Barrinha lidera em ocorrências, mas Dumont tem a maior taxa de homicídios
Separadas apenas por uma divisa, Barrinha e Dumont exibem retratos invertidos da segurança pública: a primeira tem mais ocorrências por habitante, enquanto a segunda concentra proporcionalmente mais homicídios.
A taxa geral de Barrinha chega a pouco mais de mil ocorrências por 100 mil habitantes. Em Dumont, o mesmo indicador fica perto de 860. Considerada apenas essa medida, a cidade maior aparece como a mais pressionada da dupla. O quadro muda quando a análise passa aos homicídios. Dumont marca quase 31 casos por 100 mil moradores, contra cerca de 21 em Barrinha, uma distância próxima de uma vez e meia.
Pausa: e o seu endereço?
O tamanho das populações ajuda a ler essa diferença. Barrinha tem cerca de 33 mil habitantes, mais de três vezes os quase 10 mil de Dumont. Em municípios pequenos, poucos casos bastam para mover bastante uma taxa calculada por 100 mil moradores, para cima ou para baixo. Esse efeito estatístico não reduz o peso de cada morte, mas recomenda cautela antes de tratar a distância entre as duas cidades como uma diferença estrutural. Uma comparação desse tipo ganha solidez quando acompanhada ao longo de vários anos, e não em um único recorte.
Os dois indicadores também medem fenômenos distintos. A taxa de ocorrências depende, em parte, da disposição dos moradores em procurar a polícia e da facilidade de fazer o registro, fatores que podem variar de um município para outro. O homicídio costuma ser o dado menos sujeito a esse tipo de oscilação, já que raramente deixa de chegar às estatísticas oficiais. Daí a possibilidade de uma cidade somar mais registros no total e, ao mesmo tempo, apresentar menor taxa de mortes violentas. Os números disponíveis não permitem apontar a causa da inversão entre Barrinha e Dumont, apenas mostram que as duas medidas não caminham juntas nesse trecho do mapa.
A vizinhança reforça o interesse em observar os dois municípios em conjunto, porque a dinâmica criminal não costuma parar em um limite administrativo. Para Barrinha, o dado que mais chama atenção é o volume de ocorrências em relação à população. Em Dumont, o ponto sensível está na letalidade, mesmo com uma taxa geral mais baixa que a da vizinha. Lidas lado a lado, as duas taxas oferecem um retrato mais fiel da região do que qualquer número isolado.
📊 Fonte: SSP-SP (12 meses) · IBGE Censo 2022 — dados oficiais, compilados e cruzados pelo Crime Brasil.
Dados do período
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Ocorrências por 100 mil hab. — Barrinha (12 meses) | 1.007 |
| Ocorrências por 100 mil hab. — Dumont (12 meses) | 864 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Barrinha (12 meses) | 21,1 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Dumont (12 meses) | 30,9 |
| População — Barrinha (Censo 2022) | 33.181 |
| População — Dumont (Censo 2022) | 9.719 |
Fonte e metodologia
Dados oficiais das secretarias de segurança pública e demais fontes públicas, compilados e cruzados pelo Crime Brasil. Lista completa de fontes em /fontes; detalhamento da metodologia em /metodologia.




















