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Criminalidade no Rio de Janeiro: guia dos dados oficiais por município

Por Alexandra Diniz·Metodologia

Verificado em 14 de julho de 2026

O Rio de Janeiro registrou 745.624 ocorrências criminais em 2025, das quais 385.289 só na capital. Veja o que os dados oficiais do ISP/RJ realmente cobrem, por onde começar e onde eles param — o Rio não tem estatística oficial por bairro.

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Destaques
Ocorrências em 2025
745.624
Total de ocorrências criminais registradas pelo ISP/RJ em 90 municípios do estado em 2025.
Cristo Redentor visto do alto, com a Floresta da Tijuca e bairros do Rio de Janeiro ao fundo
Rio de Janeiro, RJ
Unsplash

Antes de procurar um número específico sobre criminalidade no Rio de Janeiro — homicídio em tal bairro, ranking de tal cidade, evolução de um crime — vale entender o que o dado oficial do estado cobre e onde ele para. É mais rápido do que parece, e evita o erro mais comum: comparar números que não são comparáveis, ou procurar um recorte que a fonte simplesmente não publica.

O Rio de Janeiro tem uma das séries de dados de segurança pública mais longas do Brasil. E também uma das mais rígidas quanto à granularidade: município é o limite. Não tem bairro.

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O que existe: 90 municípios, desde 2003

O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP/RJ) publica, todo mês, um boletim por CISP — Circunscrição Integrada de Segurança Pública, a área de cada delegacia — que o Crime Brasil agrega ao município correspondente. A série começa em janeiro de 2003 e o mês mais recente disponível é maio de 2026, publicado com defasagem de cerca de dois meses.

Noventa municípios do estado têm registro na série (dos 92 municípios oficiais do RJ). Os dois que faltam são casos raros de jurisdição CISP não mapeada de forma unívoca — não afeta o restante da série.

O gráfico resume por que qualquer busca por "criminalidade no Rio" precisa primeiro perguntar qual crime. Homicídio doloso caiu de 4.950 em 2018 para 2.844 em 2025 — queda constante, ano após ano. Estelionato fez o caminho inverso: de 34.493 para 146.981 no mesmo período, mais que quadruplicou. Duas curvas, direções opostas, dentro do mesmo estado e da mesma fonte.

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Onde a criminalidade se concentra — por volume, não por taxa

Uma pergunta diferente da "qual crime" é "qual cidade". Aqui é importante separar dois critérios que respondem perguntas diferentes: volume total de ocorrências (quem tem mais casos, em número absoluto) e taxa por habitante (quem é proporcionalmente mais afetado). Este guia mostra o primeiro — volume. Para o ranking por taxa de letalidade por 100 mil habitantes, o Crime Brasil já publicou uma análise dedicada (link na seção de leituras, abaixo).

A capital sozinha respondeu por 385.289 das 745.624 ocorrências do estado em 2025 — 52% do total. Isso é esperado: o Rio de Janeiro (município) concentra quase 40% da população do estado (6,7 milhões de 17,2 milhões de habitantes), além de ser o centro comercial e de circulação de toda a região metropolitana. Volume alto não significa necessariamente taxa alta por habitante — para essa outra pergunta, é preciso dividir pela população, e o resultado muda bastante a ordem da lista.

Duque de Caxias e Nova Iguaçu, segundo e terceiro colocados por volume, são municípios da Baixada Fluminense com forte fluxo de passagem e ocupação densa — cidades-dormitório que também concentram comércio de bairro e alta circulação diária. São Gonçalo e Niterói, do outro lado da Baía de Guanabara, aparecem em seguida.

Volume não é taxa — e a ordem muda quando se divide pela população

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O que os dados NÃO cobrem

Aqui está o ponto mais importante deste guia, e o motivo de ele existir: o ISP/RJ não publica dado de criminalidade por bairro. O boletim mensal é fechado por CISP — que agrupa vários bairros de um município sob uma única delegacia — e o Crime Brasil, como qualquer usuário desses dados abertos, recebe a informação já nesse nível de agregação.

Isso significa que qualquer lista de "bairros mais perigosos do Rio de Janeiro" que você encontrar por aí não vem de estatística policial oficial. Normalmente essas listas usam registro de disparos (como o projeto Fogo Cruzado), denúncias do Disque-Denúncia, ou levantamento de notícias — metodologias válidas para outros fins, mas que não são comparáveis ao dado do ISP/RJ e não permitem calcular taxa por 100 mil habitantes com confiabilidade, porque não têm um denominador populacional por bairro consistente.

Se alguém publicar um ranking de bairros do Rio com números do ISP/RJ, vale desconfiar — a fonte simplesmente não abre esse recorte.

O que os dados não dizem

Além do recorte por bairro, vale ter em mente três limites gerais de qualquer estatística policial, o ISP/RJ incluído.

Registro não é ocorrência real. O boletim conta o que foi levado à delegacia, não o total de crimes de fato acontecidos. A subnotificação existe em qualquer base de ocorrência e varia por tipo de crime — é maior em crimes contra a pessoa (como ameaça e violência sexual), nos quais a vítima às vezes não registra, e menor em homicídio, que quase sempre gera boletim. Um município com poucos registros de um crime específico não é necessariamente um município onde esse crime quase não acontece.

Queda ou alta num gráfico não explica a causa. Uma série histórica mostra o que aconteceu com os registros ao longo do tempo, não por que aconteceu. Mudanças de patrulhamento, de política de segurança, no próprio processo de registro da polícia ou eventos externos podem mover a curva sem que a criminalidade real tenha mudado na mesma proporção — correlação entre dois eventos no tempo não é prova de causa.

Comparar municípios pela mesma fonte é mais seguro do que comparar entre fontes. Dentro do ISP/RJ, os 90 municípios usam a mesma metodologia de registro, o que torna a comparação entre eles razoável. Já comparar o Rio de Janeiro com um estado que usa outra Secretaria de Segurança (outra taxonomia, outro critério de classificação) é mais frágil — a diferença no número pode refletir a forma de contar, não a diferença real de criminalidade.

Por onde começar

Para quem chegou aqui procurando um recorte específico, os pontos de partida mais úteis no Crime Brasil são:

  • Estado do Rio de Janeiro — visão consolidada de todos os municípios, com filtro por ano, mês e tipo de crime.
  • Rio de Janeiro (capital) — dados detalhados do município que concentra mais da metade das ocorrências do estado.
  • Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói e São Gonçalo — os municípios do segundo grupo por volume.
  • Para o ranking por taxa de letalidade por habitante (que responde "onde é proporcionalmente mais perigoso", não "onde há mais casos"), o Crime Brasil publicou uma análise dedicada com o top 15 de municípios do estado.

Recortes por bairro, período específico ou tipo de crime que não estejam nas páginas acima: relatório customizado — /imprensa.

Explore os dados completos do Rio de Janeiro

Filtre por município, ano e tipo de crime no mapa de dados do estado.

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Fonte, cobertura e limites dos dados

Fonte primária: Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP/RJ), boletins mensais por CISP (Circunscrição Integrada de Segurança Pública), agregados ao município de circunscrição pelo Crime Brasil. Tabelas app.rj_isp_cisp_raw (dado bruto por CISP/mês) e app.crimes_staging (visão unpivotada por categoria) no banco analytics.

Série histórica: de 2003 até 05/2026 (último mês fechado disponível na fonte, publicado com defasagem de aproximadamente dois meses). Cobertura de 90 dos 92 municípios do estado.

Total de ocorrências (usado no ranking por volume): soma de todas as 45 categorias atômicas do boletim ISP/RJ (homicídio doloso, roubo por subtipo, furto por subtipo, estelionato, estupro, etc.), sem filtro — não deve ser confundido com o indicador oficial "registro de ocorrências" do próprio ISP, que conta boletins e pode diferir da soma de categorias quando um boletim envolve mais de um tipo penal.

População: IBGE Estimativas Populacionais 2024 (app.ibge_pop_municipios). População do estado: 17.219.679. População da capital: 6.729.894.

O que este guia não cobre: dado por bairro (indisponível na fonte oficial), homicídio culposo (incluído na série mas não destacado aqui) e classificação por facção ou grupo criminoso (o ISP/RJ não publica esse recorte).

Verificação: todos os números conferidos por consulta direta ao banco em 14/07/2026, cruzando app.rj_isp_cisp_raw e app.crimes_staging para os mesmos pontos (ex.: homicídio doloso 2025 = 2.844 nas duas fontes).

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Citado por Gazeta do Povo, O Eco, Tribuna do Planalto

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Como citar esta página

CRIME BRASIL. Criminalidade no Rio de Janeiro: guia dos dados oficiais por município. Disponível em: <https://crimebrasil.com.br/analises/criminalidade-rio-de-janeiro-guia>. Acesso em: 12 out. 2026.

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Depoimento em vídeo
Vinícius Mendes
Repórter · Olhar Direto (Cuiabá · MT)

Repórter da editoria de Reportagem do Olhar Direto, portal de notícias de Cuiabá (MT), com cobertura de segurança pública e casos policiais no estado. Usou o dado do Crime Brasil para reportar a queda de roubos e a alta de estelionatos em Mato Grosso.

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Jair GonçalvesDepoimento
Jair Gonçalves
Fundador · Portal Atibaia News

Fundador do Portal Atibaia News, veículo de notícias de Atibaia (interior de São Paulo). Publicou com o dado do Crime Brasil o ranking de ocorrências por bairro da cidade.

“Parabéns à Crime Brasil pelo excelente trabalho de jornalismo de dados! As informações disponibilizadas possibilitaram ao Portal Atibaia News produzir uma importante matéria sobre os números de ocorrências policiais por bairro em Atibaia, levando informação e transparência aos nossos leitores. Muito obrigado.”
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Mundo de Cores
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Douglas, médico veterinário, comanda com a família o canal Mundo de Cores, sobre vida no campo, no Rio Grande do Sul.

“Só Compre uma Chácara Após Assistir Esse Vídeo!”

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“Gratidão pelas informações. Essa é uma excelente ferramenta para uma decisão segura.”

— @marceloguilemond1632

“Verdade, pode ajudar muito mesmo!”

— Mundo de Cores (canal)

“Muito Bom!”

— @edmundosantos3812
Gazeta do Povo
Artigo de opinião
Gazeta do Povo
Artigo assinado · Paraná

Artigo de opinião do editor do Crime Brasil: a queda de homicídios no Paraná esconde a alta em mortes no trânsito, suicídios e feminicídios — com o dado da plataforma.

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O Eco
Reportagem
O Eco
Reportagem · Amazônia

Reportagem sobre violência fundiária e baixa punição de crimes ambientais na Amazônia, cruzando dados do Crime Brasil com CPT, Ibama, CNJ e MapBiomas.

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Tribuna do Planalto
Capa do jornal
Tribuna do Planalto
Goiânia · edição impressa

Matéria de capa cruzando a queda de homicídios em Goiás com a alta no entorno do Distrito Federal, a partir do dado da plataforma.

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Levantamento exclusivo
Gazeta de S.Paulo
São Paulo · capital

Levantamento exclusivo do mapa da criminalidade na capital paulista — Moema com muito mais infrações que o Grajaú — com o dado do Crime Brasil.

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IHU · Unisinos
Fonte acadêmica
IHU · Unisinos
Instituto Humanitas Unisinos

Entrevista do Instituto Humanitas Unisinos que cita a plataforma como fonte de microdado criminal aberto.

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IBCCRIM · JCC
Revisado por pares
IBCCRIM · JCC
Jornal de Ciências Criminais

Artigo no Jornal de Ciências Criminais sobre os limites do acesso a microdados criminais no Brasil, citando o Crime Brasil.

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Wikipédia
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Publicação
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