
Belford Roxo carrega o tipo de fama que não precisa de número. Fica no coração da Baixada Fluminense, ao lado de Nova Iguaçu e Duque de Caxias, e quase todo carioca tem uma opinião pronta sobre ela. Quem pesquisa "Belford Roxo é perigoso?" costuma querer uma resposta de uma palavra. Os registros do ISP/RJ, que reúne os boletins de todas as delegacias do estado, só dão uma resposta de uma palavra para uma das perguntas possíveis.
Para a morte, a resposta é sim. De janeiro a setembro de 2026 foram 102 homicídios dolosos, 19,7 por 100 mil habitantes no período, 1,8 vez a taxa do Rio de Janeiro. Só Japeri e São Pedro da Aldeia ficam à frente entre as 28 cidades do estado com mais de 100 mil moradores. Para o assalto, a resposta é não: os roubos somam 385 por 100 mil, o mesmo da média do estado inteiro e bem menos que a capital (631).
O fio desta análise é o que aconteceu em 2026 em volta de Belford Roxo. A Baixada inteira registra menos mortes que no ano passado. Belford Roxo registra mais. E há uma surpresa na série histórica: o ano que destoa é 2025, não 2026. O que separa o assalto, que perde força, da morte, que continua firme, é a diferença entre violência de oportunidade e violência de território. Quem leu a versão anterior desta análise, com dados só até agosto, encontra aqui o mesmo desenho, agora com setembro e uma pergunta a mais: de onde vem a distância entre Belford Roxo e as vizinhas?
Belford Roxo tem mais ou menos crime que o Rio e a Baixada?
Em registros por habitante, tem menos que todas as vizinhas. De janeiro a setembro de 2026, a delegacia da cidade registrou 12.653 ocorrências de todos os tipos, 2.441 por 100 mil habitantes. É a 27ª taxa entre as 28 maiores cidades do estado, perto do fim da fila. A média fluminense é de 4.389 por 100 mil, e o Rio chega a 5.518.
Fonte: Crime Brasil · crimebrasil.com.br
No roubo, Belford Roxo fica no meio do pelotão: 1.997 casos em nove meses, a 6ª maior taxa entre as 28 grandes do estado e praticamente a média fluminense (384,5 por 100 mil). São João de Meriti, Rio e Duque de Caxias registram cerca de 60% mais por habitante. A imagem do assalto em cada esquina não aparece nos registros de Belford Roxo com a força que aparece nos das vizinhas maiores.
Só que a taxa de registro geral mistura tudo, e os 12.653 boletins incluem muita coisa que não assusta ninguém. Os homicídios, que são o que dá a fama à cidade, são 102 dos 12.653: menos de um em cada cem registros. A parte do crime que é mais volumosa e menos grave pesa pouco no medo, e a parte que é rara pesa tudo. Daqui em diante, o texto fica com essa parte.
Quantos homicídios tem Belford Roxo em 2026?
102 homicídios em nove meses: 19,7 por 100 mil, a maior taxa do grupo
Belford Roxo mata, por habitante, cerca de 40% mais que Duque de Caxias (14,3) e Nova Iguaçu (13,9) e 1,8 vez mais que o Rio (11,0). Nilópolis (4,5) e Mesquita (3,4) ficam muito abaixo. A média do estado é de 11,5 por 100 mil.
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Cento e duas mortes em 273 dias dão uma a cada 2,7 dias. O ranking estadual tem um cuidado: Japeri (28 mortes, 27,4 por 100 mil) e São Pedro da Aldeia (26 mortes, 23,5) ficam na frente com números absolutos pequenos, em que três ou quatro casos mexem na posição. Em Belford Roxo, uma cidade de 518 mil habitantes, a base é maior e a posição é bem menos sujeita a acaso.
Dois números costumam ficar fora da conta. As mortes por intervenção de agente do Estado, que o ISP registra à parte do homicídio doloso, foram 15 em nove meses (eram 23 no mesmo período de 2025). E houve 1 feminicídio, que tem linha própria. Somando tudo, a letalidade violenta chega a 118 mortes, 22,8 por 100 mil, também a 3ª maior taxa do estado. Para comparar: Nova Iguaçu tem 132 mortes violentas, com uma população 63% maior.
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O que mudou em 2026: o ano estranho foi 2025
Para saber se a cidade piora ou melhora, a comparação honesta é o mesmo período do ano passado. De janeiro a setembro de 2025, Belford Roxo teve 72 homicídios dolosos. Em 2026, foram 102: alta de 42%. A letalidade violenta foi de 99 para 118 (19%). As tentativas de homicídio passaram de 53 para 79, e as lesões corporais dolosas de 1.153 para 1.481 (28%).
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Olhando a série longa, a alta de 42% perde parte do susto. Os 102 casos de 2026 ficam no mesmo patamar de 2021 (100) e de 2023 (101) e abaixo dos 120 de 2024. Quem destoa é 2025, com 72 mortes: o menor número de qualquer ano desde 2003, a única vez da série em que a cidade ficou abaixo de 100 nesse período. A leitura mais segura é que 2026 é um retorno ao que a cidade vinha registrando, e que 2025 foi o desvio. O que os dados não dizem é por que 2025 foi tão baixo.
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O gráfico mensal mostra onde a diferença se concentra. Até maio, os dois anos andam juntos (49 mortes em 2025, 47 em 2026). A partir de junho, 2025 despenca para 5 mortes por mês em junho, julho e agosto, e 2026 sobe para 13, 13, 14 e 15. Nos quatro meses de junho a setembro foram 55 mortes em 2026 contra 23 em 2025. Setembro, com 15, é o pior mês do ano. Cinco meses seguidos com 12 ou mais mortes é o patamar mais sustentado do período, e é por ele que vale olhar, mais do que pelo número isolado de um mês.
Um cuidado: contagens mensais pequenas oscilam bastante, e nove meses não bastam para falar em tendência firme. O que dá para afirmar é o desenho: de junho a setembro, cerca de 13 mortes por mês, depois de um 2025 em que o meio do ano ficou perto de 5.
A Baixada recuou. Belford Roxo, não
Isoladamente, os números de Belford Roxo contam uma história. Ao lado das vizinhas, contam outra. Nova Iguaçu foi de 185 mortes em janeiro a setembro de 2025 para 117 em 2026 (queda de 37%). Duque de Caxias foi de 154 para 124 (19%), São João de Meriti de 69 para 57 (17%), Mesquita de 12 para 6 e Nilópolis de 14 para 7. Queimados ficou igual, em 15. O Rio de Janeiro, com 727 e 740, ficou praticamente parado, e o estado como um todo caiu 8%, de 2.147 para 1.977.
Somadas, as seis vizinhas passaram de 449 homicídios para 326, queda de 27%. No mesmo intervalo, Belford Roxo subiu 42%. A diferença aparece também na série longa. Em janeiro a setembro de 2016, as seis vizinhas registraram 888 mortes e Belford Roxo, 142. Era 14% das mortes das sete cidades juntas. Em 2026 são 326 e 102: a cidade responde por 24 de cada 100. Nesses dez anos, as vizinhas diminuíram 63% o número de mortes. Belford Roxo, 28%.
Isso muda a pergunta. "Belford Roxo é perigoso?" tem uma resposta fácil, que é comparar com o Rio. A pergunta mais útil é por que a cidade não acompanha o resto da Baixada, e o ISP não responde a ela, porque não traz motivação nem autor. O que o dado permite é apontar a diferença. A seção sobre o contexto, mais abaixo, fala do que se pode pensar a respeito, com o hedge devido.
Quais são os crimes mais comuns em Belford Roxo?
O dia a dia criminal da cidade, nos registros, não é o que a fama sugere. O primeiro da lista não envolve violência nenhuma.
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O estelionato lidera, com 1.925 registros: golpe do falso pagamento, do falso empréstimo, do cartão clonado. Mesmo assim, a taxa de Belford Roxo (371 por 100 mil) é metade da média do estado (742) e menos de metade da do Rio (921), a 27ª entre as 28 grandes cidades. Lesão corporal dolosa e ameaça vêm em seguida, categorias que costumam reunir briga de vizinho e violência doméstica. Aqui ficam abaixo da média fluminense (286 contra 297 em lesão, 273 contra 345 em ameaça).
Depois entra o roubo de rua, com 1.090 registros, e o roubo de veículo, com 659. O de rua é a soma de três modalidades: roubo a pedestre (560), roubo de celular (490) e roubo em ônibus e coletivos (40). Os homicídios fecham a lista com um número pequeno de casos e um peso desproporcional. Para quem circula pela cidade, o risco que mais aparece nos registros é o do golpe, da briga e do roubo. O crime que dá fama à cidade acontece num número bem menor de vezes, e está concentrado em quem vive perto de onde ele acontece.
Roubo de rua, de veículo e de carga: o que cai e o que fica
O roubo é o outro lado da moeda. Dos 1.997 roubos de 2026, mais da metade (1.090, ou 55%) foi de rua e um terço (659, ou 33%) foi de veículo. Nos dois, a cidade registra menos que a vizinhança grande, e ambos caíram em relação a 2025: o roubo de rua de 1.352 para 1.090 (19%) e o de veículo de 745 para 659 (12%). O furto de veículo recuou 10%, de 325 para 292.
O roubo de veículo merece uma leitura à parte. A taxa de Belford Roxo é de 127 por 100 mil, a 6ª entre as 28 grandes cidades, acima da média do estado (103), mas bem abaixo de Duque de Caxias (236, com 2.043 casos), São João de Meriti (181) e do Rio (150). Quem teme o carro roubado deve saber que, na Baixada, o problema grande está mais perto de Duque de Caxias e de São João de Meriti.
No roubo de carga, os números são pequenos e a diferença com a vizinhança é enorme. Belford Roxo registrou 46 casos em nove meses (8,9 por 100 mil), contra 82 em 2025 (queda de 44%). Duque de Caxias registrou 411, uma taxa de 47 por 100 mil, cinco vezes a de Belford Roxo, e São João de Meriti registrou 181. Duque de Caxias concentra rodovias e polos industriais, e a carga, por definição, circula onde há estrada. É uma explicação plausível para o contraste, não uma prova. Para quem dirige caminhão ou entrega mercadoria, o número que importa é o do trecho da estrada, e não o da cidade.
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Por que a morte fica e o assalto cai?
Os dados mostram o quê. O porquê pede cuidado, porque o boletim de ocorrência registra o fato, não a causa. O que segue é interpretação, apoiada em padrões que pesquisadores e a imprensa documentam na região, e não uma classificação oficial.
A distinção que ajuda é entre dois tipos de violência. A violência de oportunidade acontece onde há alguém com algo de valor para ser tomado: o celular na rua, o carro no semáforo, a carga na estrada. Ela cresce onde há movimento, comércio e dinheiro circulando. A violência de território acontece onde há grupos armados disputando ou mantendo o controle de uma área, e o homicídio é o seu resultado mais visível. Ela não depende de ninguém ter nada no bolso. Belford Roxo, em 2026, parece mais com a segunda do que com a primeira: pouca oportunidade registrada, muita morte.
Belford Roxo é uma cidade densa e, em boa parte, cidade-dormitório. Muita gente mora ali e trabalha, compra e se diverte em outro lugar, no Rio ou em Nova Iguaçu. O roubo de rua depende de gente circulando com algo de valor, e a economia local de comércio e serviço é menor que a da capital. É uma hipótese plausível para o assalto médio e em queda, e ela convive com o fato de que o centro comercial, como o calçadão de Lote XV, existe e move bastante gente. Pode ser também que parte da queda do roubo seja de registro, não de crime: boletim de roubo de celular ou de veículo tende a sair de quem tem seguro ou precisa do documento, e menos de quem não tem.
O homicídio é mais difícil de esconder. Quase toda morte violenta gera boletim: tem corpo, laudo, família. Por isso o número de mortes é o mais firme da análise. Quanto à diferença com as vizinhas, uma hipótese é que a violência letal se desloque conforme a disputa entre grupos armados e a presença da polícia, de modo que uma queda numa cidade possa vir junto de uma alta na do lado. Ela cabe nos números (as vizinhas caem, Belford Roxo sobe), mas os dados do ISP não a comprovam: eles não trazem autor, motivação, nem o local da morte dentro da cidade.
Quais são os bairros mais perigosos de Belford Roxo?
É uma das perguntas mais comuns nas buscas, com nomes como Piam, Heliópolis, Nova Aurora, Vilar Novo, Lote XV, Areia Branca e Parque São José. A resposta honesta é que não existe número oficial confiável por bairro.
O ISP/RJ publica os registros por área de delegacia (as CISPs). Belford Roxo aparece como uma única área, a CISP 54, da AISP 39, em todos os 285 meses da série, de janeiro de 2003 a setembro de 2026. Um município de 518 mil habitantes está inteiro em uma só linha de dado. Todo número deste artigo é, portanto, da cidade inteira. Não dá para dizer, com dado oficial, que Piam é mais perigoso que Heliópolis, ou o contrário. Qualquer ranking de bairros que você encontrar por aí precisa mostrar de onde veio o número, e um ranking sem fonte é palpite.
Para quem precisa de algo mais fino que a média da cidade (para alugar, comprar, abrir um negócio ou escolher uma rota), o caminho é consultar a nota do endereço específico, que o Crime Brasil calcula, e cruzar com o que você conhece do lugar. A cidade é uma média, e o lugar onde você vai estar pode ser bem diferente dela. A página gratuita Belford Roxo no Crime Brasil traz os números da cidade mês a mês.
O que os dados não dizem
Esta análise descreve o que está registrado no ISP/RJ. Aqui está onde ela para.
Número registrado não é crime que aconteceu. A conclusão de que Belford Roxo tem pouco roubo e pouco golpe por habitante vale para o que chegou à delegacia, e não dá para separar, só com estes números, quanto é menos crime e quanto é menos registro. O homicídio é o indicador menos sujeito a esse problema, e por isso é o mais sólido da análise. As comparações com o Rio e a Baixada usam a mesma fonte e a mesma população, mas as cidades têm perfis diferentes que uma taxa não captura.
A janela é de nove meses, e a base de comparação mais recente é um ano que foi atípico. Isso pesa nas duas direções: a alta de 42% parece grande porque 2025 foi baixo, e a série longa mostra que 2026 é normal para a cidade. Também não dá para dizer, pelos dados, se a queda nas vizinhas é melhora duradoura ou um intervalo, nem por que Belford Roxo ficou de fora dela. A população usada é a mesma para toda a série e para todos os meses, o que pesa pouco numa comparação entre cidades no mesmo ano, mas faz com que as taxas de anos diferentes não sejam comparáveis entre si; por isso a série histórica deste texto usa o número de casos.
O que os dados sustentam com segurança: em 2026, a taxa de homicídio de Belford Roxo é a 3ª entre as grandes cidades do estado e a maior do grupo da Baixada; o assalto registrado é de nível médio para o estado e está em queda; e as vizinhas, em conjunto, registraram menos mortes que em 2025 enquanto Belford Roxo registrou mais. O resto, das causas ao que acontece em cada bairro, é leitura.
Então, Belford Roxo é perigoso?
É uma cidade em que o risco registrado está mais na morte violenta do que no assalto. O roubo de rua, de veículo e de carga existe e pesa, mas em 2026 caiu e se aproxima da média do estado. O homicídio voltou ao patamar que a cidade vinha tendo e ficou à frente de todo o grupo da Baixada, justamente num ano em que as vizinhas recuaram. Quem pergunta se a cidade é perigosa recebe uma resposta em duas partes: para o seu bolso, menos do que a fama; para a sua vida, mais do que a vizinhança.
Para quem mora, trabalha ou pensa em se mudar, o que importa é menos a fama da Baixada e mais o pedaço da cidade onde você vai estar: a rotina, o horário, o caminho. A média de 518 mil pessoas esconde ruas muito tranquilas e outras que concentram o risco. E vale acompanhar os próximos meses: se Belford Roxo continuar com 12 mortes ou mais por mês enquanto as vizinhas seguem em queda, a distância entre elas deixa de ser um ano e passa a ser uma tendência.
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Perguntas frequentes sobre segurança pública em Belford Roxo
Belford Roxo é perigoso para morar? Pelos dados oficiais de 2026, o risco que mais pesa é o da violência letal: foram 102 homicídios dolosos de janeiro a setembro, 19,7 por 100 mil habitantes no período, a 3ª maior taxa entre as 28 cidades do estado com mais de 100 mil moradores. O roubo por habitante (385 por 100 mil) fica na média do estado e abaixo do Rio e de Duque de Caxias. O risco depende do tipo de crime que mais preocupa.
Qual é a taxa de homicídio de Belford Roxo? De janeiro a setembro de 2026: 102 homicídios dolosos para 518.384 habitantes, 19,7 por 100 mil no período (sem anualizar). Só Japeri (27,4) e São Pedro da Aldeia (23,5) têm taxa maior entre as cidades do RJ com mais de 100 mil habitantes.
Belford Roxo é mais perigoso que o Rio de Janeiro? Em homicídio, sim: a taxa do período é 1,8 vez a da capital (19,7 contra 11,0). Em roubo, não: o Rio tem 631 por 100 mil, contra 385 em Belford Roxo. E o Rio registra mais que o dobro de ocorrências por habitante, em todos os tipos de crime.
Belford Roxo está melhorando ou piorando em 2026? Os dados misturam as duas coisas. Os homicídios de janeiro a setembro (102) estão 42% acima do mesmo período de 2025 (72), que foi o menor da série desde 2003, e perto do que a cidade registrava em 2021 e 2023. Os roubos caíram 16%. Já as vizinhas da Baixada registraram, juntas, 27% menos mortes.
Quais são os bairros mais perigosos de Belford Roxo? Não há dado oficial por bairro: o ISP/RJ trata a cidade como uma única área (CISP 54). Para um recorte mais fino, peça um Relatório Personalizado do endereço.
Esses dados são oficiais? Sim. Vêm do ISP/RJ, que publica os registros por área de delegacia todo mês. O Crime Brasil ingere esses dados e calcula as taxas sobre a população do IBGE.
De onde vêm esses números
Três fontes sustentam este texto, e cada uma responde a uma pergunta diferente.
ISP/RJ (Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro). É o órgão do governo estadual que consolida os registros de ocorrência feitos nas delegacias. Todo mês publica quantos boletins de cada tipo (homicídio, roubo, estelionato, ameaça e dezenas de outros) foram registrados em cada área de delegacia, as CISPs. Belford Roxo corresponde à CISP 54. É a base de todos os números de crime deste artigo, e o último mês disponível é setembro de 2026. O que ela mede é o registro: quando uma vítima denuncia ou a polícia constata, vira número. O que ela não captura é o crime que ninguém registrou, e por isso os totais subestimam a realidade, mais nos crimes que dependem de a vítima ir à delegacia do que nos homicídios. As mortes por intervenção de agente do Estado aparecem em campo próprio, fora do homicídio doloso.
Relação de áreas do ISP (RISP, AISP e CISP). É o documento oficial que diz a qual batalhão e a qual delegacia cada área pertence. É dele que vem a confirmação de que Belford Roxo é a CISP 54, dentro da AISP 39.
População do IBGE. O denominador de toda taxa por 100 mil habitantes. Usamos a mesma população exibida nas páginas de cidade do Crime Brasil (Belford Roxo: 518.384 habitantes), idêntica para todos os meses. Ela corrige o efeito do tamanho: sem ela, o Rio sempre pareceria mais violento só por ser maior. O limite é que a população real muda, e uma taxa calculada sobre um número fixo carrega esse erro, em geral pequeno.
metodologia e limites
Fonte primária de crime: ISP/RJ, base mensal por CISP, publicada pelo Instituto de Segurança Pública. Última competência disponível: setembro de 2026. Belford Roxo: CISP 54, única área do município em toda a série (2003 a 2026).
Janela: janeiro a setembro de 2026 em todos os números de taxa e de ranking. A comparação com o mesmo período de 2025 (jan-set) e a série de janeiro a setembro de 2016 a 2026 aparecem nas seções de tendência e de vizinhança, sempre em número de casos.
Registros de ocorrência: campo registro_ocorrencias do ISP (total oficial). Roubos: campo total_roubos (soma das modalidades). Roubo de rua: soma de roubo_transeunte, roubo_celular e roubo_em_coletivo. Homicídio doloso: campo hom_doloso, que exclui homicídio culposo, latrocínio e mortes por intervenção de agente do Estado (hom_por_interv_policial, campo à parte). Letalidade violenta: campo letalidade_violenta (homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e morte por intervenção; neste período, 102 + 15 + 1 feminicídio = 118 em Belford Roxo). Outros campos: roubo_veiculo, roubo_carga, furto_veiculos, estelionato, lesao_corp_dolosa, ameaca, tentat_hom, trafico_drogas.
Taxa por 100 mil: ocorrências no período ÷ população × 100 mil, sem anualizar. A média do estado soma todas as linhas do ISP no RJ e divide pela população somada dos 92 municípios (17.223.547). População IBGE usada nas páginas de cidade do Crime Brasil.
Cidades comparadas: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti, Queimados, Mesquita e Nilópolis, mesma fonte, janela e método. O ranking estadual considera os 28 municípios do RJ com mais de 100 mil habitantes. "Seis vizinhas" são as seis da lista, sem o Rio.
Sobre o contexto: a leitura de violência de oportunidade e de território, de cidade-dormitório e de sub-registro é interpretação a partir do padrão dos números e de fenômenos documentados na região; o ISP não traz a motivação dos crimes. O texto sinaliza onde termina o dado e começa a interpretação.
A nota de risco do seu endereço em Belford Roxo
A cidade é uma média. Veja como o seu endereço se compara, com a nota do Crime Brasil, e consulte de graça os números mensais de Belford Roxo.
O mesmo tipo de leitura existe para qualquer endereço: peça um Relatório Personalizado do seu endereço.
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Um gestor, um colega, a família. Dado oficial, com fonte.




















