Ibiúna registra menos ocorrências que Cotia, mas taxa de homicídios é mais de três vezes maior
Vizinhas na região de Ibiúna, as duas cidades paulistas exibem um contraste que uma comparação limitada ao volume geral de registros não mostraria: Cotia lidera nas ocorrências, enquanto Ibiúna lidera, com folga, nos homicídios.
Ibiúna soma cerca de 78 mil habitantes, e Cotia chega perto de 290 mil, quase quatro vezes mais. A diferença de porte torna pouco útil qualquer confronto baseado em números absolutos. Por isso, a comparação mais justa recorre à taxa por 100 mil moradores. Nesse critério, Cotia marca pouco mais de 2 mil ocorrências, contra pouco mais de 1,8 mil em Ibiúna. A vantagem de Ibiúna gira em torno de 10%, distância real, porém modesta.
Pausa: e o seu endereço?
O quadro muda de escala quando a análise chega aos homicídios. Ibiúna apresenta taxa de 37,3 por 100 mil habitantes, enquanto Cotia fica em 11,8. Isso coloca a cidade menor em patamar mais de três vezes superior ao da vizinha. Se nas ocorrências em geral as duas aparecem relativamente próximas, no crime mais grave elas parecem pertencer a realidades distintas. A inversão é o dado central da comparação: a cidade com menos registros por habitante é também a que concentra mais mortes violentas proporcionalmente.
Esse descompasso mostra por que um único indicador conta pouco sobre a segurança de um município. A taxa geral de ocorrências reúne registros de naturezas muito diferentes e depende também da disposição da população em procurar a polícia. O homicídio tende a ser um indicador mais direto da violência letal, embora tenha as próprias limitações. Em cidades menores, cada caso pesa mais no cálculo, e a taxa pode oscilar com mais força do que em municípios populosos. Mesmo com essa ressalva, a distância entre 37,3 e 11,8 é ampla demais para passar sem atenção.
A proximidade geográfica torna o contraste ainda mais significativo, já que a divisa separa dois retratos bem diferentes de violência. Os números disponíveis não explicam as causas dessa distância, mas apontam onde a investigação precisa começar. Para Ibiúna, o desafio mais urgente aparece na letalidade; para Cotia, no volume maior de ocorrências em relação ao tamanho da população.
📊 Fonte: SSP-SP (12 meses) · IBGE Censo 2022 — dados oficiais, compilados e cruzados pelo Crime Brasil.
Dados do período
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Ocorrências por 100 mil hab. — Ibiúna (12 meses) | 1.817 |
| Ocorrências por 100 mil hab. — Cotia (12 meses) | 2.010 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Ibiúna (12 meses) | 37,3 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Cotia (12 meses) | 11,8 |
| População — Ibiúna (Censo 2022) | 77.651 |
| População — Cotia (Censo 2022) | 287.004 |
Fonte e metodologia
Dados oficiais das secretarias de segurança pública e demais fontes públicas, compilados e cruzados pelo Crime Brasil. Lista completa de fontes em /fontes; detalhamento da metodologia em /metodologia.




















