
Angra dos Reis vive de imagem: 365 ilhas, mar verde, costa de cartão-postal. A pergunta "Angra é perigosa?" aparece em todo planejamento de viagem — e a resposta dos dados do ISP é mais interessante que um sim ou não.
Angra teve, na última meia década, uma das transformações criminais mais drásticas do estado do Rio. Só que em duas direções opostas ao mesmo tempo.
O crime de rua desabou em Angra
Comece pelo que melhorou — e melhorou de forma quase inacreditável.
Em 2019, Angra registrava um roubo de veículo a cada dois dias. Em 2025 inteiro, foram 2 casos. Roubo de rua: de 240 para 24 — um a cada quinze dias, numa cidade de 179 mil habitantes que ainda recebe milhões de turistas no ano.
A tentativa de homicídio acompanhou: de 188 (2019) para 21 (2025). O crime violento de oportunidade — o assalto, a abordagem armada — saiu de cena.
Então Angra ficou segura?
Aqui entra a segunda direção. Enquanto o assalto sumia, o boletim de ocorrência mudou de assunto:
O estelionato saiu de 162 casos em 2019 para 1.221 em 2025 — multiplicou por 7,5 em seis anos, o crescimento proporcional mais agressivo que o Crime Brasil já mediu numa cidade média do RJ. E ameaça (495 → 853) e lesão corporal dolosa também subiram — sinal de que a violência que resta é cada vez mais a doméstica e a interpessoal, não a do crime organizado de rua.
Resultado: o total de ocorrências de 2025 (4.993) é o maior da série — ao mesmo tempo em que a cidade nunca teve tão pouco assalto. O crime não sumiu; trocou de natureza.
O paradoxo de Angra: recorde de ocorrências, mínima de assaltos
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Qual é a taxa de homicídio de Angra dos Reis?
A violência letal é onde Angra ainda deve. Em 2025, foram 31 homicídios dolosos — taxa de 17,3 por 100 mil habitantes.
A leitura honesta da série pede cuidado: os homicídios caíram de 89 (2019) para 31 (2025) — queda de 65%. Mas 2024 registrou um vale atípico de 17 mortes, então a comparação ano-a-ano (17 → 31) parece uma explosão quando é, em boa parte, oscilação de números pequenos em torno de uma tendência de queda. O patamar real de Angra hoje é de 30-40 mortes/ano — um terço do que era em 2019, porém ainda acima da média estadual (16,5) e da capital (14,3) em termos proporcionais.
A explicação é conhecida na Costa Verde: disputas de facção em territórios específicos do continente. A violência letal de Angra é concentrada — não é o turista na Ilha Grande quem entra nessa estatística.
Dados completos de Angra dos Reis
Veja todas as ocorrências por tipo e período, e compare com outras cidades do estado.
Angra dos Reis é segura para turistas?
Os números de 2025 dizem que o risco clássico do turista — assalto, roubo de carro, arrastão — está no menor nível já registrado: 24 roubos de rua e 2 roubos de veículo no ano inteiro. Proporcionalmente, é menos roubo que em praticamente qualquer cidade turística de porte similar no Sudeste.
O risco que cresceu pega o visitante antes mesmo da viagem: golpe de reserva falsa, pousada inexistente, link de pagamento adulterado. O estelionato é hoje o crime dominante da cidade — e boa parte das vítimas nem estava em Angra quando ele aconteceu.
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Perguntas frequentes sobre segurança em Angra dos Reis
Angra dos Reis é perigosa para turistas? O crime que atinge turista despencou: roubo de rua caiu 90% desde 2019 (240 → 24 casos/ano) e roubo de veículo quase zerou (174 → 2). O maior risco atual é o golpe digital em reservas e pagamentos — que acontece antes da viagem.
Qual é a taxa de homicídio de Angra dos Reis? Em 2025: 31 homicídios dolosos para 179.142 habitantes — taxa de 17,3 por 100 mil. É 65% menos que em 2019, mas ainda acima da capital (14,3) e da média estadual (16,5). A violência letal é concentrada em territórios de disputa de facção no continente.
Qual é o crime mais comum em Angra dos Reis? Estelionato: 1.221 casos em 2025, 7,5 vezes mais que em 2019. Em seguida vêm ameaça (853) e lesão corporal dolosa (816).
A criminalidade em Angra está subindo? O total de registros subiu (4.993 em 2025, recorde da série), mas puxado por estelionato e ameaça. Assalto, roubo de veículo e tentativa de homicídio estão nas mínimas históricas.
A resposta final: Angra dos Reis é perigosa?
Para quem visita, Angra é hoje uma das cidades com menos crime de rua do estado — os dados de roubo são de outra década, no bom sentido. Para quem mora, o risco real se dividiu em dois: o golpe no celular, que explodiu, e uma violência letal de facção que, embora 65% menor que em 2019, ainda mantém a cidade acima da média fluminense.
O cartão-postal não mente. Mas a estatística completa é mais interessante que ele.
metodologia e limites
Dados de ocorrências criminais de Angra dos Reis extraídos do banco Crime Brasil (fonte primária: ISP/RJ — Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro). Série histórica 2019–2025, processada mensalmente em app.crimes_staging. Taxa por 100 mil habitantes calculada sobre a população usada pelas páginas de cidade do Crime Brasil (Angra dos Reis = 179.142; Rio de Janeiro = 6.730.729). Taxas de comparação conforme análises anteriores do Crime Brasil com a mesma metodologia. O vale de homicídios de 2024 (17 casos) é tratado como oscilação atípica de base pequena. Dados de 2026 são parciais e não foram usados.