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O crime que espera o turista no Rio não é o assalto

Por Valdo Stonehart·Metodologia

Verificado em 27 de agosto de 2026

Em Paraty houve 7 roubos de rua em 2025 — e 258 estelionatos. Em Petrópolis, 70 roubos e 2.636 golpes. Nos destinos turísticos do Rio, a fraude é dezenas de vezes mais frequente que o crime que assusta o visitante. Dados do ISP/RJ.

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Destaques
Paraty, ano inteiro
7 roubos
Sete roubos de rua em 2025, numa cidade que recebe centenas de milhares de visitantes por ano.
Casario colonial do centro histórico de Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro.
Foto: Marinelson Almeida / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A pergunta chega ao buscador com uma ansiedade específica: Angra dos Reis é perigosa? É perigoso ir para Petrópolis? Paraty é perigosa? Quem digita isso está quase sempre planejando a viagem e imaginando uma cena — o assalto na rua, o relógio, o celular, a arma.

Os dados do ISP/RJ para 2025 descrevem uma cidade diferente da que está nessa cena. Em Paraty houve sete roubos de rua no ano inteiro. Não sete por mês: sete em doze meses, numa cidade que recebe centenas de milhares de visitantes. Em Arraial do Cabo foram cinco. Em Angra dos Reis, vinte e quatro.

E no mesmo ano, na mesma Paraty, foram registrados 258 estelionatos.

Esse é o fio deste texto: o turista se prepara para o crime de rua e desembarca num lugar onde o crime dominante é a fraude. A diferença não é de grau, é de natureza — e ela muda completamente o que significa "se cuidar" numa viagem.

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01

A PROPORÇÃO QUE NINGUÉM ESPERA

1.Em todo destino turístico fluminense, o estelionato supera o roubo de rua — e por muito.

Petrópolis teve 70 roubos de rua e 2.636 estelionatos em 2025: 38 golpes para cada assalto. Teresópolis, 21 roubos e 1.473 golpes — proporção de 70 para 1. Cabo Frio, o destino com mais roubo de rua da lista (192), ainda registrou treze vezes mais estelionatos (2.492). Não há uma única cidade turística do Rio em que o padrão se inverta.

Vale uma distinção que organiza a leitura inteira. O crime de presença física — o roubo, o furto de bolsa, o assalto — precisa que vítima e autor estejam no mesmo lugar, na mesma hora. Ele se resolve, em boa parte, com onde você anda e quando. O crime à distância — o estelionato, o golpe do falso aluguel de temporada, o falso boleto de pousada, a maquininha adulterada — não precisa disso. Ele te alcança meses antes da viagem, no celular, ou no momento do pagamento.

Nos destinos turísticos fluminenses, a segunda categoria domina de forma esmagadora. E ela é justamente a que nenhuma recomendação de viagem tradicional — não use joia, não ande sozinho à noite — protege.

02

A VIOLÊNCIA LETAL É BAIXA — MAS DESIGUAL

Se o assalto é raro, e a morte?

2.Petrópolis tem taxa de morte violenta de 7,1 por 100 mil. Búzios, cinco vezes mais.

Em taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes, Petrópolis (7,1) e Maricá (7,5) ficam bem abaixo da média brasileira. Teresópolis (13,0), Rio das Ostras (12,5) e Angra dos Reis (17,3) ficam no meio. No topo estão as cidades pequenas da Região dos Lagos e da Costa Verde: Búzios (35,3), Paraty (29,4) e Cabo Frio (26,9). A distância entre a ponta segura e a ponta violenta é de cinco vezes.

Aqui é preciso muito cuidado com a leitura, e a mesma ressalva vale para os três primeiros colocados. Búzios tem 42 mil moradores e registrou 15 mortes violentas em 2025; Paraty, 47 mil moradores e 14 mortes. Em cidades desse porte, meia dúzia de casos a mais ou a menos move a taxa em dez pontos. Além disso, essas mortes acontecem numa cidade que também recebe multidões que não entram na conta da população — o mesmo problema de denominador que distorce qualquer estatística de lugar turístico.

O que dá para afirmar com segurança é o contraste entre categorias, que independe do denominador: em Paraty, catorze mortes e sete roubos de rua no mesmo ano. A violência que existe ali não é a violência que aborda o visitante na rua.

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03

POR QUE O GOLPE ENCONTRA O TURISTA

A predominância da fraude não é uma peculiaridade das cidades turísticas — o estelionato virou o crime que mais cresce em quase todo o Brasil, empurrado pela digitalização dos pagamentos e pelo Pix. Mas há uma razão para a proporção ser tão extrema justamente nos destinos de viagem.

Turismo é uma atividade que se compra antecipadamente, à distância, de alguém que você nunca viu. A hospedagem se reserva por anúncio; o pagamento sai por transferência; a pressa da alta temporada corrói a checagem. É um ambiente feito sob medida para o golpe do aluguel que não existe e para a pousada que não é aquela.

E há um efeito de contagem que reforça o desenho: quando a fraude acontece com um visitante, o boletim quase sempre é registrado — há dinheiro documentado, há transferência, há necessidade de comprovar para o banco ou o cartão. Já o furto de celular na praia, com o turista de passagem, muitas vezes não vira registro nenhum. Parte da proporção que aparece nos números pode ser isso: não só mais fraude acontecendo, mas mais fraude sendo contada.

Este parágrafo é leitura, não medição. O dado mostra a proporção; o mecanismo é hipótese.

04

O QUE OS DADOS NÃO DIZEM

A vítima não tem etiqueta. O ISP registra o crime, não se a vítima é moradora ou visitante. Nenhum número deste texto diz quantos daqueles 258 estelionatos de Paraty atingiram turistas — pode ser a maioria, pode ser a minoria. O que os dados sustentam é o perfil de crime da cidade; a atribuição ao visitante é inferência.

Cidade pequena tem número instável. Búzios, Paraty e Arraial do Cabo têm menos de 50 mil habitantes cada. As taxas altas dessas três precisam ser lidas como indicação, não como sentença, e conferidas ano a ano antes de virar conclusão sobre a cidade.

Subnotificação assimétrica. Como está dito acima, é plausível que a fraude seja mais registrada que o furto de rua. Isso não invalida a comparação — a diferença de 37 para 1 em Paraty é grande demais para ser só efeito de registro —, mas recomenda tratar as proporções exatas com folga.

O que é sólido: as contagens do ISP para o ano de 2025 fechado, a comparação entre rubricas dentro da mesma cidade e o desenho que se repete em todos os nove municípios analisados.

05

O QUE FAZER COM ISSO ANTES DE VIAJAR

A conclusão prática é quase o oposto do conselho de viagem padrão.

O cuidado que rende no destino turístico fluminense não é o de não usar relógio na rua — é o de confirmar que a pousada existe antes de transferir o sinal, desconfiar do anúncio de temporada com preço fora da curva e checar a maquininha antes de aproximar o cartão. O crime que tem chance real de estragar a viagem acontece semanas antes dela, no celular, e não na calçada.

Isso não significa que os destinos sejam uniformemente seguros. Búzios, Paraty e Cabo Frio têm taxas de morte violenta que nenhum destino europeu comparável tem, e essa violência é real — ela apenas circula por vias que raramente cruzam com a do visitante. Petrópolis, no outro extremo, tem uma taxa que colocaria a cidade entre as mais seguras do Brasil.

A pergunta "é perigoso ir para lá?" não tem uma resposta única porque embute duas perguntas diferentes. Para a segunda — o risco de ser vítima de crime patrimonial na viagem — o Rio turístico responde de forma consistente: o risco existe, é alto, e ele chega pelo telefone.

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Citado por Gazeta do Povo, O Eco, Tribuna do Planalto

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Como citar esta página

CRIME BRASIL. O crime que espera o turista no Rio não é o assalto. Disponível em: <https://crimebrasil.com.br/analises/turismo-rj-golpe-nao-assalto>. Acesso em: 11 out. 2026.

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Vinícius Mendes
Repórter · Olhar Direto (Cuiabá · MT)

Repórter da editoria de Reportagem do Olhar Direto, portal de notícias de Cuiabá (MT), com cobertura de segurança pública e casos policiais no estado. Usou o dado do Crime Brasil para reportar a queda de roubos e a alta de estelionatos em Mato Grosso.

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Jair GonçalvesDepoimento
Jair Gonçalves
Fundador · Portal Atibaia News

Fundador do Portal Atibaia News, veículo de notícias de Atibaia (interior de São Paulo). Publicou com o dado do Crime Brasil o ranking de ocorrências por bairro da cidade.

“Parabéns à Crime Brasil pelo excelente trabalho de jornalismo de dados! As informações disponibilizadas possibilitaram ao Portal Atibaia News produzir uma importante matéria sobre os números de ocorrências policiais por bairro em Atibaia, levando informação e transparência aos nossos leitores. Muito obrigado.”
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Douglas, médico veterinário, comanda com a família o canal Mundo de Cores, sobre vida no campo, no Rio Grande do Sul.

“Só Compre uma Chácara Após Assistir Esse Vídeo!”

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“Gratidão pelas informações. Essa é uma excelente ferramenta para uma decisão segura.”

— @marceloguilemond1632

“Verdade, pode ajudar muito mesmo!”

— Mundo de Cores (canal)

“Muito Bom!”

— @edmundosantos3812
Gazeta do Povo
Artigo de opinião
Gazeta do Povo
Artigo assinado · Paraná

Artigo de opinião do editor do Crime Brasil: a queda de homicídios no Paraná esconde a alta em mortes no trânsito, suicídios e feminicídios — com o dado da plataforma.

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O Eco
Reportagem
O Eco
Reportagem · Amazônia

Reportagem sobre violência fundiária e baixa punição de crimes ambientais na Amazônia, cruzando dados do Crime Brasil com CPT, Ibama, CNJ e MapBiomas.

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Tribuna do Planalto
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Tribuna do Planalto
Goiânia · edição impressa

Matéria de capa cruzando a queda de homicídios em Goiás com a alta no entorno do Distrito Federal, a partir do dado da plataforma.

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São Paulo · capital

Levantamento exclusivo do mapa da criminalidade na capital paulista — Moema com muito mais infrações que o Grajaú — com o dado do Crime Brasil.

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IHU · Unisinos
Fonte acadêmica
IHU · Unisinos
Instituto Humanitas Unisinos

Entrevista do Instituto Humanitas Unisinos que cita a plataforma como fonte de microdado criminal aberto.

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IBCCRIM · JCC
Revisado por pares
IBCCRIM · JCC
Jornal de Ciências Criminais

Artigo no Jornal de Ciências Criminais sobre os limites do acesso a microdados criminais no Brasil, citando o Crime Brasil.

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Wikipédia
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