rua. Quem guarda o carro em garagem ou estacionamento está num pedaço pequeno do risco, e é justamente o pedaço (os estacionamentos) onde as revisões veem os efeitos mais consistentes. Para o resto, a câmera da sua fachada ou do condomínio vê a rua em frente, e a questão passa a ser quem mais olha para ela. Em São Paulo capital há um programa público que tenta responder a isso, e ele aceita câmeras privadas na conta.
O Smart Sampa, da Prefeitura, tem hoje 50 mil câmeras, segundo a página oficial do programa consultada em 2 de outubro de 2026: 20 mil próprias e 30 mil integradas da rede privada. Pelo chamamento público, empresas, concessionárias e cidadãos podem integrar gratuitamente câmeras externas, desde que instaladas em áreas públicas e com resolução mínima de 2 megapixels (programa). Não conferimos, para este texto, nenhuma avaliação do efeito do programa sobre os registros, então a existência dele não prova que reduz crime; mostra que a imagem da rua, que o roubo de caminho exige, depende de uma rede, não de uma câmera.
Quer a análise completa deste lugar?
O que decidir antes de instalar: cinco perguntas
Com o frame de ponto e caminho, a pergunta "câmera funciona?" vira uma lista que dá para responder em casa, antes de comparar preço.
- Que crime você quer enfrentar? Furto com a casa vazia, invasão de loja, furto de carro na garagem ou roubo na calçada? Os dois primeiros são de ponto, e a câmera tem o que oferecer. O último é de caminho, e a câmera da sua porta cobre só o trecho em frente.
- Onde ele acontece? Marque no mapa mental os pontos de entrada (portão, janela dos fundos, garagem, balcão) e o que a imagem pega de cada um. Uma câmera que só vê a rua não protege o quintal.
- Quando? O furto residencial se espalha pelo dia inteiro e o roubo se concentra no começo da noite. Pergunte a quem instala como a imagem fica à noite e teste antes de aceitar.
- Quem vai ver, e a tempo? Gravação que ninguém assiste serve para investigar depois. Alerta no celular, portaria atenta ou empresa de monitoramento são o que as revisões chamam de monitoramento ativo, que teve efeito maior.
- O que mais entra junto? Os autores da revisão de 2019 não recomendam câmera como medida isolada. Iluminação, trancas, o hábito de combinar com a vizinhança e o registro de ocorrência de qualquer furto, mesmo pequeno, completam a conta. É o registro que faz o problema aparecer nos números.
Esse caminho evita dois erros comuns: gastar com câmera que enxerga o lugar errado e achar que câmera instalada é problema resolvido. O dado não promete que a câmera evita o crime no seu endereço. O que ele mostra é que o crime de ponto existe, que é de um tipo (furto) em que a imagem ajuda e que o roubo de rua exige outra resposta, que não cabe numa fachada.
De onde vêm os números e as evidências
SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo). Consolida os boletins de ocorrência do estado e os publica todo mês. Cada registro traz a natureza do crime, a data, a hora, o município e uma descrição do local do fato. Mede o que foi registrado na delegacia, não o que aconteceu: o furto de pouco valor e o furto em casa são os que mais deixam de ser registrados. O campo de local é texto digitado pela delegacia, com 280 descrições distintas em 2026 (todos os tipos de crime), e o de período e hora falta em parte dos casos (a hora vem preenchida em 81% dos roubos e em 55% dos furtos). Nada na base diz se o local tinha câmera.
ISP/RJ (Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro). Publica por mês os registros das áreas de delegacia, com colunas separadas para roubo de rua, de veículo, a residência e a comércio, entre outras. Responde bem à pergunta "quantos?" e não traz horário nem local exato; as categorias não são exclusivas entre si.
Revisões científicas. A da Campbell Collaboration (Welsh e Farrington, 2008) e a meta-análise de Piza e colegas (Criminology & Public Policy, 2019) medem o efeito de sistemas de CFTV sobre a queda do crime em áreas cobertas, comparadas a áreas sem câmera. Não medem o efeito de uma câmera numa casa, e o efeito variou entre os países avaliados.
Smart Sampa (Prefeitura de São Paulo). A página oficial informa o número de câmeras e as regras de integração da rede privada. É uma informação de gestão do programa, não um indicador de resultado.
O que os dados não dizem
O banco do Crime Brasil não tem dado sobre câmeras instaladas, e os boletins não registram se o local do crime tinha câmera, se ela funcionava ou se alguém viu a imagem. Por isso este texto não responde "a câmera evitou X furtos". O que ele faz é descrever onde e quando o crime acontece e relacionar isso ao que a pesquisa internacional diz sobre o efeito de câmeras.
Outras ressalvas valem. Registro não é crime: o furto em casa é dos que menos chegam à delegacia, e 29.365 casos são um piso, não o total. "Via pública" mistura a calçada da sua casa e a esquina distante, e isso limita a conta do que a sua câmera enxerga. O agrupamento de local, a lista de subtipos de comércio e a leitura de "crime de ponto e de caminho" são nossos, e não classificações oficiais. Os números do RJ e de SP vêm de bases com critérios diferentes e servem para ler o padrão, não para comparar os dois estados. E há o efeito de deslocamento, que as revisões tratam e que os dados daqui não permitem medir: câmera num ponto pode empurrar o crime para o vizinho sem câmera.
O que os dados sustentam com segurança: em 2026, em SP, a maior parte do roubo acontece na via pública; dentro de casa e de loja o crime mais comum é o furto, e o furto em casa é descoberto depois, com a hora em branco em um terço dos casos com período informado. A pesquisa sustenta que câmera tem efeito modesto, maior com monitoramento ativo e contra crime patrimonial. O resto, no seu endereço, depende de onde e como a câmera é posta.
Última atualização: 02/10/2026, com dados da SSP-SP e do ISP/RJ até agosto/2026. Próxima atualização prevista após a publicação dos dados de setembro/2026.
Quer a análise completa deste lugar?
Perguntas frequentes sobre câmeras de segurança
Câmera de segurança funciona? As revisões científicas acham efeito pequeno e significativo na queda do crime, mais forte em estacionamentos e contra crimes de veículo, e maior quando há monitoramento ativo. Em casa ou no comércio, ela é mais útil contra furto, que é crime de ponto, do que contra o roubo da rua.
A câmera evita o furto em casa? Os dados não medem isso. Em SP, de janeiro a agosto de 2026, foram 29.365 furtos em residências, e em 34% dos que trazem o período informado a vítima não sabia a hora. A imagem ajuda a saber quando e quem. Para evitar, o que as revisões apontam é a imagem vista e respondida a tempo, combinada a outras medidas.
Onde o roubo acontece, afinal? Na via pública, na grande maioria dos casos. Em SP, em 2026, 89,8% dos roubos foram na rua, contra 1,9% dentro de residências e 1,9% em comércio. No Rio, o roubo de rua é 53,9% do total do estado.
Vale instalar câmera em comércio? O furto no comércio se concentra no horário de funcionamento (54% entre 9h e 17h59 em SP), e o roubo, no começo da noite (35,5% entre 18h e 23h59). Câmera dentro da loja serve ao primeiro; para o segundo, rotina de fechamento e alarme também contam. No RJ, o roubo a comércio subiu 32% sobre o mesmo período de 2025.
Posso ligar minha câmera à rede pública? Em São Paulo capital, o Smart Sampa aceita câmeras externas de empresas e cidadãos, instaladas em áreas públicas e com resolução mínima de 2 megapixels, por chamamento público. Em outras cidades, as regras variam: pergunte à prefeitura.
Onde ficam os dados oficiais? Cada secretaria estadual de segurança pública publica os seus (SSP-SP em São Paulo, ISP no Rio de Janeiro). O Crime Brasil reúne essas fontes e calcula o que cada uma permite calcular.
metodologia e limites
Fontes de crime: SSP-SP (tabela app.ssp_sp_dados_criminais, campo natureza_apurada); ISP/RJ (tabela app.rj_isp_cisp_raw, campos total_roubos, roubo_rua, roubo_veiculo, roubo_residencia e roubo_comercio, soma de todas as CISPs do estado). Última competência: agosto de 2026.
Janela: janeiro a agosto de 2026 em todos os números de crime, com fatos ocorridos em 2026 no caso da SSP-SP. A única comparação com 2025 (janeiro a agosto) é a de roubo a comércio e total de roubos no RJ, na seção do comércio.
Tipos de crime (SSP-SP): roubo = roubo de veículo, roubo de carga e demais roubos (102.542 registros); furto = furto de veículo, furto de carga e demais furtos (383.493). Furto de veículo = natureza "FURTO DE VEÍCULO" (52.623); roubo de veículo = "ROUBO DE VEÍCULO" (11.189).
Local do fato (SSP-SP): agrupamento do campo descr_subtipolocal. Via pública = "Via Pública". Residência = Casa, Casas, Apartamento, Apartamentos, Garagem ou abrigo de residência, Garagem coletiva de prédio, Edícula/Fundos. Comércio = Mercado, Lojas, Farmácia/Drogaria, Bar/Botequim, Bar, Restaurante, Lanchonete/Pastelaria/Pizzaria, Lanchonete, Conveniência, Padaria/Confeitaria, Padaria/Café, Café/Lanchonete, Armazém/Empório, Açougue/Frigorífico, Doceria/Bomboniere/Sorveteria, Distribuidora, Salão de Beleza/Estética, Posto de Gasolina, Oficina, Mecânica/Borracharia, Autopeças, Concessionária de Veículos, Lotérica, Material de Construção, Roupas, Roupas Femininas, Atacadista, Magazine, Bazar, Pet Shop, Eletroeletrônicos, Perfumaria, Boutique, Boutiques, Joalheria, Joalheria/Relojoaria, Móveis, Papelaria/Livraria, Calçados, Floricultura, Informática e Suprimentos, Ótica/Laboratório Fotográfico, Banca de Jornais/Revistaria, Material Elétrico e Show-Room. Todo o resto entra em "outros locais" (transporte coletivo, escolas, hospitais, áreas rurais, obras, estacionamentos, internet e outros). Estacionamento (furto de veículo) = Estacionamento público, particular, com vigilância e Estacionamento.
Horário (SSP-SP): faixas de seis horas (0h–5h59, 6h–11h59, 12h–17h59, 18h–23h59) sobre os registros com hora preenchida (roubo 81%, furto 55%; furto em residência 51%, furto em comércio 77%, roubo em comércio 93%). "Hora incerta" = desc_periodo "Em hora incerta", sobre os registros com desc_periodo preenchido: furto em residência 5.596 de 16.482, furto em comércio 761 de 4.746, furto na via pública 2.617 de 139.630, roubo na via pública 150 de 27.933.
Evidência externa: Welsh e Farrington, "Effects of Closed Circuit Television Surveillance on Crime", Campbell Systematic Reviews 2008:17, doi 10.4073/csr.2008.17; Piza, Welsh, Farrington e Thomas, "CCTV surveillance for crime prevention: A 40-year systematic review with meta-analysis", Criminology & Public Policy 18(1), 2019, doi 10.1111/1745-9133.12419; página oficial do Smart Sampa, consultada em 02/10/2026.
Sobre o contexto: a leitura de crime de ponto contra crime de caminho, do furto residencial descoberto depois e dos dois problemas do comércio é interpretação a partir do padrão dos números, não classificação dos boletins. O texto sinaliza onde termina o dado e começa a interpretação.
O score do seu endereço
A câmera responde a um risco que você precisa conhecer antes de comprar: o do lugar onde você mora ou trabalha. O score do Crime Brasil resume esse risco em uma nota para um endereço, somando o que acontece com o patrimônio, a violência contra a pessoa e as mortes, cada crime pesado pela gravidade e dividido pelos endereços do lugar, e não pelos moradores. A escala vai de 0 a 1.000, e quanto maior a nota, maior o risco. As faixas são: até 299, risco muito baixo; de 300 a 499, baixo; de 500 a 699, médio; de 700 a 849, alto; de 850 a 1.000, muito alto. A régua é a mesma para o país inteiro, então uma nota 500 em Belém significa a mesma coisa que uma nota 500 em Porto Alegre.
Na prática, a nota ajuda a calibrar a pergunta deste artigo. Num endereço com risco alto de furto, uma câmera com alerta e monitoramento vale mais do que num endereço de risco baixo, onde o dinheiro pode ir antes para tranca, portão e iluminação. E o tipo de crime pesa tanto quanto a nota: o que a câmera cobre é o crime do ponto, e saber qual é o do seu lugar muda o que se compra.
Consulte a nota do seu endereço e, se quiser ir além da nota, gere o relatório completo do lugar, com os crimes por tipo e horário e o contexto da região, para levar à conversa com o instalador, o síndico ou a equipe da loja.




















