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Feminicídio no RS: 73% dos casos acontecem fora da capital e da Serra

Por Alexandra Diniz·Metodologia

Verificado em 29 de março de 2026

Com 150 feminicídios entre 2024 e 2025, o Rio Grande do Sul mostra que o problema não está concentrado nas grandes cidades — está espalhado pelo interior.

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Destaques
150 feminicídios
2024–2025
Total registrado no Rio Grande do Sul nos dois anos mais recentes.

O senso comum coloca a violência nas grandes cidades. Mais gente, mais crime — a lógica parece óbvia. Mas os dados de feminicídio no Rio Grande do Sul contam outra história.

Rio Grande do Sul
Rio Grande do Sul

Entre 2024 e 2025, 150 mulheres foram mortas em contexto de violência de gênero no estado. Setenta e três por cento desses casos — 109 de 150 — aconteceram fora da região metropolitana de Porto Alegre e fora da Serra Gaúcha. O problema não está concentrado nas capitais ou nas cidades mais ricas. Está espalhado pelo interior, nas cidades médias e pequenas onde a rede de proteção raramente chega.

01

O PANORAMA 2024-2025

Setenta e três casos em 2024. Setenta e sete em 2025. A taxa estadual fica em torno de 0,65 por 100 mil habitantes em 2024 e 0,69 em 2025 — uma leve alta, mas dentro da margem de variação esperada pra números dessa escala.

O que chama atenção não é a variação anual. É a distribuição geográfica.

1.73% dos feminicídios registrados no RS em 2024-2025 ocorreram fora da metro e da serra

A região metropolitana de Porto Alegre (12 municípios, ~4 milhões de habitantes) respondeu por 32 casos — 21% do total. A Serra Gaúcha (8 municípios, ~900 mil habitantes) teve 9 casos — 6%. O interior restante, com 109 casos, concentra quase três quartos de todos os feminicídios do estado.

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02

METRO E SERRA: UMA FATIA MENOR DO QUE SE IMAGINA

Região20242025Total% do total
Metro POA (12 municípios)18143221%
Serra Gaúcha (8 municípios)4596%
Interior restante515810973%
RS total7377150100%

A metro tem quase 4 milhões de habitantes e responde por 21% dos casos. A taxa aproximada fica em torno de 0,40 por 100 mil por ano. A Serra Gaúcha, com ~900 mil habitantes, fica em torno de 0,50 por 100 mil. O interior como um todo carrega o restante — e dentro dele, municípios pequenos aparecem com números que, per capita, são alarmantes.

A metro caiu de 18 casos em 2024 pra 14 em 2025. A serra subiu de 4 pra 5. O interior subiu de 51 pra 58. As tendências são opostas: enquanto a metro mostra queda, o interior cresce.

2.O interior registrou 109 casos — mais que metro e serra somadas quase 3 vezes

Metro (32) + Serra (9) = 41 casos. O interior teve 109. A relação é de quase 3 pra 1 em favor do interior — uma diferença que não se explica apenas pelo tamanho da população.

Explore os dados do RS

Veja os dados de violência por município no Crime Brasil.

03

OS MUNICÍPIOS NO TOPO DO RANKING

Porto Alegre lidera com 14 casos em dois anos — menos de 10% do total estadual. Uma cidade com 1,3 milhão de habitantes. A taxa fica em torno de 0,54 por 100 mil por ano, abaixo da média estadual.

Rio Grande aparece em segundo com 6 casos. Uma cidade de ~200 mil habitantes no litoral sul. Imbé, com 3 casos e uma população estimada em menos de 30 mil, tem uma taxa per capita que supera qualquer cidade grande da lista.

Uruguaiana, Itaqui, Cruz Alta, Bagé — cidades do interior gaúcho, algumas com menos de 100 mil habitantes, aparecem com 3 casos cada. Pra municípios desse tamanho, 3 feminicídios em dois anos representam uma taxa acima da média estadual.

O padrão é claro: os números absolutos são dominados pela capital, mas o peso per capita fica no interior.

Veja os dados de Porto Alegre

Compare os registros de violência por bairro no Crime Brasil.

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04

QUEM SÃO AS VÍTIMAS

A faixa etária mais atingida é 30-44 anos — 39% das vítimas. Não são as mais jovens, nem as mais velhas. São mulheres em plena vida adulta, muitas em relacionamentos de longa data onde a violência escalou ao longo do tempo.

A faixa 18-29 responde por 30%. As duas juntas — 18 a 44 anos — concentram 69% de todos os casos. Mulheres acima de 45 anos somam 28% dos registros, o que mostra que o problema não termina quando a mulher envelhece.

Faixa etáriaCasos%
Menos de 18 anos53%
18-29 anos4530%
30-44 anos5839%
45-59 anos3020%
60 anos ou mais128%

Sobre raça/cor: 76% das vítimas eram brancas (114 casos), 9% pardas (13 casos) e 8% pretas (12 casos). Outros 7% não tinham informação registrada. O RS tem uma população majoritariamente branca, o que explica o número absoluto. Mas a sub-representação de mulheres negras nos registros oficiais é um problema conhecido — parte da subnotificação recai exatamente sobre as mais vulneráveis.

05

O PADRÃO MENSAL

Janeiro de 2024 foi o mês mais letal dos dois anos: 12 feminicídios em um único mês. Em 2025, os picos foram distribuídos: abril, julho, agosto e outubro registraram 10 casos cada.

Não há um padrão estável entre os dois anos. Em 2024, o início do ano concentrou os maiores números — e o segundo semestre teve dois picos seguidos (outubro e novembro com 10 cada). Em 2025, a distribuição é mais irregular, com meses de queda brusca (2 em maio) seguidos de picos altos.

O único mês que aparece consistentemente baixo nos dois anos é março. O que isso significa — mudança de comportamento das delegacias, sazonalidade real, variação aleatória — não dá pra concluir com essa amostra.

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06

O QUE OS DADOS NÃO DIZEM

Os 150 casos registrados são o que chegou à polícia, foi tipificado como feminicídio e permaneceu com esse enquadramento no momento da extração. A realidade é maior.

Feminicídio depende de uma cadeia de decisões: a vítima (ou alguém por ela) precisa acionar o sistema, o delegado precisa reconhecer a motivação de gênero, o registro precisa ser feito com a tipificação correta. Cada passo filtra casos. No interior gaúcho, onde a distância até a delegacia pode ser de horas e onde "resolver em família" ainda é uma pressão real, essa filtragem é mais severa.

O que esses números não capturam:

  • A violência que antecede a morte. Agressões, ameaças, estrangulamento não-letal, perseguição. Pra cada feminicídio registrado, existe um histórico de episódios que em muitos casos nunca viraram BO.
  • As reclassificações. Um caso registrado como feminicídio pode ser reclassificado como homicídio doloso ao longo do inquérito. Os dados refletem o enquadramento no momento do boletim, não o resultado do processo.
  • A distribuição dentro das cidades. O Crime Brasil permite explorar dados por bairro em Porto Alegre e outras cidades do RS — mas feminicídio tem volumes baixos demais pra análise por bairro ser confiável.
  • Cada número é uma mulher. 150 feminicídios em dois anos. Cento e cinquenta mulheres assassinadas em contexto de violência de gênero no Rio Grande do Sul. A análise estatística existe pra identificar padrões. Não pra transformar mortes em abstração.

07

METODOLOGIA E FONTES

Metodologia, fonte, ressalvas e limites

Fonte dos dados: Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS), registros individuais de boletins de ocorrência disponibilizados sob a Lei Estadual 15.610/2021.

Período: janeiro de 2024 a dezembro de 2025.

Tipos incluídos: Feminicídio e Feminicídio Art. 121 §2º VI (enquadramentos SSP/RS: FEMINICIDIO e FEMINICIDIO ART 121 PAR 2 VI).

Região metropolitana (12 municípios): Porto Alegre, Canoas, Gravataí, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Viamão, Alvorada, Cachoeirinha, Guaíba, Esteio, Sapucaia do Sul e Eldorado do Sul.

Serra Gaúcha (8 municípios): Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Farroupilha, Garibaldi, Carlos Barbosa, Flores da Cunha, São Marcos e Nova Prata.

Totais verificados: 2024 = 73 casos, 2025 = 77 casos, total = 150. Metro: 32 (21%), Serra: 9 (6%), interior: 109 (73%).

Estimativas populacionais: aproximações baseadas no Censo 2022 do IBGE. RS: ~11,2 milhões. Metro POA: ~4 milhões. Serra (8 municípios): ~900 mil. Usadas apenas para contextualização per capita, não para cálculo de taxas formais.

Taxas calculadas: RS 2024 ≈ 0,65/100K; RS 2025 ≈ 0,69/100K; metro ≈ 0,40/100K/ano; Serra ≈ 0,50/100K/ano.

Limitações: feminicídio depende de tipificação policial no momento do registro. Reclassificações posteriores não são capturadas. Os números absolutos são pequenos, o que amplifica a variação percentual e limita inferências estatísticas. Esta é uma análise descritiva — não fazemos inferências causais.

Reprodutibilidade: gerado pelo sistema de publicação do Crime Brasil. Extração em 2026-03-24.

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Citado por Gazeta do Povo, O Eco, Tribuna do Planalto

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Como citar esta página

CRIME BRASIL. Feminicídio no RS: 73% dos casos acontecem fora da capital e da Serra. Disponível em: <https://crimebrasil.com.br/analises/feminicidio-metro-vs-serra-rs>. Acesso em: 20 out. 2026.

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Vinícius Mendes
Repórter · Olhar Direto (Cuiabá · MT)

Repórter da editoria de Reportagem do Olhar Direto, portal de notícias de Cuiabá (MT), com cobertura de segurança pública e casos policiais no estado. Usou o dado do Crime Brasil para reportar a queda de roubos e a alta de estelionatos em Mato Grosso.

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Jair GonçalvesDepoimento
Jair Gonçalves
Fundador · Portal Atibaia News

Fundador do Portal Atibaia News, veículo de notícias de Atibaia (interior de São Paulo). Publicou com o dado do Crime Brasil o ranking de ocorrências por bairro da cidade.

“Parabéns à Crime Brasil pelo excelente trabalho de jornalismo de dados! As informações disponibilizadas possibilitaram ao Portal Atibaia News produzir uma importante matéria sobre os números de ocorrências policiais por bairro em Atibaia, levando informação e transparência aos nossos leitores. Muito obrigado.”
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Douglas, médico veterinário, comanda com a família o canal Mundo de Cores, sobre vida no campo, no Rio Grande do Sul.

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— Mundo de Cores (canal)

“Muito Bom!”

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Gazeta do Povo
Artigo de opinião
Gazeta do Povo
Artigo assinado · Paraná

Artigo de opinião do editor do Crime Brasil: a queda de homicídios no Paraná esconde a alta em mortes no trânsito, suicídios e feminicídios — com o dado da plataforma.

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O Eco
Reportagem
O Eco
Reportagem · Amazônia

Reportagem sobre violência fundiária e baixa punição de crimes ambientais na Amazônia, cruzando dados do Crime Brasil com CPT, Ibama, CNJ e MapBiomas.

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IBCCRIM · JCC
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Artigo no Jornal de Ciências Criminais sobre os limites do acesso a microdados criminais no Brasil, citando o Crime Brasil.

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