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Golpes digitais explodem: estelionato é o crime que mais cresce no RS

Por Valdo Stonehart·Metodologia

Verificado em 8 de abril de 2026

Enquanto roubos a pedestre caíram 63% desde 2022, o estelionato ultrapassou 100 mil ocorrências em 2025 no RS — incluindo fraude eletrônica e ativos virtuais. Em janeiro de 2025, bateu o maior número mensal já registrado: 9.353 casos.

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Destaques
Roubo a pedestre
-63%
Caiu de 25.063 em 2022 para 9.287 em 2025. A maior queda entre os crimes de rua.
Estelionato, o crime que mais cresce no RS — Crime Brasil.

O crime de rua está em queda. Roubo a pedestre caiu pela metade. Furto simples também recua. Mas enquanto isso acontece, o estelionato não para. Em 2025, somando estelionato tradicional, fraude eletrônica e ativos virtuais, o RS registrou mais de 100 mil ocorrências — o maior volume já registrado.

A criminalidade não desapareceu — ela migrou de endereço.

01

A DIVERGÊNCIA: UMA SOBE, A OUTRA CAI

Os dados de 2022 a 2025 mostram duas trajetórias opostas. Roubo a pedestre, que chegou a 25 mil registros em 2022, está em colapso. Estelionato oscila num patamar alto e não cede.

AnoEstelionato*Roubo a pedestreFurto simples
202290.32525.06316.896
202395.45221.12826.908
202496.84111.19724.604
2025100.0649.28722.967

*Inclui estelionato tradicional, fraude eletrônica e ativos virtuais (todos os subtipos registrados como ESTELIONATO na SSP/RS).

Roubo a pedestre caiu 63% de 2022 a 2025. Furto simples também recua. Estelionato foi na direção oposta: cresceu 11% no mesmo período, chegando a mais de 100 mil ocorrências em 2025.

A queda mais expressiva entre os crimes de rua no período analisado.
2022
25.063
→
2025
9.287
Variação: -63%

O que explica a queda dos crimes de rua? Algumas hipóteses: menor circulação de dinheiro físico, expansão do PIX que reduziu o valor de roubar celulares e carteiras, maior presença de câmeras urbanas, e o efeito residual das enchentes de 2024 que manteve parte da população deslocada.

O que explica a persistência do estelionato? O crime digital não tem fricção geográfica. Não depende de a vítima estar em determinado lugar. Não exige presença física do criminoso. E a entrada no crime é muito mais acessível — qualquer pessoa com um celular pode aplicar golpes.

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02

O PICO DE JANEIRO DE 2025

O maior número mensal de estelionatos já registrado no RS foi em janeiro de 2025: 9.353 ocorrências em um único mês.

1.9.353 estelionatos em janeiro de 2025 — o maior mensal da série histórica do RS

Janeiro concentra fatores propícios: décimo terceiro salário ainda circulando, férias escolares, Black Friday acabou de passar (golpes de entrega falsa se estendem por semanas). Além disso, é quando mais pessoas tomam decisões financeiras de início de ano — investimentos, renovações de contrato, compras maiores.

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O pico de janeiro não é exclusivo de 2025. Em vários anos, o primeiro mês do ano aparece entre os maiores da série. Mas 2025 bateu o recorde absoluto — e isso aconteceu num contexto onde as enchentes de 2024 comprimiram os números dos meses anteriores.

03

QUEM SÃO AS VÍTIMAS

O perfil das vítimas de estelionato surpreende quem acha que golpe digital é problema de jovem. Quase metade das vítimas tem mais de 45 anos.

Faixa etáriaVítimas%
30–44 anos28.51029,5%
45–59 anos26.61727,5%
60+ anos26.21927,1%
18–29 anos15.15015,7%
0–17 anos2220,2%

Somando 45-59 e 60+, chegamos a quase 55% das vítimas. A faixa 60+ sozinha representa 27% — mais de um quarto de todos os estelionatos registrados.

A lógica é perversa mas simples: pessoas mais velhas tendem a ter mais recursos, a confiar mais em autoridades (golpe do falso policial, falso banco), e a ter menos familiaridade com os padrões de golpe que circulam nas redes sociais.

2.27% das vítimas de estelionato têm 60 anos ou mais — idosos são o alvo preferencial

O golpe do falso banco, o golpe do neto preso, o falso investimento — são todos formatados pra explorar confiança, urgência e menor familiaridade digital. Falar com familiares mais velhos sobre esses padrões é uma das medidas preventivas mais eficazes.

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04

OS BAIRROS DE PORTO ALEGRE

Uma das perguntas mais comuns: estelionato se concentra em algum bairro específico? A resposta curta: não tanto quanto os crimes de rua.

BairroOcorrências (últ. 12 meses)
Sarandi591
Centro568
Santana541
Rubem Berta480
Menino Deus480
Partenon454
Centro Histórico402
Restinga363
Petrópolis355
Cavalhada298

O dado mais revelador não é o topo da lista — é a amplitude dela. Sarandi, Menino Deus, Petrópolis e Cavalhada representam perfis socioeconômicos completamente diferentes. Estelionato não escolhe bairro nobre ou periférico. Aparece em todos.

A concentração no Centro e Centro Histórico provavelmente reflete mais o alto fluxo de pessoas do que uma vulnerabilidade específica dessas populações. Sarandi e Rubem Berta, na Zona Norte, aparecem em primeiro por volume populacional e vulnerabilidade socioeconômica.

05

POR QUE ISSO ACONTECE

A migração do crime de rua pro crime digital tem uma lógica clara. O crime de rua tem fricções: precisa de presença física, tem risco de confronto, depende de receptação do produto roubado. O crime digital não tem nada disso.

Um golpista pode operar de qualquer lugar do Brasil, usando números de telefone temporários, contas laranja e aplicativos de mensagens. O rastreamento é difícil. A punição é rara — golpes menores raramente chegam a condenação. E o retorno financeiro pode ser alto.

Enquanto o policiamento ostensivo e as câmeras urbanas pressionam os crimes de rua, o ambiente digital oferece anonimato e escala. Um golpista de rua aborda uma vítima por vez. Um golpista digital pode mandar mil mensagens simultâneas.

Os tipos de golpe mais comuns no RS

Nos boletins de ocorrência da SSP/RS, o estelionato aparece sem discriminação do subtipo (golpe do Pix, falso banco, romance scam etc.). Mas com base em dados nacionais e reportagens locais, os golpes mais frequentes no RS em 2024-2025 foram: golpe do falso funcionário de banco (Pix reverso), golpe da falsa central de atendimento, golpe do falso emprego, golpe de romance (relacionamento falso pra extorquir dinheiro) e falsas ofertas de crédito.

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06

METODOLOGIA E FONTES

Metodologia, fonte, ressalvas e limites

Fonte dos dados: Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS), registros individuais de boletins de ocorrência disponibilizados sob a Lei Estadual 15.610/2021.

Período: janeiro de 2022 a dezembro de 2025. O pico mensal foi identificado na série completa mensal de 2022 a 2025.

Definição de estelionato: todos os registros com tipo_enquadramento contendo "ESTELIONATO" (busca ampla, inclui ESTELIONATO, ESTELIONATO FRAUDE ELETRONICA, ESTELIONATO ATIVOS VIRTUAIS e outros subtipos registrados pela SSP/RS). Esta é a definição mais completa e reflete toda a fraude digital registrada formalmente.

Bairros de Porto Alegre: análise dos últimos 12 meses da série (aproximadamente janeiro de 2025 a dezembro de 2025). Usa a mesma definição ampla de estelionato descrita acima.

Nota sobre tendência 2022-2025: a série mostra crescimento consistente de 11% no período — de 90.325 em 2022 para 100.064 em 2025. Não há dip estrutural em 2024; o volume manteve trajetória ascendente mesmo com as enchentes de maio de 2024.

Faixa etária: baseada nos campos de faixa etária dos registros individuais da SSP/RS. Casos sem informação de idade foram excluídos da análise por faixa etária.

Limitações: estelionato digital é provavelmente muito mais subnotificado do que crimes de rua — muitas vítimas sentem vergonha, acham que não adianta registrar, ou não sabem que podem fazer um BO. Os números desta análise representam um piso. Extração realizada em 08 de abril de 2026.

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Citado por Gazeta do Povo, O Eco, Tribuna do Planalto

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Como citar esta página

CRIME BRASIL. Golpes digitais explodem: estelionato é o crime que mais cresce no RS. Disponível em: <https://crimebrasil.com.br/analises/estelionato-crime-que-mais-cresce-rs>. Acesso em: 20 out. 2026.

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Vinícius Mendes
Repórter · Olhar Direto (Cuiabá · MT)

Repórter da editoria de Reportagem do Olhar Direto, portal de notícias de Cuiabá (MT), com cobertura de segurança pública e casos policiais no estado. Usou o dado do Crime Brasil para reportar a queda de roubos e a alta de estelionatos em Mato Grosso.

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Jair GonçalvesDepoimento
Jair Gonçalves
Fundador · Portal Atibaia News

Fundador do Portal Atibaia News, veículo de notícias de Atibaia (interior de São Paulo). Publicou com o dado do Crime Brasil o ranking de ocorrências por bairro da cidade.

“Parabéns à Crime Brasil pelo excelente trabalho de jornalismo de dados! As informações disponibilizadas possibilitaram ao Portal Atibaia News produzir uma importante matéria sobre os números de ocorrências policiais por bairro em Atibaia, levando informação e transparência aos nossos leitores. Muito obrigado.”
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Douglas, médico veterinário, comanda com a família o canal Mundo de Cores, sobre vida no campo, no Rio Grande do Sul.

“Só Compre uma Chácara Após Assistir Esse Vídeo!”

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“Gratidão pelas informações. Essa é uma excelente ferramenta para uma decisão segura.”

— @marceloguilemond1632

“Verdade, pode ajudar muito mesmo!”

— Mundo de Cores (canal)

“Muito Bom!”

— @edmundosantos3812
Gazeta do Povo
Artigo de opinião
Gazeta do Povo
Artigo assinado · Paraná

Artigo de opinião do editor do Crime Brasil: a queda de homicídios no Paraná esconde a alta em mortes no trânsito, suicídios e feminicídios — com o dado da plataforma.

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O Eco
Reportagem
O Eco
Reportagem · Amazônia

Reportagem sobre violência fundiária e baixa punição de crimes ambientais na Amazônia, cruzando dados do Crime Brasil com CPT, Ibama, CNJ e MapBiomas.

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Tribuna do Planalto
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Tribuna do Planalto
Goiânia · edição impressa

Matéria de capa cruzando a queda de homicídios em Goiás com a alta no entorno do Distrito Federal, a partir do dado da plataforma.

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Levantamento exclusivo
Gazeta de S.Paulo
São Paulo · capital

Levantamento exclusivo do mapa da criminalidade na capital paulista — Moema com muito mais infrações que o Grajaú — com o dado do Crime Brasil.

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IHU · Unisinos
Fonte acadêmica
IHU · Unisinos
Instituto Humanitas Unisinos

Entrevista do Instituto Humanitas Unisinos que cita a plataforma como fonte de microdado criminal aberto.

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IBCCRIM · JCC
Revisado por pares
IBCCRIM · JCC
Jornal de Ciências Criminais

Artigo no Jornal de Ciências Criminais sobre os limites do acesso a microdados criminais no Brasil, citando o Crime Brasil.

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Wikipédia
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