Mongaguá registra mais ocorrências que Praia Grande, mas menos homicídios por habitante
Mongaguá e Praia Grande, cidades vizinhas de portes muito diferentes, trocam de posição quando a comparação passa da taxa geral de ocorrências para a taxa de homicídios.
A distância populacional é o primeiro dado que chama atenção. Praia Grande tem cerca de 365 mil habitantes, quase seis vezes os 64,5 mil de Mongaguá. As taxas por 100 mil moradores colocam os dois municípios na mesma régua, e o resultado contraria a ideia de que a cidade maior concentra sempre os piores indicadores. Mongaguá soma 4.251 ocorrências por 100 mil habitantes, contra 3.499 em Praia Grande. A menor das duas fica, nesse recorte, cerca de 20% acima da vizinha.
Pausa: e o seu endereço?
Nos homicídios, a ordem se inverte. Praia Grande registra 17,5 casos por 100 mil habitantes, enquanto Mongaguá marca 15,5. A diferença, de dois pontos, é proporcionalmente menor que a observada nas ocorrências em geral. Mesmo com a vantagem de Mongaguá, os dois resultados ficam próximos, o que indica um patamar de violência letal parecido dos dois lados da divisa.
A divergência entre os indicadores ajuda a mostrar por que um único número não resume a segurança de um município. A taxa de ocorrências agrega registros de naturezas variadas e também reflete a procura pela polícia, enquanto o homicídio trata do desfecho mais grave. Uma cidade pode, por isso, aparecer em pior situação em uma medida e em melhor situação em outra, sem contradição. O tamanho da população também pesa na leitura. Em Mongaguá, com base bem menor, poucos casos a mais ou a menos são suficientes para mover a taxa de homicídios, efeito que se dilui em uma cidade do porte de Praia Grande.
A vizinhança torna a comparação mais relevante, porque as duas cidades fazem divisa e o crime não obedece a limites municipais. Os números, porém, não apontam uma cidade mais segura do que a outra de forma absoluta: cada uma leva vantagem em um dos indicadores. Tampouco explicam, sozinhos, as causas da diferença. O retrato disponível mostra Mongaguá com mais registros por habitante e Praia Grande com taxa de homicídios um pouco mais alta, um contraste que recomenda olhar os dois dados em conjunto.
📊 Fonte: SSP-SP (12 meses) · IBGE Censo 2022 — dados oficiais, compilados e cruzados pelo Crime Brasil.
Dados do período
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Ocorrências por 100 mil hab. — Mongaguá (12 meses) | 4.251 |
| Ocorrências por 100 mil hab. — Praia Grande (12 meses) | 3.499 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Mongaguá (12 meses) | 15,5 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Praia Grande (12 meses) | 17,5 |
| População — Mongaguá (Censo 2022) | 64.519 |
| População — Praia Grande (Censo 2022) | 365.577 |
Fonte e metodologia
Dados oficiais das secretarias de segurança pública e demais fontes públicas, compilados e cruzados pelo Crime Brasil. Lista completa de fontes em /fontes; detalhamento da metodologia em /metodologia.




















