
"Embu das Artes é perigosa?" A cidade tem uma imagem: a feira de artesanato, o Centro histórico de casario colonial, os ateliês. Mas os dados da SSP-SP mostram que esse cartão-postal é só um pedaço da cidade — e não é onde o crime acontece.
Embu das Artes tem quase 260 mil habitantes. A maior parte mora longe do Centro turístico, na faixa urbana densa que faz divisa com a zona sul da capital. E é ali, no Pirajuçara, que a estatística se concentra.
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DUAS CIDADES — O CENTRO E O PIRAJUÇARA
1.Um bairro concentra o crime da cidade inteira.
O Pirajuçara, na divisa com a capital, soma mais de mil ocorrências em 12 meses — sozinho, mais que todos os outros bairros somados. O Centro histórico, o cartão-postal da feira, aparece bem atrás, com 226 registros. São duas cidades dentro da mesma: a do turismo e a do dia a dia.
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Depois do Pirajuçara e do Centro, o volume se distribui por bairros residenciais densos — Oliveiras, M'Boi Mirim, Jardim Santa Tereza — cada um com pouco mais de cem ocorrências no período. É a geografia clássica da periferia metropolitana: quanto mais perto da capital e mais densa a ocupação, mais crime registrado.
O Pirajuçara não é só o que mais aparece em volume. É também onde a violência letal se concentra: dos 17 homicídios da cidade em 12 meses, o bairro mais letal teve 3 — e fica nessa faixa de divisa, não no Centro turístico.
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ROUBO — ALTO E ESTÁVEL
Se o homicídio é o que assusta, o roubo é o que define Embu das Artes no dia a dia. E aqui o dado não é bom.
2.O roubo é alto e não está caindo.
Foram quase 1.900 roubos em 2025 — praticamente o mesmo de 2023 (1.879) e abaixo do pico de 2024 (2.047). Diferente de outras cidades da Grande São Paulo, onde o assalto vem recuando, em Embu das Artes ele se mantém num patamar alto. É o crime mais relevante da cidade depois do furto.
No perfil dos últimos 12 meses, furto e roubo dominam, lado a lado — algo que não acontece nas cidades menores da região, onde o furto costuma abrir grande vantagem sobre o roubo.
Furto na frente, roubo logo atrás — quase empatados. É o retrato de uma cidade com muito fluxo, muita gente e a violência patrimonial que vem junto. O roubo aqui não é exceção; é rotina.
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HOMICÍDIO — MEDIANO PARA A REGIÃO
3.Na letalidade, Embu das Artes fica no meio do pelotão.
Foram 17 homicídios dolosos em 12 meses — taxa de 6,5 por 100 mil habitantes. É menos que Embu-Guaçu (10,2) e Itapecerica da Serra (6,7), e mais que Cotia (4,5) e Carapicuíba (5,0). Está perto da média do estado de São Paulo. O número é estável há três anos: 19, 23, 19.
A leitura é clara: Embu das Artes não tem um problema de homicídio fora da curva. A taxa é mediana, estável, e fica abaixo da de vizinhos como Embu-Guaçu. O que diferencia a cidade da vizinhança não é a violência letal — é o volume de roubo, puxado pela densidade do Pirajuçara.
4.O cartão-postal não é o retrato.
A feira de artesanato, o Centro histórico, os ateliês: tudo isso é real, e é tranquilo. Mas é uma fração da cidade. A Embu das Artes dos 260 mil habitantes é uma cidade de periferia metropolitana densa, e o crime dela é o crime dessa periferia — roubo e furto na faixa que toca a capital, não no casario colonial.
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METODOLOGIA E LIMITES DO DADO
metodologia e limites
Fonte primária: SSP-SP, portal de transparência ativa (SPDadosCriminais_<ANO>.xlsx em https://www.ssp.sp.gov.br/assets/estatistica/transparencia/spDados/). Os arquivos são publicados mensalmente e contêm os boletins de ocorrência individuais com bairro. Tabela app.crimes_sp no banco analytics do Crime Brasil.
Janelas:
- Perfil de crime, geografia e taxa de homicídio: maio/2025 a abril/2026 (12 meses).
- Tendência anual (roubo e homicídio): anos-calendário completos de 2023, 2024 e 2025.
Taxa de homicídio: número de homicídios dolosos no período dividido pela população e multiplicado por 100 mil. População da estimativa IBGE 2024 — a mesma exibida nas páginas de cidade do Crime Brasil (Embu das Artes: 259.788 hab.).
Sobre o Pirajuçara: o nome cobre uma região densa e populosa na divisa com a zona sul da capital. Por concentrar muita gente e muito fluxo, aparece com folga no volume total de ocorrências. O bairro registra o local do fato, não a residência da vítima.
Comparação da região: as taxas dos vizinhos usam a mesma janela de 12 meses e a mesma fonte. Homicídios em 12 meses: Carapicuíba 20, Taboão da Serra 15, Cotia 13, Itapecerica da Serra 11, Embu-Guaçu 7.
Filtro de homicídio doloso: grupo HOMICÍDIO DOLOSO, excluindo homicídio culposo (acidente). Não inclui latrocínio nem tentativa de homicídio.
Limitações: o bairro registrado é o do local da ocorrência. Bairros de fluxo aparecem inflados. Uma parcela dos boletins tem bairro nulo e não entra na contagem por bairro.
Perguntas frequentes
Afinal, Embu das Artes é perigosa? Depende de onde e do que você teme. No Centro histórico da feira, a cidade é tranquila. Mas, como um todo, Embu das Artes tem um problema real de roubo — quase 1.900 por ano, alto e estável — concentrado na faixa densa do Pirajuçara, na divisa com a capital. Na violência letal, a taxa é mediana para a região, sem destaque negativo.
Qual o bairro mais perigoso de Embu das Artes? No volume de ocorrências, é o Pirajuçara, com folga — sozinho soma mais que todos os outros bairros juntos. É também onde a violência letal mais aparece. O Centro histórico, apesar da fama, registra bem menos.
Embu das Artes é mais perigosa que Embu-Guaçu? Em homicídio por habitante, não: Embu das Artes tem 6,5 por 100 mil contra 10,2 de Embu-Guaçu. Mas em volume de roubo e furto, Embu das Artes é muito maior — é uma cidade bem mais populosa e urbana.
Esses dados são oficiais? Sim. Vêm do portal de transparência da SSP-SP, atualizado mensalmente. O Crime Brasil ingere a planilha mês a mês e expõe os números aqui sem alteração além da normalização de nomes.
Última atualização: 23/06/2026. Próxima atualização prevista após a publicação dos dados de maio/2026 pela SSP-SP, normalmente entre o dia 25 e o último dia do mês seguinte.