Mogi Mirim e Artur Nogueira dividem a fronteira, mas não o mesmo risco de homicídio
Vizinhas na região de Mogi Mirim, as duas cidades registram taxas parecidas de ocorrências, porém se afastam quando o assunto é morte violenta.
Mogi Mirim soma pouco mais de 95 mil habitantes e aparece com 1.903 ocorrências por 100 mil moradores. Artur Nogueira, com cerca de 53 mil pessoas, fica em 1.780 por 100 mil. A diferença é de pouco mais de 120 ocorrências por 100 mil, algo em torno de 7% a favor da cidade menor. Do lado de fora, a divisa que separa os dois municípios parece ter pouco peso sobre o volume geral de crimes registrados. Quem atravessa de um lado ao outro encontra realidades estatísticas bastante próximas no total de boletins.
Pausa: e o seu endereço?
O retrato muda quando o olhar se concentra nos homicídios. Mogi Mirim registra 27,2 mortes por 100 mil habitantes, contra 20,7 em Artur Nogueira. São quase sete homicídios a mais a cada 100 mil moradores, uma distância de cerca de 30%. Em uma cidade do tamanho de Mogi Mirim, essa taxa representa, na prática, um número de mortes violentas bem acima do que o volume geral de ocorrências sugeriria. A proximidade no indicador amplo esconde, assim, uma assimetria relevante no indicador mais grave.
Cidades vizinhas com taxas gerais parecidas e taxas de homicídio distintas costumam indicar perfis criminais diferentes. Um município pode concentrar crimes contra o patrimônio, enquanto o outro lida com conflitos que terminam em morte. O porte também pesa: Mogi Mirim tem quase o dobro da população de Artur Nogueira, o que normalmente traz mais circulação de pessoas, mais comércio e mais pontos de atrito. Nenhum desses fatores explica sozinho a diferença de 27,2 para 20,7, mas todos ajudam a entender por que a fronteira comum não garante um padrão comum de violência letal. Comparar apenas o total de ocorrências, nesse caso, levaria a uma leitura incompleta.
Os números mostram duas cidades que compartilham a divisa e um nível parecido de criminalidade registrada, mas não o mesmo risco de morrer de forma violenta. Para Mogi Mirim, a taxa de 27,2 homicídios por 100 mil coloca o problema letal em primeiro plano, acima do que o volume geral de crimes indicaria. Artur Nogueira, menor e com índices um pouco mais baixos nos dois recortes, segue com margem apertada no total de ocorrências. A leitura conjunta dos dois indicadores é o que separa uma comparação superficial de um diagnóstico útil.
📊 Fonte: SSP-SP (12 meses) · IBGE Censo 2022 — dados oficiais, compilados e cruzados pelo Crime Brasil.
Dados do período
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Ocorrências por 100 mil hab. — Mogi Mirim (12 meses) | 1.903 |
| Ocorrências por 100 mil hab. — Artur Nogueira (12 meses) | 1.780 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Mogi Mirim (12 meses) | 27,2 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Artur Nogueira (12 meses) | 20,7 |
| População — Mogi Mirim (Censo 2022) | 95.534 |
| População — Artur Nogueira (Censo 2022) | 53.157 |
Fonte e metodologia
Dados oficiais das secretarias de segurança pública e demais fontes públicas, compilados e cruzados pelo Crime Brasil. Lista completa de fontes em /fontes; detalhamento da metodologia em /metodologia.




















