Bauru tem mais ocorrências por habitante, mas Agudos lidera em homicídios
Vizinhas na região de Bauru, as duas cidades ocupam posições opostas nos indicadores de segurança: a maior concentra mais ocorrências por habitante, enquanto a menor registra a taxa de homicídios mais alta.
A divisa é comum, mas a escala é bem diferente. Bauru soma quase 392 mil habitantes, e Agudos fica perto de 39 mil, cerca de um décimo disso. Na taxa geral de ocorrências, o município maior aparece à frente com folga: quase 2.500 registros por 100 mil moradores, contra pouco mais de 1.600 no vizinho. A distância, de cerca de uma vez e meia, combina com o perfil de um polo regional, onde a circulação de pessoas e o movimento do comércio costumam ampliar as oportunidades para delitos do dia a dia.
Pausa: e o seu endereço?
O quadro se inverte quando a medida passa a ser a violência letal. Agudos marca 28,3 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto Bauru registra 17,6, o que coloca a cidade menor cerca de 60% acima da vizinha. A aparente contradição se desfaz quando os dois indicadores são lidos como medidas de fenômenos distintos. A taxa de ocorrências reúne delitos de naturezas muito variadas e tende a ser puxada pelos mais frequentes. O homicídio é bem mais raro, mas representa a forma mais grave de violência, e por isso uma cidade pode parecer mais tranquila no volume geral e ainda assim enfrentar um problema sério de letalidade.
A comparação pede cautela, sobretudo pelo tamanho de Agudos. Em uma população de quase 39 mil pessoas, poucos casos a mais ou a menos bastam para mover a taxa de homicídios de forma visível, algo que pesa bem menos em uma cidade dez vezes maior. A taxa geral também tem um limite próprio, porque depende do que chega a ser registrado: um número menor pode indicar menos crime, mas também menor procura pela polícia. Os dados disponíveis não explicam as causas da diferença, nem mostram quem são as vítimas ou em que circunstâncias as mortes ocorreram. Atribuir o resultado a um único fator, como a presença de facções ou o policiamento local, iria além do que esses números permitem afirmar.
Mesmo com essas ressalvas, a comparação deixa uma conclusão sólida: nenhum indicador isolado resume a segurança de uma cidade. Em Bauru, o volume de ocorrências aponta para a pressão dos crimes mais frequentes, enquanto em Agudos a taxa de homicídios coloca a preservação da vida no centro do debate. Por serem vizinhas, as duas cidades têm também um motivo concreto para olhar esses números em conjunto, já que o problema de uma não termina necessariamente na divisa com a outra.
📊 Fonte: SSP-SP (12 meses) · IBGE Censo 2022 — dados oficiais, compilados e cruzados pelo Crime Brasil.
Dados do período
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Ocorrências por 100 mil hab. — Bauru (12 meses) | 2.482 |
| Ocorrências por 100 mil hab. — Agudos (12 meses) | 1.633 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Bauru (12 meses) | 17,6 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Agudos (12 meses) | 28,3 |
| População — Bauru (Censo 2022) | 391.740 |
| População — Agudos (Censo 2022) | 38.879 |
Fonte e metodologia
Dados oficiais das secretarias de segurança pública e demais fontes públicas, compilados e cruzados pelo Crime Brasil. Lista completa de fontes em /fontes; detalhamento da metodologia em /metodologia.




















