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Letalidade policial no RS caiu pela metade em 2025 — enquanto o Brasil vai na direção oposta

Por Israel Lehnen Silva·Metodologia

Verificado em 15 de abril de 2026

Análise dos registros de mortes por intervenção policial no Rio Grande do Sul entre 2022 e 2025, com dados da SSP/RS por município, bairro, perfil demográfico e horário.

Rio Grande do SulLetalidade PolicialSegurança PúblicaAnálise de Dados2025

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Destaques
Queda no RS
-49%
Mortes por intervenção policial caíram de 122 em 2024 para 62 em 2025 no Rio Grande do Sul.
Centro Histórico de Porto Alegre, Monumento à Julio de Castilhos
Porto Alegre, RS
Foto: Wellington Mitrut / Unsplash

Em fevereiro de 2026, o Ministério da Justiça publicou os números de letalidade policial do ano anterior. O retrato nacional não foi animador: 6.519 pessoas mortas por policiais em 2025, uma alta de 4,5% em relação a 2024. São Paulo bateu recorde atrás de recorde. A Baixada Santista virou sinônimo de operação letal. Rondônia saltou quase 500%.

No meio desse cenário, um dado passou quase despercebido: o Rio Grande do Sul registrou a segunda maior queda do país. Menos polícia matando, menos gente morrendo. E os nossos dados confirmam a tendência — com um nível de detalhe que as estatísticas nacionais não oferecem.

01

O CENÁRIO NACIONAL

O Brasil matou, em média, 18 pessoas por dia em ações policiais ao longo de 2025. Foram 6.519 mortes no total, segundo o SINESP/MJSP — um aumento de 4,5% em relação às 6.243 registradas em 2024.

A tendência nacional é de crescimento quase ininterrupto desde 2014, quando o Anuário Brasileiro de Segurança Pública contabilizou 3.070 mortes. Em uma década, o número dobrou. São Paulo, que vinha em patamares mais baixos, viu sua letalidade policial disparar 61% entre 2023 e 2024. Rondônia teve alta de 488% em 2025. O Amapá lidera a taxa por 100 mil habitantes: 17,1.

Nesse contexto, dois estados se destacaram por ir na direção oposta. Tocantins teve a maior queda: -55%. O Rio Grande do Sul veio logo atrás: -43% segundo o SINESP, a segunda maior redução do país.

Contramão nacional

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Nós não temos dados de São Paulo, Rondônia ou outros estados no nosso banco de dados. Mas temos os do RS — e com muito mais detalhe do que qualquer levantamento nacional oferece. Cada ocorrência individual, com município, bairro, horário, idade, sexo e cor da vítima. É o que permite contar essa história com precisão.

02

O QUE OS DADOS DO RS MOSTRAM

Os registros da SSP/RS mostram uma queda consistente e sustentada ao longo de 2025. Não foi concentrada em um mês ou em um evento específico — praticamente todos os meses ficaram abaixo do patamar de 2024.

O total anual caiu de 122 em 2024 para 62 em 2025 — uma redução de 49%.

Registros da SSP/RS (inclui morte e homicídio decorrente de oposição a intervenção policial).
2024
122
→
2025
62
Variação: -49,2%

Olhando a série desde 2022, o padrão fica mais claro. O RS teve um pico em 2023-2024 e depois recuou pra um patamar menor que o de três anos atrás.

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03

PORTO ALEGRE: DE 31 PARA 2

O dado mais impressionante da série está na capital. Porto Alegre registrou 31 mortes por intervenção policial em 2024 — e apenas 2 em 2025. Uma queda de 94%.

Os 2 casos de 2025 foram nos bairros Parque Santa Fé e Bom Jesus.
2024
31
→
2025
2
Variação: -93,5%

No acumulado 2022-2025, a capital concentra quase um quarto de todas as mortes por intervenção policial do estado. Foram 91 mortes em quatro anos.

A queda de POA em 2025 não foi compensada por aumento em outros grandes municípios da Região Metropolitana. Novo Hamburgo teve 2 mortes, Viamão teve 4. Os números são consistentemente baixos.

Veja os dados completos do RS

Explore os dados de criminalidade por município e bairro, incluindo mortes por intervenção policial.

04

QUEM MORRE EM AÇÃO POLICIAL NO RS

O perfil das vítimas de letalidade policial no RS segue um padrão que se repete em todo o Brasil — mas os dados individuais da SSP/RS permitem quantificar com precisão.

Sexo: 95% das vítimas são homens. Das 369 mortes entre 2022 e 2025, 352 foram de homens e 16 de mulheres.

Idade: a faixa de 18 a 34 anos concentra 61% das mortes. Dezenove vítimas eram menores de 18 anos.

Cor/raça: 60% das vítimas com informação registrada são brancas, 9% pardas e 8% pretas. Mas 22% dos registros não têm dado de raça — o que torna essa distribuição pouco confiável pra conclusões absolutas. Em estados com populações mais diversas, a proporção de vítimas negras tende a ser muito maior.

O perfil típico

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05

QUANDO ACONTECE

A maior parte das mortes por intervenção policial no RS acontece no período noturno. 43% dos casos foram registrados entre 18h e 23h. Somando a madrugada (0h-5h), o período escuro concentra 62% das ocorrências.

A distribuição por dia da semana é mais uniforme — sem diferenças grandes o suficiente pra indicar um padrão claro.

06

OS MUNICÍPIOS COM MAIS MORTES

No acumulado de quatro anos, Porto Alegre lidera com distância — 91 mortes entre 2022 e 2025. Caxias do Sul vem em segundo com 25, seguida por Alvorada (18) e Novo Hamburgo (14).

MunicípioTotal 2022-2025 ▼20252024
Porto Alegre91231
Caxias do Sul25710
Alvorada1836
Rio Grande1431
Novo Hamburgo1425
Viamão1243
Santa Maria913
Carazinho813
Pelotas710
Santa Rosa604

O dado que chama atenção em 2025 é Caxias do Sul. Com 7 mortes, a cidade da Serra Gaúcha liderou o estado pela primeira vez — superando Porto Alegre, que historicamente concentra a maioria dos casos. Viamão (4) e Alvorada (3) completam os três primeiros.

Inversão geográfica

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07

O QUE MUDOU?

Os dados mostram que a queda foi real, distribuída ao longo do ano e concentrada nos municípios que historicamente tinham os maiores volumes. Mas explicar por que a letalidade caiu exige cautela.

O governo estadual atribuiu o resultado ao investimento de R$ 2 bilhões em segurança pública desde 2019, à adoção de câmeras corporais pela Brigada Militar e à reposição do efetivo policial. São hipóteses plausíveis, mas os dados de ocorrência, sozinhos, não permitem isolar qual fator foi determinante.

O que os dados permitem dizer com segurança:

  • A queda não foi concentrada em um mês ou operação específica — ela se manteve ao longo de todos os 12 meses de 2025.
  • Porto Alegre teve uma queda desproporcional (94%), o que sugere uma mudança operacional na capital, não apenas uma tendência estadual.
  • O perfil das vítimas não mudou significativamente entre 2024 e 2025 — o que mudou foi o volume.
  • A série histórica mostra que 2023 e 2024 foram anos atípicos pra cima, e 2025 retornou a um patamar próximo ao de 2022.

O contraste com o cenário nacional é marcante. Enquanto estados como São Paulo viram a letalidade policial disparar a níveis recordes, o RS conseguiu reduzir pela metade. Seja qual for a combinação de fatores, o resultado está nos dados.

Explore os dados por município

Navegue pelas páginas de cidades e veja as estatísticas detalhadas de cada município do RS.

08

METODOLOGIA E FONTES

Metodologia e fontes

Dados do RS: registros individuais da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS), publicados sob a Lei Estadual 15.610/2021. A base inclui ocorrências com tipo de enquadramento "MORTE DECORRENTE DE OPOSIÇÃO A INTERVENÇÃO POLICIAL" (2024-2025) e "HOMICÍDIO DECORRENTE DE OPOSIÇÃO A INTERVENÇÃO POLICIAL" (2022-2023). A mudança de nomenclatura reflete uma alteração administrativa, não metodológica — ambos os tipos foram somados na análise.

Dados nacionais: SINESP/Ministério da Justiça e Segurança Pública (publicação de 03/02/2026) para totais de 2025. Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 19ª edição (FBSP, julho/2025) para dados de 2024 e série histórica.

Limitações: (1) os dados da SSP/RS registram 122 mortes em 2024, enquanto o SINESP registra 141 — a diferença se deve a critérios de inclusão diferentes (o SINESP pode incluir mortes por policiais fora de serviço). Ambos confirmam a tendência de queda. (2) 22% dos registros não têm informação de raça/cor, o que limita a análise racial. (3) Dados de 2026 cobrem apenas janeiro (15 mortes). (4) Não temos dados individuais de outros estados — as comparações nacionais usam fontes secundárias.

Atualização: esta análise usa dados até 31 de dezembro de 2025.

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Citado por Gazeta do Povo, O Eco, Tribuna do Planalto

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Como citar esta página

CRIME BRASIL. Letalidade policial no RS caiu pela metade em 2025 — enquanto o Brasil vai na direção oposta. Disponível em: <https://crimebrasil.com.br/analises/letalidade-policial-rs-queda-2025>. Acesso em: 20 out. 2026.

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Depoimento em vídeo
Vinícius Mendes
Repórter · Olhar Direto (Cuiabá · MT)

Repórter da editoria de Reportagem do Olhar Direto, portal de notícias de Cuiabá (MT), com cobertura de segurança pública e casos policiais no estado. Usou o dado do Crime Brasil para reportar a queda de roubos e a alta de estelionatos em Mato Grosso.

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Jair GonçalvesDepoimento
Jair Gonçalves
Fundador · Portal Atibaia News

Fundador do Portal Atibaia News, veículo de notícias de Atibaia (interior de São Paulo). Publicou com o dado do Crime Brasil o ranking de ocorrências por bairro da cidade.

“Parabéns à Crime Brasil pelo excelente trabalho de jornalismo de dados! As informações disponibilizadas possibilitaram ao Portal Atibaia News produzir uma importante matéria sobre os números de ocorrências policiais por bairro em Atibaia, levando informação e transparência aos nossos leitores. Muito obrigado.”
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Review em vídeo
Mundo de Cores
YouTube · 347 mil inscritos

Douglas, médico veterinário, comanda com a família o canal Mundo de Cores, sobre vida no campo, no Rio Grande do Sul.

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Comentários no vídeo

“Gratidão pelas informações. Essa é uma excelente ferramenta para uma decisão segura.”

— @marceloguilemond1632

“Verdade, pode ajudar muito mesmo!”

— Mundo de Cores (canal)

“Muito Bom!”

— @edmundosantos3812
Gazeta do Povo
Artigo de opinião
Gazeta do Povo
Artigo assinado · Paraná

Artigo de opinião do editor do Crime Brasil: a queda de homicídios no Paraná esconde a alta em mortes no trânsito, suicídios e feminicídios — com o dado da plataforma.

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O Eco
Reportagem
O Eco
Reportagem · Amazônia

Reportagem sobre violência fundiária e baixa punição de crimes ambientais na Amazônia, cruzando dados do Crime Brasil com CPT, Ibama, CNJ e MapBiomas.

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Tribuna do Planalto
Capa do jornal
Tribuna do Planalto
Goiânia · edição impressa

Matéria de capa cruzando a queda de homicídios em Goiás com a alta no entorno do Distrito Federal, a partir do dado da plataforma.

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Levantamento exclusivo
Gazeta de S.Paulo
São Paulo · capital

Levantamento exclusivo do mapa da criminalidade na capital paulista — Moema com muito mais infrações que o Grajaú — com o dado do Crime Brasil.

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IHU · Unisinos
Fonte acadêmica
IHU · Unisinos
Instituto Humanitas Unisinos

Entrevista do Instituto Humanitas Unisinos que cita a plataforma como fonte de microdado criminal aberto.

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IBCCRIM · JCC
Revisado por pares
IBCCRIM · JCC
Jornal de Ciências Criminais

Artigo no Jornal de Ciências Criminais sobre os limites do acesso a microdados criminais no Brasil, citando o Crime Brasil.

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Wikipédia
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