Taubaté tem mais ocorrências, mas Lagoinha registra mais que o dobro da taxa de homicídios
Vizinhas na região de Taubaté, as duas cidades exibem retratos opostos da violência: a maior concentra mais ocorrências em termos proporcionais, enquanto a menor carrega a taxa de homicídios mais alta.
Os dois indicadores apontam em direções contrárias. Taubaté soma 1.793 ocorrências por 100 mil habitantes, contra 1.216 em Lagoinha, uma distância de quase 600 registros na mesma base de comparação. Quando a medida passa a ser homicídio, a ordem se inverte: Lagoinha marca 38,6 por 100 mil, e Taubaté, 17,1. A cidade com menos registros proporcionais apresenta mais que o dobro da taxa de homicídios da vizinha. Nenhuma delas, por esses números, pode ser descrita como simplesmente mais segura ou mais violenta que a outra.
Pausa: e o seu endereço?
O tamanho das duas ajuda a explicar parte desse contraste. Taubaté tem pouco mais de 321 mil habitantes, enquanto Lagoinha mal passa de 5 mil, o que dá cerca de 60 moradores de um lado para cada morador do outro. A taxa por 100 mil existe justamente para tornar comparáveis lugares tão desiguais, mas ela tem um limite conhecido. Em um município pequeno, poucos casos bastam para mover o indicador com força, e o resultado pode oscilar bastante de um período para outro. Em uma cidade do porte de Taubaté, o mesmo número de casos teria efeito quase imperceptível.
A natureza de cada medida também pesa na leitura. A taxa de ocorrências reúne registros de tipos variados e depende, em boa parte, de o fato chegar às autoridades. Uma cidade maior, com mais circulação de pessoas e mais estrutura, costuma acumular mais registros sem que isso signifique, por si só, mais risco para cada morador. O homicídio segue outra lógica: é um crime de maior gravidade, mais difícil de passar sem registro e, por isso, tratado como termômetro mais direto da violência letal. Os números disponíveis, porém, não permitem apontar a causa da diferença entre as duas cidades.
A comparação entre vizinhas mostra o risco de olhar um único indicador. Pela taxa geral, Taubaté aparece em situação mais pesada; pela letal, é Lagoinha que chama atenção, ainda que com a ressalva imposta pela população reduzida. Lado a lado, os números descrevem problemas diferentes em territórios separados apenas por uma divisa. Para a cidade menor, o dado pede acompanhamento ao longo do tempo antes de qualquer conclusão definitiva.
📊 Fonte: SSP-SP (12 meses) · IBGE Censo 2022 — dados oficiais, compilados e cruzados pelo Crime Brasil.
Dados do período
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Ocorrências por 100 mil hab. — Taubaté (12 meses) | 1.793 |
| Ocorrências por 100 mil hab. — Lagoinha (12 meses) | 1.216 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Taubaté (12 meses) | 17,1 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Lagoinha (12 meses) | 38,6 |
| População — Taubaté (Censo 2022) | 321.298 |
| População — Lagoinha (Censo 2022) | 5.182 |
Fonte e metodologia
Dados oficiais das secretarias de segurança pública e demais fontes públicas, compilados e cruzados pelo Crime Brasil. Lista completa de fontes em /fontes; detalhamento da metodologia em /metodologia.




















