Iranduba tem quase metade das ocorrências de Manaus, mas praticamente o dobro da taxa de homicídios
Vizinhas na região de Manaus, a capital amazonense e Iranduba trocam de posição conforme a régua usada para medir a violência.
Pelo volume geral de registros, Manaus leva a pior com folga. A capital soma 5.075 ocorrências por 100 mil habitantes, contra 2.706 em Iranduba, uma distância de quase o dobro. Para um observador que parasse nesse indicador, a cidade menor pareceria uma espécie de refúgio ao lado da metrópole, com menos casos de polícia e um cotidiano mais tranquilo. A impressão não resiste à segunda conta. Basta isolar os homicídios para que a fotografia mude por completo.
Pausa: e o seu endereço?
Na taxa de homicídios, a ordem se inverte. Iranduba chega a 34,3 por 100 mil habitantes, enquanto Manaus fica em 18,1. A proporção funciona quase como um espelho da anterior: o município com pouco mais da metade das ocorrências por habitante tem praticamente o dobro de homicídios. Esse descompasso torna a comparação valiosa, porque separa duas coisas muitas vezes tratadas como sinônimos no debate público, o crime em geral e a violência letal. Uma cidade pode registrar pouco e, ainda assim, perder muitas vidas.
Uma distinção ajuda a entender o contraste. A taxa geral de ocorrências tende a acompanhar a vida urbana densa, com mais circulação, mais comércio e mais patrimônio exposto, além de maior facilidade para procurar uma delegacia. O homicídio costuma obedecer a outra lógica, mais ligada a conflitos específicos, e está menos sujeito à subnotificação, já que uma morte violenta dificilmente passa sem registro. Com quase 2,3 milhões de moradores, Manaus se aproxima do primeiro padrão, o de uma metrópole que acumula muitos registros. Iranduba, com cerca de 67 mil habitantes, exibe outro desenho, em que há menos ocorrências no conjunto, mas o crime mais grave pesa bem mais.
A comparação pede cautela, sobretudo por causa da escala: Manaus tem mais de 30 vezes a população da vizinha, e em municípios menores poucos casos bastam para mover uma taxa de forma expressiva. Os números também não informam quem são as vítimas, quais foram as motivações nem por que a letalidade é maior em Iranduba, e qualquer explicação sobre as causas segue no campo da hipótese. O que se sustenta é a diferença entre os dois indicadores, que aponta para perfis distintos de violência em cidades que dividem a mesma divisa. Medir a segurança de Iranduba e de Manaus por um único número esconderia justamente o dado mais grave dessa vizinhança.
📊 Fonte: SSP-AM (12 meses) · IBGE Censo 2022 — dados oficiais, compilados e cruzados pelo Crime Brasil.
Dados do período
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Ocorrências por 100 mil hab. — Manaus (12 meses) | 5.075 |
| Ocorrências por 100 mil hab. — Iranduba (12 meses) | 2.706 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Manaus (12 meses) | 18,1 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Iranduba (12 meses) | 34,3 |
| População — Manaus (Censo 2022) | 2.279.686 |
| População — Iranduba (Censo 2022) | 67.114 |
Fonte e metodologia
Dados oficiais das secretarias de segurança pública e demais fontes públicas, compilados e cruzados pelo Crime Brasil. Lista completa de fontes em /fontes; detalhamento da metodologia em /metodologia.




















