Mongaguá registra mais ocorrências por habitante que Praia Grande, mas taxa de homicídios empata
Separadas por uma divisa no litoral sul paulista, Mongaguá e Praia Grande ficam próximas em um indicador de violência e distantes em outro.
Mongaguá tem pouco mais de 64 mil habitantes. Praia Grande, a vizinha, passa de 365 mil, uma população quase seis vezes maior. Mesmo assim, a cidade menor fica à frente na taxa geral de ocorrências, com 4.300 registros por 100 mil habitantes, contra cerca de 3.500 em Praia Grande. A diferença chega a quase 800 ocorrências na mesma base de população. Esse resultado contraria a ideia comum de que os centros maiores sempre concentram mais problemas de segurança em proporção aos moradores.
Pausa: e o seu endereço?
No indicador mais grave, o quadro muda. As duas cidades têm exatamente 17 homicídios por 100 mil habitantes. Em números absolutos, Praia Grande tem muito mais vítimas, porque tem muito mais moradores. Em proporção, porém, o risco de morte violenta é o mesmo dos dois lados da divisa. A coincidência chama atenção, já que cidades de tamanhos tão diferentes raramente chegam a taxas idênticas.
A distância entre as ocorrências gerais e os homicídios ajuda a entender o que acontece na região. A taxa geral costuma reunir furtos, roubos, ameaças e outros registros que acompanham o movimento de pessoas, comércio e veículos. Cidades do litoral recebem muitos visitantes nas temporadas, e esse movimento extra não aparece na população oficial usada no cálculo. Em Mongaguá, onde moram menos pessoas, cada registro a mais pesa mais na taxa. Os homicídios seguem outra lógica, mais ligada a conflitos locais e a disputas que não param na fronteira entre municípios.
A divisa entre Mongaguá e Praia Grande separa duas administrações, mas não impede o crime de passar de um lado para o outro. O empate nos homicídios aponta para um problema comum às duas cidades, difícil de resolver com ações isoladas. Uma integração maior entre as polícias e as prefeituras da Baixada Santista parece o caminho natural. Para Mongaguá, falta ainda explicar por que registra mais ocorrências por habitante do que a vizinha bem maior.
📊 Fonte: SSP-SP (12 meses) · IBGE Censo 2022 — dados oficiais, compilados e cruzados pelo Crime Brasil.
Dados do período
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Ocorrências por 100 mil hab. — Mongaguá (12 meses) | 4.300 |
| Ocorrências por 100 mil hab. — Praia Grande (12 meses) | 3.537 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Mongaguá (12 meses) | 17,0 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Praia Grande (12 meses) | 17,0 |
| População — Mongaguá (Censo 2022) | 64.519 |
| População — Praia Grande (Censo 2022) | 365.577 |
Fonte e metodologia
Dados oficiais das secretarias de segurança pública e demais fontes públicas, compilados e cruzados pelo Crime Brasil. Lista completa de fontes em /fontes; detalhamento da metodologia em /metodologia.




















