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Guararema é perigosa? O que os dados de 2026 mostram

Por Valdo Stonehart·Metodologia

Verificado em 2 de outubro de 2026

Guararema não teve nenhum homicídio doloso de jan a ago de 2026 e registra pouco roubo. O crime que destoa é a lesão corporal. Dados da SSP-SP até agosto.

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Homicídios em 2026
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Nenhum homicídio doloso de janeiro a agosto. Numa cidade de 32 mil habitantes, esse zero é compatível com a taxa do estado e não prova que a violência letal não existe.
Igreja Matriz de Guararema (SP), no centro da cidade.
Igreja Matriz de Guararema (SP)
Foto: OS2Warp / Wikimedia Commons (domínio público)

Guararema é a cidade do Natal iluminado e do mirante, com pouco mais de 32 mil moradores às margens do Paraíba do Sul, na ponta leste da Grande São Paulo, onde o Alto Tietê vai virando Vale do Paraíba. A fama é de lugar onde se passa o fim de semana, não de lugar onde se tem medo. A pergunta que aparece no Google, "Guararema é perigosa?", vem de quem quer saber se essa fama aguenta o teste dos números.

A SSP-SP, que publica os boletins de ocorrência de todos os municípios paulistas, responde em parte que sim. De janeiro a agosto de 2026, Guararema não registrou nenhum homicídio doloso e só 17 roubos: 52 por 100 mil habitantes, menos de um quarto da taxa do estado (222). Quem esperava uma cidade com assalto na esquina não encontra isso nos registros.

O dado que atrapalha a imagem de cidade sossegada é outro. As 114 lesões corporais dolosas do período dão 349 por 100 mil, a maior taxa entre as sete cidades da região que comparamos e 41% acima da do estado. E 59 desses casos, pouco mais da metade, aconteceram em residência. É o fio desta análise: o pouco perigo que os números mostram em Guararema é de perto, não de rua. Como a cidade é pequena, vamos dizer em cada seção onde o número é confiável e onde ele balança com um caso a mais ou a menos.

Guararema registra mais ou menos crime que as vizinhas?

Na soma de tudo o que a base da SSP-SP traz, Guararema fica no meio do grupo: 327 registros em oito meses, 1.003 por 100 mil habitantes. Arujá e Mogi das Cruzes, as mais urbanizadas, registram mais; Santa Isabel e Jacareí ficam praticamente no mesmo patamar; Salesópolis e Biritiba-Mirim, as menores, registram menos. O estado de São Paulo, puxado pela capital, fica bem acima de todas elas, em 1.543 por 100 mil nos mesmos tipos de crime.

Três cidades entre 958 e 1.003 estão empatadas para qualquer efeito prático: com 32 mil habitantes, a diferença entre Guararema e Jacareí equivale a uns 15 registros em oito meses. O total, por si só, não responde à pergunta, porque soma tudo, do furto de uma bicicleta ao estupro. O que separa Guararema das outras é a composição desse total.

No volume, uma cidade comum da região. A diferença está na mistura.

Em Guararema só 5% dos registros são roubo (em Mogi das Cruzes, 10%; no estado, 14%). Já a lesão corporal dolosa responde por 35% (24% em Mogi das Cruzes; 16% no estado). A cidade tem menos do crime que assusta na rua e proporcionalmente mais do crime entre pessoas.

Crime de rua: pouco roubo, furto sem alarde

O roubo, que é o crime com ameaça ou violência contra a vítima, é raro em Guararema. Foram 17 registros de janeiro a agosto, algo como dois por mês, e em nenhum mês passaram de quatro. Só Jacareí chega perto da taxa de Guararema. Santa Isabel, Mogi das Cruzes e Arujá têm de cerca do dobro a mais do triplo, as duas menores da região têm menos, e o estado inteiro tem mais de quatro vezes o roubo de Guararema por habitante.

Aqui vale separar o que é sólido do que não é. A ordem de grandeza é sólida: Guararema tem uma fração do roubo das cidades maiores do entorno. Já a posição exata no ranking não é: com 17 casos, cerca de 4 roubos a mais já igualam a taxa de Jacareí. Dos 17, 4 foram de veículo, 1 de carga e 12 entram em "outros roubos", a categoria que a base usa para o resto.

O crime do dia a dia é o furto, aquele sem confronto: 128 registros, 392 por 100 mil, abaixo de Mogi das Cruzes (590), Arujá (500) e Jacareí (426). É o tipo mais comum na cidade (39% dos registros) e, entre os furtos que não são de veículo, mais da metade (63 de 119) aconteceu na via pública. Furto é crime de oportunidade, de celular esquecido no bar, de bicicleta sem cadeado. Existe em Guararema como em qualquer lugar, mas num volume que não destoa do resto.

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A lesão corporal: o crime que destoa

Se o roubo diz o que Guararema tem pouco, a lesão corporal dolosa diz o que tem de sobra. São 114 registros em oito meses, 349 por 100 mil habitantes: a maior taxa das sete cidades, à frente de Arujá (288) e Mogi das Cruzes (271), e 41% acima da do estado (247). Pela taxa de Mogi das Cruzes ou do estado, a cidade teria entre 81 e 88 casos. Tem 114, uma diferença de 26 a 33 registros.

O que dá peso a esse número é o lugar onde as lesões acontecem. Em Guararema, 59 dos 114 casos (52%) foram em residência, contra 44% nas quatro vizinhas maiores (Mogi das Cruzes, Jacareí, Arujá e Santa Isabel), e só 26 (23%) na via pública, contra 42% nelas. Nas cidades maiores, a agressão na via pública pesa mais. Em Guararema, a maioria dos casos é entre quatro paredes. E não foi um mês fora da curva: os registros variaram de 8 (julho) a 22 (janeiro), sem um pico que explique o total.

O boletim registra "casa" como o local do fato, não a relação entre agressor e vítima, então não dá para chamar tudo de violência doméstica. Mas lesão dentro de casa, numa cidade com pouco roubo, aponta numa direção. É uma violência que não aparece para quem passeia pelo centro num sábado e que costuma ficar fora da conversa sobre segurança.

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Mortes: zero homicídios, nove tentativas

Guararema não registrou nenhum homicídio doloso de janeiro a agosto. Mogi das Cruzes, Jacareí, Arujá e Santa Isabel ficaram todas entre 3,3 e 3,7 por 100 mil no período, e só Biritiba-Mirim também zerou. O zero merece cuidado antes de virar manchete. Com a taxa do estado (3,2 por 100 mil em oito meses), uma cidade do tamanho de Guararema esperaria cerca de 1 homicídio no período, e a chance de passar oito meses sem nenhum seria de uma em três. O zero é uma boa notícia, mas não prova que a violência letal desapareceu: prova que o ano, até agora, não teve nenhum caso.

O que pesa mais são as tentativas. A SSP registrou 9 tentativas de homicídio em Guararema (28 por 100 mil, contra 7 em Jacareí e 5 em Mogi das Cruzes), e 5 delas foram enquadradas pela polícia como feminicídio. Nove casos são um número pequeno demais para dizer que há uma tendência. Mas combinam com o que a lesão corporal já sugeria, uma violência concentrada entre pessoas próximas, e vale o registro. No trânsito, o risco da cidade é parecido com o do estado: 34 lesões e 2 mortes em acidente, 104 e 6 por 100 mil, contra 97 e 5 no estado.

O que mudou de 2025 para 2026?

Comparando o mesmo período, janeiro a agosto, de 2025 e de 2026, os registros totais caíram 12%, de 373 para 327. A queda veio do patrimônio: o furto foi de 161 para 128 e o roubo de 23 para 17. A violência contra a pessoa ficou onde estava: as lesões corporais dolosas foram 114 nos dois anos, e as tentativas de homicídio passaram de 7 para 9. Não houve homicídio doloso em nenhum dos dois períodos.

O gráfico mostra por que não dá para tirar conclusão forte de um comparativo desse tamanho. A diferença entre os dois anos é de 46 registros em oito meses, menos de seis por mês, e os meses de 2026 sozinhos oscilaram de 28 a 51. A leitura prudente é que a rua ficou um pouco mais calma e a violência entre pessoas continuou igual, mas oito meses de uma cidade de 32 mil habitantes não sustentam mais que isso.

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Por que o perigo de Guararema é mais de perto que de rua?

Os números dizem o quê e o quanto. O porquê exige interpretação, e o boletim de ocorrência não traz a motivação nem a relação entre as partes. Dito isso, o padrão tem uma explicação conhecida, e ela começa pelo roubo. O crime de rua cresce onde há circulação, comércio, estação, rodovia, gente passando que o ladrão não conhece e que não vai ver de novo. Mogi das Cruzes tem catorze vezes a população de Guararema e mais que o dobro de roubos por habitante. Arujá, cortada por rodovias, tem mais que o triplo. Guararema é compacta, com um centro pequeno e movimento de visitante mais concentrado no fim de semana, e é plausível que isso segure o roubo.

A violência entre pessoas, ao contrário, não depende do tamanho da cidade. Ela nasce de conflito entre casais, famílias, vizinhos, gente de bar, e uma cidade pequena e tranquila no assalto não fica livre dela. Quando o crime de rua é pouco, a violência pessoal passa a pesar mais no conjunto, e é isso que o 35% de lesão corporal nos registros da cidade provavelmente mostra. Parte da diferença também pode ser de registro e não de fato: numa cidade pequena a delegacia fica perto e quem apanha sabe a quem recorrer, o que pode levar mais casos ao boletim do que numa cidade grande, onde muita agressão não vira ocorrência.

Para quem mora ou pensa em morar em Guararema, a leitura prática é ao mesmo tempo mais confortável e mais incômoda do que a fama sugere. Mais confortável porque o assalto, a preocupação de quem sai de São Paulo, é raro. Mais incômoda porque o risco que sobra está dentro de casa, onde uma taxa não protege ninguém e onde nenhum dado agregado consegue dizer quem está em perigo.

Passear no centro, morar na cidade

Depende do perigo que você tem em mente. Se a pergunta é se dá para passear no centro num sábado sem medo de assalto, os dados de 2026 dizem que sim, com o cuidado comum a qualquer cidade: furto acontece, principalmente na via pública, e vale não deixar nada à vista no carro. O roubo é menos frequente que em Mogi das Cruzes, em Arujá ou em Santa Isabel, e o homicídio, até agosto, não apareceu.

Se a pergunta é onde Guararema precisa olhar, a resposta é a violência que acontece longe da rua. A lesão corporal acima da média, a maioria dos casos em residência e as tentativas de homicídio enquadradas como feminicídio são sinais pequenos, mas consistentes entre si. Quem estiver em situação de violência em casa pode ligar para o 180, a Central de Atendimento à Mulher, ou para o 190, em caso de emergência.

O que os dados não dizem

Esta análise descreve o que está registrado na base da SSP-SP, e aqui está onde ela para. Número registrado não é crime que aconteceu. Roubo, furto e lesão corporal só aparecem quando alguém vai à delegacia, e a propensão de ir varia por tipo de crime e por cidade. A agressão dentro de casa é justamente uma das que mais ficam de fora, o que torna a taxa de lesão corporal um piso, e não um teto. A base também não traz todos os tipos de crime: não inclui estelionato nem ameaça, por exemplo, que seriam parte do retrato do dia a dia. E "casa" é o local do fato, não a relação entre as pessoas.

Os números são pequenos. Com 32 mil habitantes, 17 roubos, 9 tentativas de homicídio e zero homicídios são contagens em que um caso muda a taxa de forma visível, e é por isso que o texto separa a ordem de grandeza (sólida) do ranking entre cidades próximas (frágil). A taxa também usa uma população fixa, sem contar quem visita a cidade nos fins de semana e feriados: se o turismo traz movimento e ocorrências, a taxa por morador exagera um pouco, para cima.

O que os dados sustentam com segurança: em 2026, Guararema tem taxa de roubo bem abaixo da do estado e das cidades maiores do entorno, nenhum homicídio doloso até agosto, e a maior taxa de lesão corporal dolosa entre as sete cidades comparadas, com mais da metade dos casos em residência. As causas disso, e o que acontece em cada caso, são leitura.

Última atualização: 02/10/2026, com dados da SSP-SP até agosto/2026. Próxima atualização prevista após a publicação dos dados de setembro/2026, normalmente no início do mês seguinte.

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Perguntas frequentes sobre segurança pública em Guararema

Guararema é perigosa? Pelos dados oficiais de 2026, o crime de rua é pouco: nenhum homicídio doloso de janeiro a agosto e 17 roubos (52 por 100 mil, contra 222 do estado). O que destoa é a lesão corporal dolosa, a maior taxa entre as sete cidades comparadas, com mais da metade dos casos em residência. Como a cidade é pequena, os números são pequenos e balançam com um caso a mais ou a menos.

Guararema é segura para turistas e para passear? O crime que costuma afetar o visitante, o roubo, é raro: foram 17 registros em oito meses. O que existe é furto, principalmente na via pública, e vale o cuidado de qualquer cidade: nada à vista no carro e atenção ao celular. A violência que se destaca nos dados acontece mais dentro de casa e, em geral, não atinge quem está de passagem.

Quantos homicídios Guararema teve em 2026? Nenhum homicídio doloso de janeiro a agosto, segundo a SSP-SP. A base registra 9 tentativas de homicídio no período, 5 delas enquadradas como feminicídio. Com a taxa do estado, uma cidade desse tamanho esperaria cerca de 1 homicídio em oito meses, então o zero é compatível com a média e não garante que o próximo mês será igual.

Guararema é mais perigosa que Mogi das Cruzes? Depende do crime. Em roubo, não: Mogi das Cruzes tem 117 por 100 mil e Guararema 52. Em furto, também não (590 contra 392). Em lesão corporal dolosa, sim: 349 por 100 mil contra 271. No total de registros por habitante, Guararema fica um pouco abaixo (1.003 contra 1.148).

Guararema está melhorando ou piorando em 2026? Comparando janeiro a agosto de 2025 e de 2026, os registros totais caíram 12%, de 373 para 327, com queda de furto e de roubo. A lesão corporal ficou igual (114 nos dois anos). Os meses oscilam bastante numa cidade desse tamanho, então a comparação indica uma direção, não uma tendência firme.

Esses dados são oficiais? Sim. Vêm da SSP-SP, que publica os registros por município todo mês, e do DATASUS/SIM, que entra no score como âncora do peso das mortes. O Crime Brasil ingere esses dados e calcula as taxas sobre a população do IBGE.

De onde vêm esses números

Quatro fontes sustentam este texto, e cada uma responde a uma pergunta diferente. Saber o que cada uma mede, e o que deixa de fora, muda a forma de ler.

SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo). É o órgão do governo estadual que consolida os boletins de ocorrência registrados nas delegacias do estado. Todo mês publica, por município, os registros de furto, roubo, lesão corporal, homicídio, tráfico, crimes sexuais e outros tipos graves. É a base dos números de crime deste artigo, e o último mês disponível é agosto de 2026. O que ela mede é o registro: quando uma vítima denuncia ou a polícia constata, vira número. O que ela não captura é o crime que ninguém registrou e os tipos de crime que a base não inclui, como estelionato e ameaça.

DATASUS/SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade). É a base do Ministério da Saúde que reúne as declarações de óbito, o documento que o médico preenche quando alguém morre. Ela registra a morte e a causa (inclusive as violentas), não o crime, e por isso os números não batem com os da SSP: o SIM conta pelo atestado de óbito, a SSP pelo boletim de ocorrência, e os critérios de classificação, o local considerado e o tempo de fechamento são diferentes. Em compensação, quase toda morte gera uma declaração de óbito, o que faz do SIM uma boa régua da violência letal. O custo é o atraso: o SIM leva mais de um ano para ser consolidado, e o score usa três anos de óbitos, até 2024. Os números de crime deste artigo vêm só da SSP.

Cadastro de endereços do IBGE (CNEFE). É a lista de todos os endereços do país levantada pelo Censo. O score usa os endereços, e não os moradores, como medida de exposição: quantas ocorrências, pesadas pela gravidade, acontecem para cada endereço do lugar. É assim que a nota fica comparável entre uma capital e uma cidade pequena como Guararema. O limite é que o cadastro é uma fotografia do Censo, e a cidade cresce depois dela.

População do IBGE. O denominador de toda taxa por 100 mil habitantes. Usamos a mesma população exibida nas páginas de cidade do Crime Brasil (Guararema: 32.620 habitantes), idêntica para todos os meses. Ela corrige o efeito do tamanho: sem ela, Mogi das Cruzes sempre pareceria mais violenta só por ser maior. O limite é que a população real muda, e que o visitante de fim de semana não entra na conta.

metodologia e limites

Fonte primária de crime: SSP-SP, base de ocorrências por município (portal de transparência), publicada mensalmente e lida no banco do Crime Brasil (tabela app.ssp_sp_dados_criminais, exposta pela view app.crimes_sp). Última competência disponível: agosto de 2026.

Janela: janeiro a agosto de 2026 em todos os números de crime. A comparação com o mesmo período de 2025 (jan a ago) aparece na seção "O que mudou de 2025 para 2026" e na pergunta da FAQ sobre melhora ou piora; fora isso, 2025 só aparece como início da janela do score (maio de 2025).

Tipos de crime: homicídio doloso = natureza "HOMICÍDIO DOLOSO" (exclui tentativa, homicídio culposo de trânsito, latrocínio e lesão corporal seguida de morte, que a base traz à parte). Roubo = roubo de veículo, de carga e demais roubos somados. Furto = furto de veículo, de carga e demais furtos somados. Lesão corporal dolosa = natureza "LESÃO CORPORAL DOLOSA". Tentativa de homicídio = natureza "TENTATIVA DE HOMICÍDIO", com a rubrica da polícia (homicídio ou feminicídio).

Taxa por 100 mil: ocorrências no período ÷ população × 100 mil, sem anualizar. População IBGE usada nas páginas de cidade do Crime Brasil. A taxa do estado divide o total do estado pela soma das populações dos 645 municípios (46.081.801).

Trânsito: a taxa de acidentes usa duas naturezas da base: "LESÃO CORPORAL CULPOSA POR ACIDENTE DE TRÂNSITO" (Guararema: 34 casos, 104 por 100 mil; estado: 97) e "HOMICÍDIO CULPOSO POR ACIDENTE DE TRÂNSITO" (Guararema: 2 casos, 6 por 100 mil; estado: 5). Ficam de fora o homicídio doloso por acidente de trânsito e a lesão corporal culposa "outras".

Local do fato: campo "subtipo do local" do boletim. "Residência" soma Casa, Casas, Apartamento e Apartamentos. A comparação do local usa as quatro vizinhas maiores (Mogi das Cruzes, Jacareí, Arujá e Santa Isabel, 2.243 lesões); Salesópolis e Biritiba-Mirim ficam de fora dela por terem poucos casos.

Cidades comparadas: Mogi das Cruzes, Santa Isabel, Salesópolis, Biritiba-Mirim, Jacareí e Arujá, mesma fonte, janela e método.

Sobre o contexto: a leitura de violência de perto, de crime de rua concentrado em cidades maiores e de possível efeito de registro é interpretação a partir do padrão dos números; a SSP não traz a motivação nem a relação entre as partes. O texto sinaliza onde termina o dado e começa a interpretação.

O score de Guararema

Score de Guararema: 493 de 1.000 · Risco baixo

Régua de risco geral (patrimônio, violência e morte), de 0 a 1.000: quanto maior a nota, maior o risco. Ocorrências da SSP-SP de maio de 2025 a abril de 2026 (12 meses); o peso das mortes é ancorado nos atestados de óbito do DATASUS/SIM.

O score do Crime Brasil resume em um número o risco de um lugar, somando o que acontece com o patrimônio, a violência contra a pessoa e as mortes, cada crime pesado pela gravidade. As faixas vão de risco muito baixo (até 299) a baixo (300 a 499), médio (500 a 699), alto (700 a 849) e muito alto (850 a 1.000). A régua é a mesma para todo o país, então 493 em Guararema significa a mesma coisa que 493 numa cidade do Rio Grande do Sul.

A nota baixa conta a mesma história do resto deste texto. O score pesa os crimes pela gravidade, e o que mais pesa nele, o roubo e as mortes, é justamente o que aparece pouco em Guararema em 2026. A lesão corporal, o crime que destoa na cidade, entra na conta, mas pesa menos que um roubo ou um homicídio, porque a gravidade usada é a pena mínima prevista em lei.

Duas ressalvas. A nota 493 está a sete pontos da faixa média, e em cidade pequena ela se mexe com poucos casos. E a janela do score termina em abril de 2026, quatro meses antes dos dados deste texto.

Na mesma régua, Arujá tem 605 (risco médio), Mogi das Cruzes 575 (médio), Jacareí 522 (médio), Santa Isabel 484 (baixo), Salesópolis 439 (baixo) e Biritiba-Mirim 419 (baixo). Guararema fica na fronteira entre as cidades maiores do entorno, que registram mais roubo e pontuam mais, e as vizinhas de risco baixo. Santa Isabel tem o dobro do roubo (101 contra 52 por 100 mil) e nota menor (484 contra 493) porque o score divide o peso dos crimes pelos endereços da cidade, não pelos moradores, e porque a parte das mortes, ancorada em três anos de óbitos do SIM e não nos zero homicídios de 2026, é bem mais alta em Guararema (nota de morte 395 contra 239), numa janela igual para as duas.

Guararema não é um lugar para andar com medo na rua: o assalto é raro e o que existe é furto, de oportunidade. Mas o perigo que os números mostram é de perto, não de rua, e isso muda a pergunta. Para quem visita, a resposta é tranquilizadora. Para quem mora ou pensa em morar, a pergunta útil deixa de ser "a rua é segura?" e passa a ser "o que existe de apoio quando o conflito está dentro de casa?", que nenhuma nota de risco consegue medir. Uma cidade pode ter risco baixo e, ainda assim, ter gente em perigo, só que longe da vista de quem passa.

O mesmo score existe para qualquer endereço: consulte a nota do seu endereço.

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Como citar esta página

CRIME BRASIL. Guararema é perigosa? O que os dados de 2026 mostram. Disponível em: https://crimebrasil.com.br/analises/guararema-e-perigosa-dados-2026. Acesso em: 2 out. 2026.

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Vinícius Mendes
Repórter · Olhar Direto (Cuiabá · MT)

Repórter da editoria de Reportagem do Olhar Direto, portal de notícias de Cuiabá (MT), com cobertura de segurança pública e casos policiais no estado. Usou o dado do Crime Brasil para reportar a queda de roubos e a alta de estelionatos em Mato Grosso.

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Jair GonçalvesDepoimento
Jair Gonçalves
Fundador · Portal Atibaia News

Fundador do Portal Atibaia News, veículo de notícias de Atibaia (interior de São Paulo). Publicou com o dado do Crime Brasil o ranking de ocorrências por bairro da cidade.

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Douglas, médico veterinário, comanda com a família o canal Mundo de Cores, sobre vida no campo, no Rio Grande do Sul.

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Gazeta do Povo
Artigo de opinião
Gazeta do Povo
Artigo assinado · Paraná

Artigo de opinião do editor do Crime Brasil: a queda de homicídios no Paraná esconde a alta em mortes no trânsito, suicídios e feminicídios — com o dado da plataforma.

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O Eco
Reportagem
O Eco
Reportagem · Amazônia

Reportagem sobre violência fundiária e baixa punição de crimes ambientais na Amazônia, cruzando dados do Crime Brasil com CPT, Ibama, CNJ e MapBiomas.

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Tribuna do Planalto
Capa do jornal
Tribuna do Planalto
Goiânia · edição impressa

Matéria de capa cruzando a queda de homicídios em Goiás com a alta no entorno do Distrito Federal, a partir do dado da plataforma.

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Levantamento exclusivo
Gazeta de S.Paulo
São Paulo · capital

Levantamento exclusivo do mapa da criminalidade na capital paulista — Moema com muito mais infrações que o Grajaú — com o dado do Crime Brasil.

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IHU · Unisinos
Fonte acadêmica
IHU · Unisinos
Instituto Humanitas Unisinos

Entrevista do Instituto Humanitas Unisinos que cita a plataforma como fonte de microdado criminal aberto.

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IBCCRIM · JCC
Revisado por pares
IBCCRIM · JCC
Jornal de Ciências Criminais

Artigo no Jornal de Ciências Criminais sobre os limites do acesso a microdados criminais no Brasil, citando o Crime Brasil.

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