Arapiraca registra mais que o dobro da violência de Craíbas, vizinha de divisa
Separadas apenas por uma linha de divisa no Agreste alagoano, Arapiraca e Craíbas exibem indicadores de segurança pública que parecem pertencer a realidades bem distintas.
Arapiraca soma quase 244 mil habitantes e registra 284 ocorrências para cada 100 mil moradores. Em Craíbas, município com pouco mais de 26 mil pessoas, a taxa fica em 119. A diferença chega a quase duas vezes e meia. Como o cálculo leva em conta o tamanho da população, o contraste não se explica apenas pelo fato de uma cidade ser maior que a outra.
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Pedir relatórioNos homicídios, a distância se mantém praticamente na mesma proporção. Arapiraca contabiliza 19,3 assassinatos por 100 mil habitantes, enquanto Craíbas registra 7,7. São cerca de 2,5 vezes mais mortes violentas, proporcionalmente, do lado arapiraquense da divisa. O dado chama atenção porque o homicídio costuma ser o indicador menos sujeito a subnotificação, já que dificilmente uma morte deixa de entrar nas estatísticas oficiais.
A disparidade acompanha um padrão observado em várias regiões do país, em que o polo urbano concentra mais registros que os municípios vizinhos de menor porte. Arapiraca funciona como centro comercial e de serviços do Agreste, com circulação intensa de pessoas, mercadorias e dinheiro, fatores frequentemente associados a mais oportunidades para crimes patrimoniais e conflitos. Craíbas, com população cerca de nove vezes menor, tem dinâmica mais próxima à de uma cidade do interior, com menos fluxo e laços comunitários mais estreitos. A taxa de ocorrências também depende da disposição da população em procurar a polícia e da presença de delegacias, o que pode ampliar os registros na cidade maior. Nos homicídios, porém, esse efeito tende a pesar pouco, e a diferença permanece expressiva.
Para quem vive na região, os números mostram que a fronteira entre os dois municípios separa contextos de risco bastante diferentes, embora o cotidiano de trabalho, comércio e deslocamento una as duas populações. A comparação reforça que políticas de segurança no Agreste alagoano precisam olhar para a escala regional, sem tratar cada cidade como ilha. O desafio de Arapiraca é reduzir uma taxa de homicídios que ainda supera com folga a da vizinha imediata.
📊 Fonte: SSP-AL (12 meses) · IBGE Censo 2022 — dados oficiais, compilados e cruzados pelo Crime Brasil.
Dados do período
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Ocorrências por 100 mil hab. — Arapiraca (12 meses) | 284 |
| Ocorrências por 100 mil hab. — Craíbas (12 meses) | 119 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Arapiraca (12 meses) | 19,3 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Craíbas (12 meses) | 7,7 |
| População — Arapiraca (Censo 2022) | 243.661 |
| População — Craíbas (Censo 2022) | 26.115 |
Fonte e metodologia
Dados oficiais das secretarias de segurança pública e demais fontes públicas, compilados e cruzados pelo Crime Brasil. Lista completa de fontes em /fontes; detalhamento da metodologia em /metodologia.




















