
Maceió tem quase 1 milhão de habitantes e uma das histórias de segurança pública mais dramáticas do país: já foi a capital mais violenta do Brasil no início da década de 2010, quando Alagoas registrava mais de 2 mil homicídios por ano. De lá para cá, a queda é contínua — mas profundamente desigual no mapa.
Os dados da SSP-AL com identificação de bairro permitem responder com precisão a pergunta que todo morador (e todo visitante) faz: onde, exatamente, Maceió ainda é perigosa?
O ranking: os bairros com mais homicídios em Maceió
A contagem abaixo soma os homicídios registrados de 2023 a 2025 — três anos completos, para suavizar oscilações de ano único.
Juntos, os seis primeiros somam 602 dos 1.097 homicídios do período — 54,9% das mortes da cidade num grupo que representa uma fração pequena dos seus mais de 50 bairros.
A geografia é nítida: Benedito Bentes, Cidade Universitária, Clima Bom e Tabuleiro do Martins formam o arco da parte alta, a periferia que cresceu sem urbanização completa ao longo das últimas décadas. Jacintinho e Vergel do Lago são os grotões mais próximos do centro — território de ocupação densa espremido entre a lagoa e os tabuleiros.
Benedito Bentes: o líder de todos os anos
150 homicídios em três anos — nenhum bairro mata mais
O Benedito Bentes é quase uma cidade dentro da cidade — o bairro mais populoso da capital, nascido de um grande conjunto habitacional dos anos 1980 que nunca parou de se expandir. Volume populacional explica parte da liderança; a disputa territorial entre facções pelo varejo de drogas explica o resto.
A boa notícia está na curva: depois do pico de 64 mortes em 2023, o bairro recuou para a faixa de 42–44 nos dois anos seguintes — ainda o pior da cidade, mas um terço abaixo do auge.
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Clima Bom e Jacintinho: as duas curvas opostas
Nenhum par de bairros resume melhor a dinâmica recente de Maceió.
O Clima Bom viveu a pior virada da cidade: de 13 homicídios em 2022 para 40 em 2023 — o triplo, de um ano para o outro — e estacionou no novo patamar (34 em 2024, 31 em 2025). O padrão é típico de realinhamento de facção: quando um território muda de dono, a régua de violência sobe e demora a descer.
O Jacintinho, que em 2022 era o caso mais preocupante (53 mortes), fez o caminho contrário: 36, 29, 27. Metade do pico em três anos — a melhora mais consistente entre os grandes bairros.
E a orla? Onde o homicídio é raro
A pergunta de quem visita: Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca aparecem no fim da distribuição, com poucas unidades por ano — frequentemente zero em meses seguidos. No recorte 2023–2025, nenhum bairro da orla turística entra nem perto do top 10.
Isso não significa orla sem crime — furto e golpe existem onde há turista e celular à mostra. Significa que a violência letal de Maceió tem endereço, e esse endereço não é a praia.
Dados completos de Maceió
Explore as ocorrências por bairro, tipo e período na página da cidade.
A cidade inteira está melhorando — mas de longe ainda assusta
O pano de fundo do ranking é positivo: Maceió mata cada vez menos.
De 582 homicídios em 2017 para 343 em 2025: queda de 41%. Alagoas como um todo saiu de mais de 2 mil mortes anuais (2012–2014) para 903 em 2025 — uma das maiores reduções do país, que o Crime Brasil já analisou em detalhe na série de 14 anos de mortes violentas em Alagoas.
O porém: a taxa de Maceió em 2025 — 34,5 homicídios por 100 mil habitantes — ainda é mais que o dobro da do Rio de Janeiro capital (14,3) e quatro vezes a de Niterói. A capital alagoana melhora rápido, mas parte de um patamar que era de guerra.
Perguntas frequentes sobre os bairros de Maceió
Qual é o bairro mais perigoso de Maceió? Em homicídios absolutos, o Benedito Bentes: 150 mortes entre 2023 e 2025, liderando o ranking em todos os anos. Cidade Universitária (124) e Clima Bom (105) vêm em seguida.
Quais bairros de Maceió são seguros? A orla turística — Pajuçara, Ponta Verde, Jatiúca — registra homicídios apenas esporadicamente e fica fora de qualquer top 10 de violência letal. O risco lá é patrimonial (furto, golpe), não de vida.
A violência em Maceió está aumentando ou diminuindo? Diminuindo há quase uma década: de 582 homicídios (2017) para 343 (2025). Mas a queda é desigual — o Clima Bom, por exemplo, triplicou de patamar em 2023 e segue alto.
Maceió é mais violenta que outras capitais? A taxa de 34,5 homicídios por 100 mil (2025) ainda é alta: mais que o dobro do Rio capital (14,3). Mas já foi quase o dobro disso — Maceió liderou rankings nacionais no início dos anos 2010.
O mapa final
A violência letal de Maceió é territorial, concentrada e cada vez menor — três características que raramente aparecem juntas no debate público. Seis bairros da parte alta e dos grotões respondem pela maioria das mortes; a orla vive outra estatística; e a cidade inteira mata 41% menos que em 2017.
Quem quer entender (ou evitar) a violência de Maceió não precisa de um mapa da cidade. Precisa de um mapa de seis bairros — e da consciência de que, mesmo melhorando, a capital alagoana ainda tem o dobro da letalidade de capitais do Sudeste.
metodologia e limites
Dados de homicídios de Maceió extraídos do banco Crime Brasil (fonte primária: SSP-AL — Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, registros de CVLI com identificação de bairro, processados em app.crimes). Ranking por contagem absoluta de homicídios registrados entre 2023 e 2025 (total da cidade no período: 1.097). Séries anuais por bairro 2019–2025. Não publicamos taxas por 100 mil habitantes por bairro porque não há população oficial por bairro na mesma base de referência; a taxa municipal de 2025 (34,5/100k) usa a população das páginas de cidade do Crime Brasil (994.952). Os números refletem o bairro do registro da ocorrência. Dados de 2026 são parciais (até fevereiro) e não foram usados.