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Os bairros mais perigosos de Aracaju (2025-26)

Por Valdo Stonehart·Metodologia

Verificado em 26 de outubro de 2026

Centro e Atalaia concentram 1 em cada 5 registros de Aracaju, mas o Santa Maria lidera os homicídios. Roubo caiu 55% e homicídio 47% desde 2022. Dados SSP-SE.

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Destaques
Orla e Centro lideram
1 em 5
Centro (1.665) e Atalaia (1.477) somam 20% das 15,9 mil ocorrências de Aracaju em 12 meses.
Orla da Atalaia, em Aracaju (SE), com a roda-gigante e o mar ao fundo.
Foto: Codevasf / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Aracaju vende o sol e a orla. O calçadão da Atalaia, a praia larga, o forró. Quem pesquisa "bairros mais perigosos de Aracaju" costuma estar justamente nessa hora: vai alugar uma casa de temporada, mudar de emprego, abrir um bar perto do mar.

A resposta curta dos boletins é Centro e Atalaia, o par que mais aparece nos registros. De abril de 2025 a março de 2026, foram 3.142 ocorrências nos dois bairros juntos, um quinto do total da cidade. Só que essa resposta engana. Se a pergunta for onde as pessoas morrem de forma violenta, os dois somem da lista de cima e um bairro de periferia assume o topo: o Santa Maria.

Esse é o fio desta análise. Aracaju é uma cidade que melhorou muito em poucos anos, e é por isso que o que sobrou fica tão visível. O furto e o roubo seguem o turista. A morte segue a distância. Entender qual dos dois riscos pesa para você muda a resposta.

01

O MAPA DO MOVIMENTO: CENTRO E ORLA

Some tudo o que a Polícia Civil registrou em Aracaju e o topo da lista é quase um roteiro de turista e comerciante. Centro, Atalaia, Santa Maria, Santos Dumont, Coroa do Meio.

1.Dois bairros somam um quinto de todo o crime registrado na cidade.

Foram 1.665 ocorrências no Centro e 1.477 na Atalaia, 20% das 15,9 mil de Aracaju. Nenhum outro bairro passa de mil. Os dois têm uma coisa em comum: pouca gente morando e muita gente passando. O Centro tem 7 mil moradores e a Atalaia, 14 mil, num município de mais de 600 mil habitantes.

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O Centro concentra comércio popular, bancos e ponto de ônibus. A Atalaia concentra bares, hotéis e a orla, onde o carro fica parado na rua e o celular fica na mesa. É furto de oportunidade, o crime que persegue o fluxo. O Santa Maria aparece em terceiro por outro motivo: é um dos bairros mais populosos da cidade, com 36 mil moradores. Mais gente, mais registros.

02

POR MORADOR, CENTRO E ATALAIA DISPARAM

Quando se divide pelo número de moradores, os dois primeiros lugares ficam mais distantes ainda. O Centro chega a 23.871 ocorrências por 100 mil habitantes. A Atalaia, a 10.392. A mediana dos 35 bairros de Aracaju é 2.722. Isso é 9 vezes a mediana no Centro e quase 4 vezes na Atalaia.

2.A taxa altíssima desses bairros diz mais sobre quem passa do que sobre quem mora.

O boletim conta o crime onde ele aconteceu, não onde a vítima mora. Um turista roubado na orla soma na Atalaia, bairro de 14 mil moradores. É por isso que a taxa lá parece de zona de guerra, quando na prática é de zona de passagem. O mesmo vale para o Centro, com 7 mil moradores.

Fora a dupla do topo, as taxas dos demais bairros ficam numa faixa estreita, entre 3,5 mil e 5,3 mil. Aracaju tem poucos bairros claramente piores que os outros em crime patrimonial. A diferença grande aparece em outro lugar.

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03

O MAPA DA MORTE: SANTA MARIA

Nos mesmos 12 meses, Aracaju registrou 97 homicídios dolosos. O Santa Maria teve 20. Dez foram registrados em uma região chamada Zona de Expansão, que fica fora do ranking de bairros. Em seguida, Santos Dumont, com 8.

3.Um bairro de 36 mil moradores respondeu por 1 em cada 5 homicídios da cidade.

São 55 mortes por 100 mil moradores no Santa Maria. A taxa de Aracaju como um todo é de 15. O Centro, que lidera o ranking de ocorrências, teve 3 homicídios. A Atalaia, nenhum. O contraste entre os dois mapas é quase total: onde há mais registro, há menos morte.

Os números por bairro são pequenos, mas o padrão se repete. Santa Maria, Zona de Expansão, Santos Dumont, Cidade Nova, Industrial e Dezessete de Março têm um traço em comum: são bairros residenciais, sem o fluxo de turista da orla. É onde a morte se concentra.

04

A CIDADE QUE MAIS MUDOU EM TRÊS ANOS

Aracaju registrou 196 homicídios dolosos em 2022, 118 em 2023, 115 em 2024 e 103 em 2025. É uma queda de 47%. O roubo caiu ainda mais: de 4.951 para 2.235 registros, 55% a menos.

A maior parte da queda veio em 2023. De lá para cá o ritmo desacelerou: 118, 115, 103. Ainda cai, mas menos. E quando o número cai tanto num período curto, o que sobra tende a ser o núcleo mais difícil de reduzir. É exatamente o que o mapa de homicídios mostra: um bairro com 20 mortes num ano que fechou com 97 na cidade toda.

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05

POR QUE A VIOLÊNCIA SE DIVIDE ASSIM

O boletim registra o que aconteceu e onde, não o porquê. O que segue é interpretação.

Aracaju é uma cidade de orla. O dinheiro, o turismo e o comércio ficam voltados para o leste, para o mar. O crime patrimonial acompanha esse fluxo: onde há turista, carro estacionado e bar cheio, há furto. A morte se concentra em bairros residenciais, fora desse circuito. O desenho se repete em várias capitais do Nordeste e do país.

Sergipe também mudou de patamar em poucos anos. A queda de 47% nos homicídios de Aracaju entre 2022 e 2025 é expressiva, e costuma ser associada a uma combinação de fatores locais, mas os dados abertos não permitem separar o peso de cada um. Vale a cautela: aqui se mede a queda, não a causa.

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06

O QUE OS DADOS NÃO DIZEM

O ranking mede registro, não risco por pessoa. O Centro lidera em volume e em taxa porque por ali passa uma multidão que não mora lá. Isso exagera o risco aparente de morar no Centro e subestima o de morar em bairros com pouco registro, mas muita violência de casa e de rua que nunca vira boletim.

Os números de homicídio por bairro são pequenos. Cinco mortes a mais ou a menos no Santa Maria mudariam a taxa, mas não a posição: o bairro segue na frente com folga. Já a ordem entre Cidade Nova, Industrial e Dezessete de Março pode mudar de um ano para o outro.

Dez homicídios ficaram na "Zona de Expansão", uma região sem população medida no Censo, e por isso fora das taxas. E o boletim registra ocorrência, não vítima. O que é sólido: o Centro e a Atalaia concentram o crime patrimonial, o Santa Maria concentra a morte, e a cidade ficou muito mais segura desde 2022.

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07

ENTÃO, ONDE PISAR?

Se você vai morar, trabalhar ou se hospedar na Atalaia ou no Centro, o risco real é patrimonial: celular, carro, bolsa. É alto em volume e evitável com atenção a horário e ao que fica à vista. Pelos dados, raramente é risco de vida.

A violência que mata em Aracaju mora fora do cartão-postal, e tem endereço claro: o Santa Maria. Não se resolve com mais policiamento na orla. Pede presença permanente e investigação onde a morte se repete. Aracaju mostrou que consegue cortar a violência pela metade em três anos. O próximo passo é chegar ao bairro que ficou para trás.

08

METODOLOGIA E FONTES

metodologia e limites

Fonte primária: SSP-SE (Secretaria da Segurança Pública de Sergipe), microdados de boletins de ocorrência, com bairro e natureza de cada registro. População por bairro: Censo 2022 do IBGE (malha de bairros).

Janelas:

  • Volume, taxa por bairro e ranking: abril/2025 a março/2026 (12 meses), a mesma base das páginas de bairro do Crime Brasil.
  • Homicídios por bairro: mesmos 12 meses, natureza "homicídio doloso" (97 registros em Aracaju).
  • Tendência: anos-calendário completos de 2022 a 2025. Roubo: natureza "roubo".

Ocorrências: crimes contra o patrimônio e a pessoa considerados no cálculo da nota do endereço. Não inclui ameaça, injúria e outros crimes de menor potencial.

Taxas: ocorrências divididas pela população do bairro e multiplicadas por 100 mil. A taxa de homicídio da cidade (97 registros para 628.849 habitantes, estimativa IBGE 2024) é de 15 por 100 mil. A Zona de Expansão não tem população no Censo por bairro e fica fora das taxas por bairro.

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Citado por Gazeta do Povo, O Eco, Tribuna do Planalto

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Como citar esta página

CRIME BRASIL. Os bairros mais perigosos de Aracaju (2025-26). Disponível em: <https://crimebrasil.com.br/analises/bairros-mais-perigosos-aracaju-2026>. Acesso em: 26 out. 2026.

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Vinícius Mendes
Repórter · Olhar Direto (Cuiabá · MT)

Repórter da editoria de Reportagem do Olhar Direto, portal de notícias de Cuiabá (MT), com cobertura de segurança pública e casos policiais no estado. Usou o dado do Crime Brasil para reportar a queda de roubos e a alta de estelionatos em Mato Grosso.

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Jair GonçalvesDepoimento
Jair Gonçalves
Fundador · Portal Atibaia News

Fundador do Portal Atibaia News, veículo de notícias de Atibaia (interior de São Paulo). Publicou com o dado do Crime Brasil o ranking de ocorrências por bairro da cidade.

“Parabéns à Crime Brasil pelo excelente trabalho de jornalismo de dados! As informações disponibilizadas possibilitaram ao Portal Atibaia News produzir uma importante matéria sobre os números de ocorrências policiais por bairro em Atibaia, levando informação e transparência aos nossos leitores. Muito obrigado.”
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Mundo de Cores
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Douglas, médico veterinário, comanda com a família o canal Mundo de Cores, sobre vida no campo, no Rio Grande do Sul.

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“Gratidão pelas informações. Essa é uma excelente ferramenta para uma decisão segura.”

— @marceloguilemond1632

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Gazeta do Povo
Artigo assinado · Paraná

Artigo de opinião do editor do Crime Brasil: a queda de homicídios no Paraná esconde a alta em mortes no trânsito, suicídios e feminicídios — com o dado da plataforma.

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Reportagem · Amazônia

Reportagem sobre violência fundiária e baixa punição de crimes ambientais na Amazônia, cruzando dados do Crime Brasil com CPT, Ibama, CNJ e MapBiomas.

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Goiânia · edição impressa

Matéria de capa cruzando a queda de homicídios em Goiás com a alta no entorno do Distrito Federal, a partir do dado da plataforma.

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Levantamento exclusivo do mapa da criminalidade na capital paulista — Moema com muito mais infrações que o Grajaú — com o dado do Crime Brasil.

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Fonte acadêmica
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Entrevista do Instituto Humanitas Unisinos que cita a plataforma como fonte de microdado criminal aberto.

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Artigo no Jornal de Ciências Criminais sobre os limites do acesso a microdados criminais no Brasil, citando o Crime Brasil.

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