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Violência contra idosos no RS: maus tratos cresceram 30% em três anos

Por Alexandra Diniz·Metodologia

Verificado em 16 de abril de 2026

Entre 2022 e 2025, o RS registrou quase 14 mil crimes contra idosos. Abandono subiu 38%, maus tratos 30%. 62% dos casos acontecem dentro de casa. E 61% das vítimas são mulheres.

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Idosa brasileira sentada, expressão séria
Idosa brasileira
Foto: Jonas Kakaroto / Unsplash
Destaques
14 mil crimes
13.945
Entre 2022 e 2025, o RS registrou 13.945 crimes contra idosos. Uma média de 9,5 por dia.

Quase 14 mil crimes contra idosos em quatro anos. Isso é o que os boletins de ocorrência do Rio Grande do Sul mostram entre 2022 e 2025.

Não é um dado estático. É uma curva que sobe. Em 2022 foram 2.813 registros. Em 2024, o pico: 3.891. Em 2025, uma leve queda para 3.564 — mas ainda 27% acima do ponto de partida.

O abandono de idosos subiu 38%. Os maus tratos cresceram 30%. E 62% de tudo isso acontece dentro de casa.

01

A CURVA QUE SOBE

A série começa em 2022, quando o RS registrou 2.813 crimes contra idosos. De lá pra cá, a tendência foi de alta consistente — com pico em 2024 (3.891 registros) e uma leve acomodação em 2025 (3.564).

AnoRegistrosVariação
20222.813—
20233.677+30,7%
20243.891+5,8%
20253.564−8,4%

O dip de 2025 pode refletir efeito das enchentes de 2024 no RS, que reduziram registros em toda a série durante os meses de crise. A leve queda não reverte a tendência de alta do período.

Desagregando por tipo, o quadro fica mais claro:

Tipo20222025Variação
Abandono de idoso218300+37,6%
Outros crimes contra o idoso1.3471.773+31,6%
Maus tratos contra o idoso8621.120+30,0%
Apropriação indevida de bem351338−3,7%
Omissão de socorro21210%

Abandono e maus tratos lideraram o crescimento. Apropriação indevida foi o único tipo que recuou — ainda que marginalmente.

1.Abandono de idosos subiu 38% em três anos — de 218 para 300 registros anuais

O abandono é o crime mais difícil de registrar: exige que alguém de fora perceba, intervenha e formalize a denúncia. Quando o número sobe, é sinal de que o problema está se tornando mais visível — ou mais frequente. Provavelmente os dois.

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02

ONDE ACONTECE

O dado mais revelador sobre violência contra idosos não é o tipo de crime. É o lugar onde ele ocorre.

62% dos registros têm como local a residência. Hospitais e clínicas aparecem em segundo lugar — 7% do total. Via pública representa menos de 3%.

LocalRegistros (2022-2025)%
Residência8.55562,3%
Outros3.73527,2%
Hospitais/clínicas9847,2%
Estabelecimento comercial3452,5%
Via pública2902,1%

Isso significa que, na maioria dos casos, o agressor tem acesso regular à vítima. É familiar, cuidador, ou pessoa da convivência próxima.

A violência contra idosos não costuma ser um crime de estranhos. É um crime de dentro.

Outro dado que reforça isso é o horário. 86% dos registros acontecem entre 6h e 18h — no horário em que a casa está ativa, os familiares em casa, a rotina doméstica em curso.

PeríodoRegistros%
Manhã (6h–12h)6.75148,5%
Tarde (12h–18h)5.22737,5%
Noite (18h–24h)1.60011,5%
Madrugada (0h–6h)3672,6%

2.62% dos crimes contra idosos no RS acontecem dentro da residência — e 86% entre 6h e 18h

O perfil aponta pra violência doméstica e familiar, não pra criminalidade de rua. O idoso não está em risco porque saiu de casa. Está em risco porque está em casa.

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03

O PERFIL DAS VÍTIMAS

61% das vítimas de crimes contra idosos no RS são mulheres. O dado é consistente em todos os anos.

AnoFemininoMasculino% F
20221.7321.07061,8%
20231.8711.24560,0%
20242.0291.25961,7%
20251.8231.15461,2%

Em maus tratos especificamente, a proporção feminina sobe para 65%. Em 2025: 613 mulheres vítimas de maus tratos, contra 327 homens.

Dois fatores explicam parte da disparidade. Primeiro, mulheres vivem mais — a população idosa feminina no Brasil é maior em todas as faixas acima dos 60 anos. Segundo, mulheres idosas que vivem sozinhas ou com dependência familiar têm menor capacidade de reação ou fuga em situações de abuso.

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04

OS MUNICÍPIOS

Porto Alegre lidera com folga: 3.151 registros entre 2022 e 2025 — mais do que os cinco municípios seguintes somados.

MunicípioRegistros (2022–2025)
Porto Alegre3.151
Canoas494
Viamão479
Santa Maria380
Pelotas367
Caxias do Sul312
Gravataí304
Bagé293
Cachoeirinha278
Novo Hamburgo266

A concentração na Região Metropolitana de Porto Alegre é esperada — é onde vive a maior parte da população idosa do estado. Mas Bagé e Santa Maria, cidades do interior, aparecem entre os dez primeiros, o que indica que o problema não é exclusivo da capital.

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05

OS BAIRROS DE PORTO ALEGRE

Em Porto Alegre, Centro Histórico lidera com 154 registros no período. Partenon e Lomba do Pinheiro aparecem em segundo e terceiro — bairros de periferia com alta concentração de população idosa e vulnerável.

BairroRegistros (2022–2025)
Centro Histórico154
Partenon140
Lomba do Pinheiro119
Restinga111
Santa Tereza92
Sarandi83
Rubem Berta80
Menino Deus79
Vila Nova79
Santana70

Centro Histórico concentra idosos em situação de rua e vulnerabilidade extrema — o perfil de criminalidade é diferente dos bairros periféricos, onde predominam violência doméstica e familiar.

06

O QUE OS DADOS NÃO CAPTURAM

Os números desta análise são um piso, não um teto.

A subnotificação de violência doméstica contra idosos é estrutural. Muitos não registram boletim por medo do agressor — que frequentemente é filho, neto ou cônjuge. Outros não têm condição física ou cognitiva de ir a uma delegacia. Há ainda os que dependem financeiramente de quem os maltrata.

Uma pesquisa nacional estimou que apenas 1 em cada 5 casos de maus tratos contra idosos no Brasil chega ao conhecimento das autoridades.

Os 13.945 registros de 2022 a 2025 são o que foi formalizado. O que ficou dentro de casa é um número que os dados não conseguem alcançar.

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07

ONDE BUSCAR AJUDA

Se você ou alguém que você conhece está sofrendo violência:

  • Disque 100 — denúncia de violação de direitos humanos, gratuito, 24h. Atende casos de violência contra idosos.
  • CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) — atendimento psicossocial e jurídico. Acesso via CRAS ou prefeitura.
  • Delegacia do Idoso — em Porto Alegre: Av. Ipiranga, 1180, 2º andar. Registre o boletim de ocorrência.
  • CVV: ligue 188 — suporte emocional, 24h, gratuito.

Denunciar é o ato mais difícil. E o mais necessário.

08

METODOLOGIA E FONTES

Metodologia, fonte, ressalvas e limites

Fonte dos dados: Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS), registros individuais de boletins de ocorrência disponibilizados sob a Lei Estadual 15.610/2021.

Período: janeiro de 2022 a dezembro de 2025.

Critério de seleção: ocorrências classificadas com tipo de enquadramento contendo "IDOSO" nos registros da SSP/RS. Inclui: maus tratos contra o idoso, outros crimes contra o idoso, abandono de idoso, apropriação indevida de bem de idoso, omissão de socorro contra o idoso e discriminação contra o idoso.

Definição legal de idoso: pessoa com 60 anos ou mais (Estatuto do Idoso, Lei 10.741/2003).

Subnotificação: estimativas nacionais indicam que apenas 20% dos casos de violência contra idosos chegam ao conhecimento das autoridades. Os dados refletem apenas o que foi registrado em boletim de ocorrência.

Distribuição por local: baseada no campo local_fato dos registros individuais. Casos sem informação de local foram agrupados em "Outros".

Bairros: restritos a Porto Alegre, onde o volume é suficiente para análise granular.

Reprodutibilidade: extração realizada em 16 de abril de 2026. Scripts disponíveis no repositório do projeto Crime Brasil.

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Citado por Gazeta do Povo, O Eco, Tribuna do Planalto

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Como citar esta página

CRIME BRASIL. Violência contra idosos no RS: maus tratos cresceram 30% em três anos. Disponível em: <https://crimebrasil.com.br/analises/violencia-contra-idosos-rs>. Acesso em: 20 out. 2026.

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Vinícius Mendes
Repórter · Olhar Direto (Cuiabá · MT)

Repórter da editoria de Reportagem do Olhar Direto, portal de notícias de Cuiabá (MT), com cobertura de segurança pública e casos policiais no estado. Usou o dado do Crime Brasil para reportar a queda de roubos e a alta de estelionatos em Mato Grosso.

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Jair GonçalvesDepoimento
Jair Gonçalves
Fundador · Portal Atibaia News

Fundador do Portal Atibaia News, veículo de notícias de Atibaia (interior de São Paulo). Publicou com o dado do Crime Brasil o ranking de ocorrências por bairro da cidade.

“Parabéns à Crime Brasil pelo excelente trabalho de jornalismo de dados! As informações disponibilizadas possibilitaram ao Portal Atibaia News produzir uma importante matéria sobre os números de ocorrências policiais por bairro em Atibaia, levando informação e transparência aos nossos leitores. Muito obrigado.”
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Douglas, médico veterinário, comanda com a família o canal Mundo de Cores, sobre vida no campo, no Rio Grande do Sul.

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“Gratidão pelas informações. Essa é uma excelente ferramenta para uma decisão segura.”

— @marceloguilemond1632

“Verdade, pode ajudar muito mesmo!”

— Mundo de Cores (canal)

“Muito Bom!”

— @edmundosantos3812
Gazeta do Povo
Artigo de opinião
Gazeta do Povo
Artigo assinado · Paraná

Artigo de opinião do editor do Crime Brasil: a queda de homicídios no Paraná esconde a alta em mortes no trânsito, suicídios e feminicídios — com o dado da plataforma.

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O Eco
Reportagem
O Eco
Reportagem · Amazônia

Reportagem sobre violência fundiária e baixa punição de crimes ambientais na Amazônia, cruzando dados do Crime Brasil com CPT, Ibama, CNJ e MapBiomas.

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Tribuna do Planalto
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Goiânia · edição impressa

Matéria de capa cruzando a queda de homicídios em Goiás com a alta no entorno do Distrito Federal, a partir do dado da plataforma.

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São Paulo · capital

Levantamento exclusivo do mapa da criminalidade na capital paulista — Moema com muito mais infrações que o Grajaú — com o dado do Crime Brasil.

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IHU · Unisinos
Fonte acadêmica
IHU · Unisinos
Instituto Humanitas Unisinos

Entrevista do Instituto Humanitas Unisinos que cita a plataforma como fonte de microdado criminal aberto.

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IBCCRIM · JCC
Revisado por pares
IBCCRIM · JCC
Jornal de Ciências Criminais

Artigo no Jornal de Ciências Criminais sobre os limites do acesso a microdados criminais no Brasil, citando o Crime Brasil.

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