Bento Gonçalves registra quase o dobro de ocorrências da vizinha Cotiporã
Separadas apenas por uma divisa na região de Bento Gonçalves, as duas cidades mostram retratos bem diferentes de segurança pública quando os números são ajustados ao tamanho de cada população.
Bento Gonçalves tem quase 128 mil habitantes e registra cerca de 6,5 mil ocorrências para cada 100 mil moradores. Cotiporã, com menos de 4 mil habitantes, fica em torno de 3,5 mil por 100 mil. A distância entre as duas taxas chega perto do dobro. Como o cálculo usa a mesma base proporcional, a diferença de porte entre os municípios não distorce a comparação. Em termos relativos, a cidade maior concentra muito mais registros policiais do que a vizinha.
Pausa: e o seu endereço?
Na violência letal, o contraste é ainda mais nítido. Bento Gonçalves apresenta taxa de homicídios de quase 26 por 100 mil habitantes. Cotiporã não registrou nenhum homicídio no período analisado, e sua taxa ficou zerada. As duas cidades dividem estrada, comércio e circulação diária de moradores, mas não dividem o mesmo padrão de mortes violentas. Em um território tão próximo, a diferença chama atenção.
O tamanho das cidades ajuda a explicar parte do quadro, mas não todo ele. Em municípios pequenos, as taxas por 100 mil oscilam com facilidade: em Cotiporã, um único homicídio já bastaria para levar o índice local a um patamar parecido com o do vizinho. A taxa zerada, por isso, precisa ser lida com cautela e acompanhada ao longo de vários anos. Em Bento Gonçalves, a lógica é outra. Com uma população mais de 30 vezes maior, o indicador é mais estável e reflete uma violência que se repete, não um episódio isolado. Polos urbanos costumam reunir mais circulação de pessoas, mais atividade econômica e mais oportunidades para crimes contra o patrimônio, o que também pesa na taxa geral de ocorrências.
Lado a lado, os dados mostram que a divisa entre dois municípios pode separar realidades bem distintas. Para a gestão pública, o desafio de Bento Gonçalves está na violência letal, que destoa do entorno imediato. Para Cotiporã, o ponto central é manter a série acompanhada de perto, já que poucos casos bastam para mudar o retrato de uma cidade pequena.
📊 Fonte: SSP-RS (12 meses) · IBGE Censo 2022 — dados oficiais, compilados e cruzados pelo Crime Brasil.
Dados do período
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Ocorrências por 100 mil hab. — Bento Gonçalves (12 meses) | 6.479 |
| Ocorrências por 100 mil hab. — Cotiporã (12 meses) | 3.464 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Bento Gonçalves (12 meses) | 25,8 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Cotiporã (12 meses) | 0,0 |
| População — Bento Gonçalves (Censo 2022) | 127.775 |
| População — Cotiporã (Censo 2022) | 3.926 |
Fonte e metodologia
Dados oficiais das secretarias de segurança pública e demais fontes públicas, compilados e cruzados pelo Crime Brasil. Lista completa de fontes em /fontes; detalhamento da metodologia em /metodologia.




















