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Homicídios caem. Tráfico sobe. O que RS e RJ revelam sobre o crime organizado

Por Valdo Stonehart·Metodologia

Verificado em 14 de abril de 2026

A CPI do Crime Organizado encerrou em 14 de abril de 2026 com um relatório que sacudiu o país. Mas os dados reais de dois estados contam uma história mais silenciosa — e mais preocupante. Em RS e RJ, homicídios dolosos estão em queda. O tráfico de drogas, não.

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Destaques
Homicídios no RS
-40,5%
Homicídios dolosos caíram de 1.628 (2022) para 968 (2025) no Rio Grande do Sul. A maior queda dos dois estados analisados.
Congresso Nacional em Brasília com reflexo no espelho d'água
Brasília (DF)
Foto: Gabriel Tiveron / Unsplash

A CPI do Crime Organizado encerrou em 14 de abril de 2026. Durou 120 dias, ouviu dezenas de depoimentos, produziu um relatório que pede a cabeça de ministros do STF — e estimou que o crime organizado custa ao Brasil ao menos R$ 450 bilhões por ano, só em impactos diretos ao setor privado.

Esse número é o diagnóstico do custo. Mas não explica o mecanismo. Como o crime organizado chega a esse patamar sem que as pessoas morram mais?

Os dados de RS e RJ respondem essa pergunta. E a resposta é incômoda.

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01

O PARADOXO: MENOS MORTES, MAIS TRÁFICO

No RS, homicídios dolosos caíram 40,5% entre 2022 e 2025. No RJ, 7%. Isso é real — e, à primeira vista, é uma boa notícia.

Mas no mesmo período, o tráfico foi na direção contrária. RS: +11,8%. RJ: +23,5%. Os dois estados, ao mesmo tempo, no mesmo sentido.

Isso não é coincidência regional. É um padrão.

O RS teve a queda mais consistente: sem nenhum ano de alta, trajetória contínua para baixo. O RJ oscilou — chegou a subir em 2023, depois recuou. Mas nos dois casos, o resultado final de 2025 ficou abaixo de 2022.

Enquanto os homicídios caíam nos dois estados, o tráfico subia nos dois. Não existe explicação que trate esses movimentos como independentes. A pergunta não é "por que o tráfico sobe?" — é "por que os homicídios caem enquanto o tráfico sobe?"

1.O paradoxo não é acidente — é sinal de controle

Quando uma facção já domina um território, ela não precisa matar todo dia. Precisa cobrar, distribuir, expandir. O ratio tráfico/homicídio no RS passou de 10,3x em 2023 para 18,6x em 2025. Não é menos crime. É crime mais eficiente.

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02

O RS SOB A LUPA: O INTERIOR AVANÇA

No RS, o dado que mais revela não é a queda dos homicídios. É onde o tráfico está crescendo.

Porto Alegre concentra 16,6% dos registros de tráfico do estado — exatamente proporcional ao seu peso populacional. A capital oscilou: caiu em 2024, voltou em 2025. Nenhuma tendência clara. Quem cresceu de forma consistente, sem recuo, foi o interior.

Caxias do Sul saiu de 347 registros em 2023 para 648 em 2025: alta de 86,7% em dois anos. Santa Maria foi de 514 para 810 — alta de 57,6%. Cidades do interior gaúcho, sem histórico de domínio de facções na mesma escala das metrópoles, crescendo mais rápido que a capital.

No mesmo período, o crime se armou. Registros de comércio ilegal de arma de fogo saíram de 24 em 2023 para 46 em 2025 — quase dobrou. Não é que a polícia passou a registrar mais. É que há mais movimento de armamento ilegal circulando.

Três movimentos simultâneos no RS: menos homicídios, mais tráfico no interior, mais armamento. Não são dados isolados. São os três sinais clássicos de expansão territorial de crime organizado — fase de consolidação, não de guerra.

2.Interior do RS: expansão sem confronto

Caxias +86,7%, Santa Maria +57,6% no tráfico. Armas ilegais +91,7%. Homicídios em queda. Esse padrão — armamento crescendo enquanto mortes caem — é o oposto do que se espera de crime desorganizado. É o que acontece quando uma organização já estabeleceu controle e está expandindo o alcance sem precisar brigar.

Explore os dados do RS

Veja a evolução de homicídios, tráfico e armamento por município no Crime Brasil.

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03

O RJ SOB A LUPA: POLÍCIA MATA MAIS, TRÁFICO TAMBÉM SOBE

No Rio de Janeiro, o dado que chama atenção não é o tráfico sozinho. É o que acontece quando você coloca mortes policiais e tráfico na mesma linha do tempo.

A letalidade policial no RJ teve uma longa trajetória de queda: de 1.814 mortes em 2019, chegou a 703 em 2024 — o menor nível em uma década. Em 2025, reverteu: 798 casos, alta de 13,5% em relação a 2024. Ainda longe do pico histórico, mas a tendência foi interrompida.

Em outubro de 2025, o RJ registrou 175 mortes por intervenção policial em um único mês — o número mais alto do ano. Nesse mesmo período, o tráfico seguia a trajetória de alta que levaria a 23,5% de crescimento no acumulado anual.

O que o RJ mostra é diferente do RS, mas complementa a mesma tese. Nos anos em que a polícia matava mais (2019–2022), o tráfico também era alto. Nos anos em que matava menos (2023–2024), o tráfico começou a subir. Em 2025, os dois subiram juntos.

A letalidade policial não controlou o tráfico nos anos de alta. E a redução da letalidade também não. O tráfico tem lógica própria — e ela não depende da intensidade da repressão para crescer.

3.RJ: 1 em cada 5 mortes violentas foi pela polícia

Em 2025, com 2.844 homicídios dolosos e 798 mortes por intervenção policial, o RJ registrou uma morte policial pra cada 3,6 homicídios. A polícia é responsável por uma fatia significativa da violência letal — e o tráfico cresceu 23,5% no mesmo ano. Os dois indicadores se movendo juntos, sem um neutralizar o outro.

04

O QUE ISSO SIGNIFICA — E O QUE A CPI NÃO VIU

A CPI do Crime Organizado chegou ao número de R$ 450 bilhões por ano como custo ao setor privado. É o maior diagnóstico nacional já feito sobre o tema. Mas o relatório trata o crime organizado como um problema de infiltração — nas instituições, na economia formal, no sistema financeiro.

Os dados estaduais mostram algo diferente: o crime organizado é também um problema de expansão territorial silenciosa.

A queda dos homicídios no RS e no RJ não é sinal de menos crime. É sinal de mais controle. Quando uma facção já domina uma área, ela não precisa matar todo dia — precisa cobrar, distribuir, lavar dinheiro. O tráfico subindo enquanto os homicídios caem é a assinatura desse processo.

No RS, o interior crescendo mais que a capital conta a história da expansão: o crime organizado está chegando em cidades que antes não estavam no radar. Caxias do Sul e Santa Maria não são novas capitais do crime — são novas fronteiras. E o armamento crescendo 91,7% diz que essa expansão não é desarmada.

No RJ, a dinâmica é mais complexa. A polícia mata mais em 2025 que em 2024, e o tráfico também cresce. Nenhum dos dois movimentos cancela o outro — e isso é o que torna o cenário carioca mais difícil de resolver só com mais repressão.

Os R$ 450 bilhões da CPI são o custo do crime consolidado. Os dados de RS e RJ mostram como esse crime se consolida: menos confronto aberto, mais território, mais armamento, mais tráfico. O crime organizado brasileiro está ficando mais silencioso. E silêncio, nesse caso, não é o mesmo que ausência.

Explore os dados do RJ

Veja a evolução de homicídios, letalidade policial e tráfico por município no Crime Brasil.

metodologia e limites

Fontes e metodologia

Os dados de RS são registros individuais de ocorrência da SSP/RS (Lei 15.610/2021, dados abertos), abrangendo 2022–2025, com 2,9 milhões de registros no banco. Tráfico de drogas no RS usa série a partir de 2023 — o volume de 2022 (602 registros) indica cobertura incompleta naquele ano.

Os dados de RJ são agregados municipais do ISP/RJ (Instituto de Segurança Pública), série 2003–2025.

Taxas por 100 mil habitantes calculadas com base nas projeções populacionais IBGE 2022: RS 11.466.630, RJ 17.463.349.

Todos os números foram verificados diretamente contra o banco de dados em 14/04/2026. O banco é atualizado semanalmente com novos arquivos das secretarias estaduais.

Limitação importante: registros policiais capturam apenas parte da criminalidade real. Tráfico, lavagem de dinheiro e associação criminosa têm subnotificação estimada em 50–80% pelos pesquisadores do FBSP.

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Citado por Gazeta do Povo, O Eco, Tribuna do Planalto

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Como citar esta página

CRIME BRASIL. Homicídios caem. Tráfico sobe. O que RS e RJ revelam sobre o crime organizado. Disponível em: <https://crimebrasil.com.br/analises/crime-organizado-brasil-paradoxo-2025>. Acesso em: 20 out. 2026.

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Depoimento em vídeo
Vinícius Mendes
Repórter · Olhar Direto (Cuiabá · MT)

Repórter da editoria de Reportagem do Olhar Direto, portal de notícias de Cuiabá (MT), com cobertura de segurança pública e casos policiais no estado. Usou o dado do Crime Brasil para reportar a queda de roubos e a alta de estelionatos em Mato Grosso.

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Jair GonçalvesDepoimento
Jair Gonçalves
Fundador · Portal Atibaia News

Fundador do Portal Atibaia News, veículo de notícias de Atibaia (interior de São Paulo). Publicou com o dado do Crime Brasil o ranking de ocorrências por bairro da cidade.

“Parabéns à Crime Brasil pelo excelente trabalho de jornalismo de dados! As informações disponibilizadas possibilitaram ao Portal Atibaia News produzir uma importante matéria sobre os números de ocorrências policiais por bairro em Atibaia, levando informação e transparência aos nossos leitores. Muito obrigado.”
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Review em vídeo
Mundo de Cores
YouTube · 347 mil inscritos

Douglas, médico veterinário, comanda com a família o canal Mundo de Cores, sobre vida no campo, no Rio Grande do Sul.

“Só Compre uma Chácara Após Assistir Esse Vídeo!”

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Comentários no vídeo

“Gratidão pelas informações. Essa é uma excelente ferramenta para uma decisão segura.”

— @marceloguilemond1632

“Verdade, pode ajudar muito mesmo!”

— Mundo de Cores (canal)

“Muito Bom!”

— @edmundosantos3812
Gazeta do Povo
Artigo de opinião
Gazeta do Povo
Artigo assinado · Paraná

Artigo de opinião do editor do Crime Brasil: a queda de homicídios no Paraná esconde a alta em mortes no trânsito, suicídios e feminicídios — com o dado da plataforma.

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O Eco
Reportagem
O Eco
Reportagem · Amazônia

Reportagem sobre violência fundiária e baixa punição de crimes ambientais na Amazônia, cruzando dados do Crime Brasil com CPT, Ibama, CNJ e MapBiomas.

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Tribuna do Planalto
Capa do jornal
Tribuna do Planalto
Goiânia · edição impressa

Matéria de capa cruzando a queda de homicídios em Goiás com a alta no entorno do Distrito Federal, a partir do dado da plataforma.

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Levantamento exclusivo
Gazeta de S.Paulo
São Paulo · capital

Levantamento exclusivo do mapa da criminalidade na capital paulista — Moema com muito mais infrações que o Grajaú — com o dado do Crime Brasil.

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IHU · Unisinos
Fonte acadêmica
IHU · Unisinos
Instituto Humanitas Unisinos

Entrevista do Instituto Humanitas Unisinos que cita a plataforma como fonte de microdado criminal aberto.

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IBCCRIM · JCC
Revisado por pares
IBCCRIM · JCC
Jornal de Ciências Criminais

Artigo no Jornal de Ciências Criminais sobre os limites do acesso a microdados criminais no Brasil, citando o Crime Brasil.

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Citado na
Wikipédia
Vila Sônia · Cidade Tiradentes
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Publicação
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Paper · Crime Brasil
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