Como encontrar dados públicos de qualquer assunto no Brasil
Para encontrar dados públicos no Brasil, comece pelo dono de cada tema. Crime, saúde, trânsito, clima, renda, escola: quase tudo que o governo mede vira dado público. O difícil não é saber que existe. É achar, baixar e deixar pronto para usar. Aqui está o mapa, um teste de um clique e os pontos onde todo mundo erra.
Onde encontrar dados públicos: o dono de cada tema
Não existe um lugar só. Cada tema tem um dono, e cada dono publica de um jeito. Comece por aqui:
IBGE: Censo, estimativa anual, malha de municípios.
Tem API aberta, sem cadastro. Cada município tem um código de 7 dígitos.
DATASUS: óbitos (SIM), internações (SIH), doenças notificadas (SINAN).
Arquivo por estado e por ano, num formato próprio (.dbc). Tem tabela pronta no TabNet, mas só com os cortes que ele oferece.
Secretaria de Segurança de cada estado. Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Cada estado publica do seu jeito: planilha, PDF, painel. Nome de crime, período e detalhe mudam de um estado para o outro.
PRF (acidentes em rodovia federal), SENATRAN (frota), DETRAN de cada estado.
A PRF solta um arquivo por ano. Rua de cidade fica com o estado ou a prefeitura, e nem todos publicam.
CNJ (processos, pelo DataJud), SISDEPEN (sistema prisional).
O DataJud tem API com chave pública. O SISDEPEN sai em relatório por período.
INMET (estações do tempo), INPE (queimadas e desmatamento), IBAMA, MapBiomas.
Muito dado por hora ou por ponto no mapa. Arquivo grande, com coordenada.
INEP: Censo Escolar, ENEM, avaliações da educação básica.
Microdado por ano em arquivo compactado, com dicionário de dados junto. Arquivo grande, às vezes de vários GB.
Portal da Transparência, Tesouro, Receita Federal (CNPJ), dados.gov.br.
O Portal da Transparência tem API com cadastro de e-mail. O dados.gov.br é um catálogo: aponta para o arquivo, que mora no órgão.
API do IBGE: busque uma cidade em um clique
O IBGE tem uma API aberta, sem cadastro. Cole este endereço no navegador. Ele mostra o nome, o estado e a região de Porto Alegre. O número no fim é o código da cidade.
A resposta vem assim (cortada):
{"id":4314902,"nome":"Porto Alegre",
"microrregiao":{"nome":"Porto Alegre",
"mesorregiao":{"nome":"Metropolitana de Porto Alegre",
"UF":{"sigla":"RS","nome":"Rio Grande do Sul"}}}, ...}Troque o código e você tem outra cidade. Esse código de 7 dígitos é a chave principal para juntar uma base com outra. Algumas, como o DATASUS, usam só 6. Veja isso logo abaixo.
Portais de dados abertos e microdados: por que confundem
Cada base nasceu para um uso interno do órgão. Ninguém pensou em juntar uma com a outra. Por isso os mesmos problemas aparecem sempre:
- Cada órgão tem um formato. API, planilha, PDF, arquivo .dbc, painel que mostra mas não deixa baixar. Juntar dois já dá trabalho.
- O mesmo lugar tem códigos diferentes. O IBGE usa 7 dígitos para o município. O DATASUS usa 6, sem o último. Sem converter, as duas bases não se encontram, e ninguém avisa.
- A planilha muda de um ano para o outro. Coluna troca de nome, categoria some, outra aparece. Somar dez anos sem olhar isso dá série falsa.
- Bairro vem escrito à mão. "Jd. América", "JARDIM AMERICA" e "Jardim América" são o mesmo lugar. Para a máquina, são três.
- Acento quebra. Arquivo antigo grava a letra de outro jeito. "São Paulo" vira "São Paulo" e some do filtro.
- O ano mais novo vem pela metade. Base recente costuma ser revisada depois. Ano incompleto parece queda, e não é.
Nenhum desses erros avisa. O número sai bonito e está errado. Mais sobre isso na nossa metodologia.
Como baixar e usar dados públicos: passo a passo
Escreva a pergunta inteira
Lugar, período e o que contar. "Roubo de celular em Campinas, de 2020 até hoje, por mês" é uma pergunta. "Violência em Campinas" não é.
Ache o dono do dado
Use a lista acima. Vá na fonte original, não na matéria de jornal que citou o número.
Procure o catálogo
Portal de dados abertos do estado, página de transparência do órgão, dados.gov.br. Busque pelo tema e pelo nome do órgão.
Baixe mais do que precisa
Pegue o período inteiro, não só o ano que interessa. Sem o antes, não dá para dizer se subiu.
Leia o dicionário antes de somar
Quase toda base tem um arquivo que explica cada coluna. Ele diz o que entra e o que fica de fora.
Confira com outra fonte
Some o total e compare com um número já publicado, como o anuário. Se não bate, algo ficou de fora.
Onde quase todo mundo trava
Uma pergunta simples, como "o crime subiu no meu bairro?", pede pelo menos três bases. A da secretaria, para as ocorrências. A do IBGE, para a população. E a lista de bairros, para saber qual nome é qual. Cada uma num formato. Uma com erro estraga as outras duas.
É aqui que a busca de uma tarde vira um mês. Uma cidade e um ano: uma tarde. Cinco estados e cinco anos: semanas. E, no fim, quase ninguém confere se o número está certo.
- Um número de uma cidade, de um ano, de uma fonte.
- O código e a população de um município, no IBGE.
- Uma tabela pronta do TabNet ou do painel do estado.
- Série de vários anos, com a planilha mudando no meio.
- Vários estados lado a lado, cada um com sua regra.
- Recorte por bairro, com nome escrito de dez jeitos.
- Cruzar crime com saúde, trânsito ou renda no mesmo lugar.
- Refazer tudo cada vez que sai base nova.
Quer o dado já achado, limpo e cruzado?
A gente faz esse caminho por você
O Crime Brasil junta +50 fontes oficiais do Brasil inteiro num banco só. Não é só segurança: tem saúde, justiça, trânsito, sistema prisional, ambiente, clima, economia e população.
- Já achado: a gente vigia cada fonte e baixa quando sai base nova.
- Já limpo: nome de crime, bairro e data padronizados. Acento consertado.
- Já cruzado: todo lugar com o código do IBGE e a população do Censo, pronto para taxa.
- Já revisado: carga duplicada ou pela metade a gente acha e corrige.
- Com uma pessoa de verdade: um analista responde quando a pergunta fica difícil.
Você pode receber o dado pronto no seu sistema pela assinatura de dados, pedir a análise a um analista de dados ou ver como o nosso motor de IA transforma a base em relatório. A lista de bases está em fontes. O jeito de limpar e cruzar está na metodologia.
O que você ganha, por tipo de trabalho
Chegue na reunião com o número oficial do endereço do cliente, e não com opinião.
Mostre o histórico real do bairro antes de comprar, lançar ou anunciar.
Avalie uma lista de endereços com a mesma régua e o mesmo período.
Comece pela análise. A série longa já vem limpa.
Publique o número da pauta com fonte, data e comparação justa.
Veja onde o problema cresce, bairro a bairro e mês a mês.
Conte qual dado você procura
Diga o tema, o lugar e o período. Um analista responde até um dia útil com o que a base tem para a sua pergunta.
Sem senha e sem cobrança agora. O escopo e o valor vão por escrito antes de qualquer pagamento.
Perguntas frequentes
O que é microdado?
É a base linha a linha, como o órgão guarda: um registro por ocorrência, internação ou acidente. A tabela pronta já vem somada. O microdado deixa você fazer o seu próprio corte, mas pesa muito mais.
Onde baixar microdados do DATASUS?
No site do DATASUS, na área de transferência de arquivos. Os arquivos saem por estado e por ano, no formato .dbc. Para abrir, use um leitor próprio, como o pacote read.dbc no R ou o PySUS no Python.
Como usar a API do IBGE?
Os serviços ficam em servicodados.ibge.gov.br, sem cadastro. A API de localidades traz nome e código de cada município. A de agregados traz população e outros números do Censo. A resposta vem em JSON.
O que é o portal dados.gov.br?
É o catálogo de dados abertos do governo federal. Ele lista os conjuntos e aponta para o arquivo, que fica no site do órgão. Serve para descobrir o que existe, não para analisar.
Como achar dado de segurança pública do meu estado?
Vá no site da Secretaria de Segurança do estado e procure por estatística ou dados abertos. Cada estado publica do seu jeito: planilha, PDF ou painel. O anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública ajuda a comparar estados.
Dado público é de graça?
Sim. O dado é público e o acesso não custa nada. O que custa é o tempo: achar, baixar, limpar e juntar. Para uma pergunta simples, dá para fazer sozinho. Para uma série longa ou um cruzamento, esse tempo cresce rápido.
Preciso saber programar?
Para uma tabela pronta, não. Para juntar bases grandes, ajuda muito saber SQL ou Python. Planilha comum trava perto de um milhão de linhas, e muita base oficial passa disso num ano só.
Qual a diferença entre dado aberto e dado público?
Dado público é o que o governo pode mostrar. Dado aberto é o público que já sai num formato que a máquina lê, como planilha ou API. Muito dado público ainda sai só em PDF ou em painel, e aí não é aberto na prática.
Posso usar dado público no meu trabalho ou na minha empresa?
Em geral, sim. Cite o órgão e a data da base. Vale conferir a licença de cada conjunto, que costuma estar na página de onde você baixou.
E quando o dado que eu quero não está publicado?
Aí o caminho é pedir ao órgão, e a resposta leva semanas. Nem sempre vem no formato certo. Se a base não estiver no nosso banco, um analista te diz o que dá para fazer.




















