
Teresina é a capital do Piauí, com cerca de 900 mil habitantes, e o polo de comércio, saúde e estudo do estado. Quem pesquisa "bairros mais perigosos de Teresina" costuma estar numa dessas horas: vai mudar de emprego, alugar um ponto comercial, escolher onde a família vai morar.
A resposta curta dos boletins é o Centro. De abril de 2025 a março de 2026, foram 3.108 ocorrências ali, mais que o dobro do segundo colocado. Só que essa resposta engana, e a maior notícia da cidade não está em nenhum bairro. Está na linha do tempo.
Esse é o fio desta análise. O crime em Teresina mudou de forma. O roubo, que exige a rua e a arma, caiu quase pela metade em três anos. O estelionato, que só pede um celular e um golpe, subiu metade. O mapa dos bairros mostra onde está o crime que sobrou na calçada. A tendência mostra para onde o resto se mudou.
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O MAPA DO MOVIMENTO: O CENTRO E O RESTO
Some tudo o que a Polícia Civil registrou em Teresina num ano e o topo da lista é um mapa de onde a cidade compra e circula. Centro, Itararé, Santa Maria, Angelim, Vale Quem Tem.
1.O Centro tem mais registros que Itararé e Santa Maria somados.
Foram 3.108 ocorrências no Centro em 12 meses, 11% das 27,8 mil da cidade. Itararé e Santa Maria, o segundo e o terceiro, somam 2.420. O Centro não é "mais perigoso por acaso". É o lugar por onde mais gente passa todo dia, e o crime de rua vai atrás de gente.
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Fonte: Crime Brasil · crimebrasil.com.br
Fora o Centro, o ranking é de bairros populosos. Itararé tem 32 mil moradores. Angelim, 43 mil, o maior da lista. Santa Maria, 22 mil. Mais gente, mais registros. Por isso o volume sozinho diz pouco sobre o seu risco.
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POR MORADOR, O CENTRO ENGANA
A forma clássica de corrigir o tamanho do bairro é dividir pelas pessoas que moram nele. No Centro, isso dá 37.796 ocorrências por 100 mil habitantes. A mediana dos 94 bairros de Teresina é 3.457, ou seja, o Centro fica onze vezes acima.
2.O Centro tem só 8 mil moradores. O crime que o boletim conta é o de quem passa.
O boletim registra onde o crime aconteceu, não onde a vítima mora. Uma loja assaltada, um celular levado no ponto de ônibus ou um golpe presencial somam no Centro, que concentra comércio popular, bancos e serviços. A taxa altíssima mede movimento, não o risco de cada morador.
Para ver os bairros residenciais sem esse efeito, vale olhar só os que têm 10 mil moradores ou mais. Nesse recorte, as maiores taxas ficam numa faixa estreita, entre 4,3 mil e 5,2 mil.
Fonte: Crime Brasil · crimebrasil.com.br
Os seis bairros ficam perto da mediana da cidade. Isso é uma boa notícia e um aviso. Boa notícia porque não há, entre os bairros grandes, um que se destaque como foco de crime patrimonial. O aviso: o crime que mais cresce na cidade não depende de bairro nenhum.
Bairros pequenos também aparecem com taxa alta, como Noivos (12.151 por 100 mil), Cabral (10.153) e Vermelha (10.089). Todos têm menos de 4 mil moradores, o que infla qualquer taxa. Um punhado de ocorrências muda o ranking.
Veja o ranking completo de Teresina
Os 94 bairros, por tipo de crime, com a nota do endereço.
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O CRIME MUDOU DE LUGAR: DA RUA PARA O CELULAR
Em 2022, Teresina registrou 16.908 roubos. Em 2025, 8.577. É uma queda de 49% em três anos. O furto também caiu, mas menos: de 14.387 para 12.753, 11% a menos. E o estelionato foi na direção contrária: de 7.791 para 11.705 registros, 50% a mais.
3.Em 2025, Teresina registrou mais golpes do que roubos.
O estelionato (11.705) ficou perto do furto (12.753) e bem acima do roubo (8.577). Em 2022, o roubo era o maior dos três, com 16.908. O golpe tem outros caminhos: pix, falso anúncio, perfil clonado, link falso.
Fonte: Crime Brasil · crimebrasil.com.br
As linhas se cruzam. Em 2022, o roubo estava mais de duas vezes acima do estelionato. Em 2025, o estelionato passou o roubo. Os dados abertos não explicam a causa, e o aumento pode ter parte de maior registro: golpe por celular hoje é mais fácil de denunciar online. Mas o desenho é nítido.
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POR QUE O CENTRO CONCENTRA TANTO
O boletim registra o que aconteceu e onde, não o porquê. O que segue é interpretação.
O Centro de Teresina é onde o comércio popular da cidade e da região se encontra. Gente de bairros distantes vem ali comprar, resolver documento e pegar ônibus. Em qualquer cidade brasileira, esse é o tipo de lugar onde o furto de celular, de bolsa e de carteira se acumula, porque tem muita vítima possível por metro quadrado.
O que o dado local sugere é que esse fluxo continua a atrair crime, mesmo com o roubo em queda. Já o estelionato não precisa de bairro: o golpe chega ao celular da vítima no bairro onde ela mora. Isso ajuda a explicar por que o Centro continua líder, mas a nota da cidade como um todo depende cada vez menos de onde você está.
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O QUE OS DADOS NÃO DIZEM
O ranking mede registro, não risco por pessoa. O Centro lidera porque tem comércio e gente de passagem. Um bairro residencial com menos ocorrências pode ser, proporcionalmente, pior pra quem vive nele.
Esta análise não traz ranking de homicídios por bairro. Os dados abertos do Piauí registram homicídio e tentativa de homicídio sem separar um do outro, e publicar o número como "mortes" seria errado. Para ver letalidade em Teresina, a fonte mais segura é a estatística de mortes do Ministério da Saúde, que usa o atestado de óbito, mas não tem recorte por bairro.
Também é preciso cuidado com bairros pequenos. Noivos e Cabral têm taxa alta com poucas centenas de ocorrências, e uma ocorrência a mais muda a posição. O estelionato cresce nos boletins, mas parte do aumento pode vir de facilidade de registrar online. O que é sólido: o Centro concentra o crime de rua, o roubo caiu pela metade, e o golpe virou o crime que mais cresce.
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ENTÃO, ONDE PISAR?
Se você vai trabalhar ou fazer compras no Centro, o risco real é patrimonial: celular, carteira, bolsa. É alto em volume e evitável com atenção a horário e ao que fica à vista. Nos bairros residenciais, as taxas são parecidas entre si, e a escolha de onde morar pesa menos no risco do dia a dia do que em outras capitais.
O risco que mais cresce em Teresina não tem endereço. É o do golpe que chega pelo celular, e nenhum bairro protege dele. Confirmar quem está do outro lado, desconfiar de pressa e de preço bom demais e nunca passar código de verificação são hábitos que valem mais, hoje, do que trocar de rua.
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METODOLOGIA E FONTES
metodologia e limites
Fonte primária: SSP-PI (Secretaria da Segurança Pública do Piauí), microdados de boletins de ocorrência, com bairro e natureza de cada registro. População por bairro: Censo 2022 do IBGE (malha de bairros).
Janelas:
- Volume, taxa por bairro e ranking: abril/2025 a março/2026 (12 meses), a mesma base das páginas de bairro do Crime Brasil.
- Tendência: anos-calendário completos de 2022 a 2025, naturezas "roubo", "furto" e "estelionato".
Ocorrências: crimes contra o patrimônio e a pessoa considerados no cálculo da nota do endereço. Não inclui ameaça, injúria e outros crimes de menor potencial.
Taxas: ocorrências divididas pela população do bairro e multiplicadas por 100 mil. A mediana (3.457) é a dos 94 bairros do ranking.
Homicídio: não publicado por bairro nesta análise. A fonte do Piauí não distingue homicídio consumado de tentativa.




















