
"Volta Redonda é perigosa?" A cidade do aço, sede da CSN no Sul Fluminense, mudou de cara na última década — e os dados do ISP mostram exatamente como. A violência que assusta na rua, o assalto e o homicídio, recuou bastante. No lugar dela, cresceu um crime mais silencioso: o golpe.
É a mesma transição que se vê em várias cidades do interior fluminense. Mas em Volta Redonda ela é especialmente nítida.
01
HOMICÍDIO — A QUEDA DE 47%
1.A violência letal recuou quase pela metade.
Volta Redonda saiu de 89 homicídios dolosos em 2019 para 47 em 2025 — uma queda de 47%. O ponto mais baixo foi 2024, com apenas 36 mortes; em 2025 houve uma leve alta. A taxa de 16,8 por 100 mil fica acima da capital (14,3), mas é a tendência que importa: a cidade mata bem menos do que matava.
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Comparada à vizinhança, a posição de Volta Redonda é intermediária — e o contraste com a cidade-irmã chama atenção. Barra Mansa, conurbada e quase do mesmo tamanho, teve taxa de 34,7 por 100 mil em 2025: o dobro da de Volta Redonda.
Volta Redonda está no meio do pelotão regional — perto de Resende e Barra do Piraí, abaixo de Angra dos Reis e bem abaixo de Barra Mansa. Para uma cidade desse porte no Rio, não é uma taxa fora da curva.
02
O ASSALTO QUE QUASE SUMIU
Se há um número que resume a melhora na violência de rua, é o do roubo.
2.O roubo de rua caiu 87% em seis anos.
Os roubos de rua passaram de 417 em 2019 para 55 em 2025 — uma queda de 87%. O roubo a transeunte seguiu o mesmo caminho (de 269 para 34), e o roubo de veículo despencou de 59 para 19. O assalto, que era o medo cotidiano, virou exceção em Volta Redonda.
É uma queda grande e consistente, não um soluço de um ano só. A combinação de homicídio em baixa e roubo de rua quase zerado desenha uma cidade onde a violência clássica — a do confronto, do assalto — recuou de verdade.
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03
O GOLPE QUE EXPLODIU
Aí vem a outra face. Enquanto o assalto sumia, um crime crescia na direção oposta — e hoje é o mais registrado da cidade.
3.O estelionato quintuplicou — e virou o crime nº 1.
O estelionato saltou de 612 casos em 2019 para 2.995 em 2025 — quase cinco vezes mais. Hoje é o crime mais registrado de Volta Redonda, à frente de furtos, ameaças e lesões. É o retrato da virada nacional: o crime saiu da rua e foi para a tela do celular — golpes do Pix, falsas centrais, compras fantasmas.
Por isso o total de ocorrências da cidade subiu nos últimos anos — não porque Volta Redonda ficou mais violenta, mas porque a fraude entrou na conta. O dado mistura duas histórias opostas: a da rua, que melhorou muito, e a do golpe, que piorou na mesma proporção.
4.Duas cidades no mesmo número.
Olhar só o total de registros engana. A Volta Redonda da violência de rua — homicídio, assalto — é hoje bem mais segura que a de 2019. A Volta Redonda do golpe digital é o oposto: nunca se registrou tanto estelionato. Quem mora ali corre menos risco de ser assaltado e mais risco de ser enganado por uma mensagem.
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04
METODOLOGIA E LIMITES DO DADO
metodologia e limites
Fonte primária: ISP/RJ (Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro), série municipal mensal por título de delito. Tabela app.crimes_staging no banco analytics do Crime Brasil.
Janela: anos-calendário completos de 2019 a 2025. Dados de 2026 são parciais e não entram nas taxas anuais.
Taxa de homicídio: número de homicídios dolosos no ano dividido pela população e multiplicado por 100 mil. População da estimativa IBGE 2024 — a mesma exibida nas páginas de cidade do Crime Brasil (Volta Redonda: 279.971 hab.; Rio de Janeiro: 6.730.729 hab.).
Comparação da região: as taxas dos vizinhos usam o mesmo ano (2025) e a mesma fonte. Homicídios dolosos em 2025: Barra Mansa 63, Angra dos Reis 31, Volta Redonda 47, Resende 23, Barra do Piraí 16. Itatiaia teve 18 homicídios sobre uma população pequena (33 mil), o que produz uma taxa muito alta e instável — por isso ficou de fora do gráfico, que prioriza cidades de porte comparável.
Categorias do ISP: "roubo de rua" agrega os títulos de roubo a transeunte, em coletivo e de aparelho celular, no padrão do ISP. "Estelionato" e "homicídio doloso" seguem a classificação oficial do instituto.
Limitações: o dado é por município, não por bairro — o ISP não publica recorte de bairro para o interior. O crescimento do estelionato reflete tanto o aumento real dos golpes quanto a maior facilidade de registrar a ocorrência online, o que pode elevar a notificação.
Perguntas frequentes
Afinal, Volta Redonda é perigosa? Na violência de rua, cada vez menos: o homicídio caiu 47% desde 2019 e o roubo de rua despencou 87%. A taxa de homicídio (16,8 por 100 mil) fica acima da capital, mas é intermediária para o Sul Fluminense e metade da de Barra Mansa. O risco que mais cresceu não é o assalto — é o golpe: o estelionato quintuplicou e hoje é o crime mais comum.
Volta Redonda é mais perigosa que Barra Mansa? Não, em homicídio por habitante. Volta Redonda teve taxa de 16,8 por 100 mil em 2025 contra 34,7 de Barra Mansa — a cidade vizinha, conurbada, é o dobro mais letal.
Por que o número total de crimes subiu? Por causa do estelionato e de outras fraudes, não da violência. O assalto e o homicídio caíram; o golpe digital cresceu e puxou o total para cima. São tendências opostas dentro do mesmo dado.
Esses dados são oficiais? Sim. Vêm do ISP/RJ, o órgão oficial de estatística de segurança do estado. O Crime Brasil ingere a série municipal e expõe os números aqui sem alteração.
Última atualização: 23/06/2026. Próxima atualização prevista após a divulgação dos dados mensais seguintes pelo ISP/RJ.