Belém, vizinha pequena de Palmeira dos Índios, tem taxa de homicídios mais de três vezes maior
Com menos de 5 mil moradores, Belém registra uma taxa de homicídios que supera em mais de três vezes a de Palmeira dos Índios, município vizinho e polo da região no agreste alagoano.
Os números mostram duas escalas muito diferentes lado a lado. Palmeira dos Índios tem quase 74 mil habitantes, enquanto Belém tem pouco mais de 4,8 mil, cerca de quinze vezes menos. Mesmo assim, a cidade menor aparece à frente nos dois indicadores. A taxa de homicídios de Belém chega a 41,5 por 100 mil habitantes, contra 12,2 em Palmeira dos Índios. A taxa geral de ocorrências segue a mesma direção: 83 por 100 mil em Belém e 56 na vizinha maior.
Pausa: e o seu endereço?
O tamanho da população pesa muito na leitura desses dados. Em um município com menos de 5 mil moradores, poucos casos bastam para elevar a taxa por 100 mil a patamares altos. Uma única morte a mais ou a menos em um ano muda o indicador de forma expressiva. Por isso, a taxa de Belém tende a oscilar mais de um período para outro do que a de Palmeira dos Índios, onde a base populacional amortece variações pontuais. O número não deixa de ser relevante, mas pede cautela antes de qualquer conclusão sobre tendência.
A distância entre as taxas de ocorrências é menor do que a dos homicídios. Belém registra cerca de 50% a mais de ocorrências por habitante, enquanto a taxa de mortes violentas é mais de três vezes superior. Essa diferença sugere que o problema na cidade menor não está apenas no volume de registros, mas na gravidade dos casos. A divisa entre os dois municípios também importa. Cidades pequenas costumam depender da estrutura policial e judicial do polo regional, e a circulação de pessoas entre os dois territórios é constante. Um crime registrado em um lado da divisa pode ter relação direta com dinâmicas do outro.
Palmeira dos Índios, com taxa de homicídios de 12,2 por 100 mil, apresenta um quadro mais contido do que o de muitas cidades médias do Nordeste. Belém, ao contrário, aparece em situação mais delicada, ainda que sujeita à volatilidade típica de municípios pequenos. A comparação entre vizinhas ajuda a mostrar que a violência no agreste não se distribui de forma uniforme, mesmo entre cidades que dividem a mesma fronteira. Acompanhar a série ao longo dos próximos anos será decisivo para saber se o índice de Belém reflete um padrão ou um pico.
📊 Fonte: SSP-AL (12 meses) · IBGE Censo 2022 — dados oficiais, compilados e cruzados pelo Crime Brasil.
Dados do período
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Ocorrências por 100 mil hab. — Palmeira dos Índios (12 meses) | 56 |
| Ocorrências por 100 mil hab. — Belém (12 meses) | 83 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Palmeira dos Índios (12 meses) | 12,2 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Belém (12 meses) | 41,5 |
| População — Palmeira dos Índios (Censo 2022) | 73.596 |
| População — Belém (Censo 2022) | 4.820 |
Fonte e metodologia
Dados oficiais das secretarias de segurança pública e demais fontes públicas, compilados e cruzados pelo Crime Brasil. Lista completa de fontes em /fontes; detalhamento da metodologia em /metodologia.




















