Vizinhas, Quatro Barras e Campina Grande do Sul divergem entre volume de ocorrências e homicídios
Separadas apenas por uma divisa, Quatro Barras e Campina Grande do Sul exibem retratos opostos da violência: a menor tem mais ocorrências proporcionais e taxa zero de homicídios, enquanto a maior chega a 22 homicídios por 100 mil habitantes.
No volume de ocorrências, Quatro Barras aparece à frente. A cidade soma pouco mais de 7,1 mil registros por 100 mil habitantes, contra cerca de 6,6 mil na vizinha. A distância existe, mas é curta, e não autoriza tratar um dos municípios como muito mais conflagrado que o outro. Nesse indicador, os dois ocupam um patamar parecido, e quem olhasse só para ele poderia concluir que vivem a mesma realidade. O quadro muda de figura quando a lente passa para o crime mais grave.
Pausa: e o seu endereço?
Nos homicídios, a ordem se inverte e a diferença deixa de ser sutil. Quatro Barras registra taxa zero, ao passo que Campina Grande do Sul marca 22 por 100 mil. A cidade com mais ocorrências proporcionais é, nessa comparação, justamente a que não tem homicídio na estatística. O contraste separa duas medidas que costumam ser tratadas como uma só: quanto crime é registrado em um lugar e quão letal é a violência que acontece ali. Um índice alto de registros não leva necessariamente à morte violenta, e um índice um pouco menor não protege contra ela.
O tamanho das cidades pesa nessa leitura. Com cerca de 25 mil moradores, Quatro Barras tem praticamente metade da população de Campina Grande do Sul, que beira os 50 mil. Em municípios desse porte, taxas por 100 mil oscilam com facilidade, porque poucos casos já bastam para mover o indicador com força. Uma taxa zero descreve o período medido, sem garantir imunidade futura, e o mesmo cuidado vale para os 22 da vizinha. Há ainda um limite no próprio conceito de ocorrência: o indicador conta registros, e um volume maior pode refletir tanto mais crime quanto mais facilidade ou disposição para procurar a polícia.
A divisa comum dá peso à comparação, já que as duas cidades dividem a mesma região e, ainda assim, não apresentam o mesmo perfil. O total de ocorrências, sozinho, apontaria Quatro Barras como o ponto mais problemático, enquanto os homicídios, isolados, levariam à conclusão inversa. Nenhum dos dois recortes basta para descrever a segurança de um município. O retrato mais fiel sugere duas frentes distintas para o poder público local, com o volume de registros de um lado da divisa e a letalidade do outro.
📊 Fonte: SSP-PR (12 meses) · IBGE Censo 2022 — dados oficiais, compilados e cruzados pelo Crime Brasil.
Dados do período
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Ocorrências por 100 mil hab. — Quatro Barras (12 meses) | 7.141 |
| Ocorrências por 100 mil hab. — Campina Grande do Sul (12 meses) | 6.580 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Quatro Barras (12 meses) | 0,0 |
| Homicídios por 100 mil hab. — Campina Grande do Sul (12 meses) | 22,0 |
| População — Quatro Barras (Censo 2022) | 25.109 |
| População — Campina Grande do Sul (Censo 2022) | 49.971 |
Fonte e metodologia
Dados oficiais das secretarias de segurança pública e demais fontes públicas, compilados e cruzados pelo Crime Brasil. Lista completa de fontes em /fontes; detalhamento da metodologia em /metodologia.




















