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O Rio perdeu 72 mil celulares em 2025 — um a cada 7 minutos

Por Valdo Stonehart·Metodologia

Verificado em 7 de maio de 2026

Em 2025, o estado do Rio registrou 72.187 ocorrências entre roubo e furto de celular — alta de 22,7% sobre 2024. Quase 200 aparelhos por dia, um a cada 7 minutos. E o crime tem dois rostos.

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Destaques
Total 2025
72.187
Roubos + furtos de celular registrados no estado do RJ em 2025 — o maior número da série.
Funcionário da Comlurb fotografando a praia de Copacabana com o celular, com o Morro Dois Irmãos ao fundo
Copacabana, Rio de Janeiro (RJ)
Unsplash

Quase todo carioca tem uma. A história começa parecida: o aparelho some na orla, no metrô, no ônibus, na esquina da padaria. Às vezes na mão de alguém apontando uma arma. Às vezes só some — o bolso fica vazio sem ninguém perceber.

Em 2025, isso aconteceu 72.187 vezes no estado do Rio de Janeiro. Foi o maior número da série e a alta foi a mais brusca dos últimos anos: 22,7% em um único ano.

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01

O TAMANHO DO PROBLEMA

A série histórica do ISP-RJ (Instituto de Segurança Pública) mostra um crescimento contínuo desde 2022. Mas a aceleração de 2024 para 2025 foi a mais agressiva.

AnoRouboFurtoTotal
202216.19330.01646.209
202315.49632.91248.408
202421.41637.39758.813
202525.58146.60672.187

Em três anos o número saltou de 46 mil pra 72 mil — alta de 56%. Pra efeito de comparação, no mesmo período o número de homicídios dolosos no estado caiu.

1.A média diária bate quase 200 aparelhos

72.187 dividido por 365 dá 197,77 — o que arredonda pra 198 aparelhos por dia em 2025. Convertendo pra minutos: um celular some a cada 7,3 minutos no estado do Rio. Enquanto você leu até aqui, é provável que mais de um já tenha sido levado em algum lugar do RJ.

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02

DOIS CRIMES, MESMO NOME

Os números agregados escondem uma diferença que importa: roubo e furto de celular não são a mesma coisa.

Roubo envolve violência ou ameaça — alguém com arma, faca, ou força física toma o aparelho. Furto é a subtração silenciosa: bolso, mochila, mesa do bar, dentro do ônibus. A vítima só percebe depois.

O Rio registra muito mais furto que roubo. Em 2025, foram 46.606 furtos contra 25.581 roubos — proporção de quase 2 pra 1.

A foto fica mais nítida quando você separa as duas modalidades. A proporção entre roubo e furto muda completamente dependendo do município.

MunicípioRouboFurto% roubo
Belford Roxo73711287%
Duque de Caxias1.91672573%
Nova Iguaçu1.85083069%
São João de Meriti84937969%
Nilópolis36426858%
São Gonçalo60385941%
Rio de Janeiro17.58036.76332%
Campos dos Goytacazes15738229%
Niterói3751.84917%
Petrópolis254575%

A Baixada Fluminense vive um crime; Niterói e Petrópolis vivem outro.

Em Belford Roxo, 87% das ocorrências são roubo armado. Em Petrópolis, 95% são furto. Mesmo dado nacional, mesma manchete, mas a experiência é completamente diferente — quem perde celular na Baixada quase sempre olhou pra um cano de arma; quem perde em Petrópolis nem viu o ladrão.

2.Belford Roxo tem 7x mais roubo que furto. Petrópolis tem 18x mais furto que roubo.

Não é o mesmo crime. Quando o celular vai embora num assalto à mão armada, a vítima sai com trauma físico e psicológico. Quando some no bolso, o prejuízo é só financeiro — o aparelho, as fotos, eventualmente o acesso a contas bancárias. Tratar tudo como "celular perdido" achata uma diferença que define vidas.

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03

ONDE O CELULAR SOME

O município do Rio de Janeiro concentra 54.343 das 72.187 ocorrências de 2025 — 75% do total estadual. Não é surpreendente: a capital tem 6,7 milhões de habitantes e recebe milhões de turistas e trabalhadores diários.

Mas o que chama atenção é a velocidade da capital. Em 2024 foram 43.742 ocorrências; em 2025, 54.343. Alta de 24,2% — acima da média do estado.

Município20242025Variação
Rio de Janeiro43.74254.343+24,2%
Nova Iguaçu2.2762.680+17,8%
Duque de Caxias2.0492.641+28,9%
Niterói1.5722.224+41,5%
São Gonçalo1.0481.462+39,5%

Niterói teve uma das maiores acelerações entre os grandes municípios — mais de 40% em um ano. E em Niterói, lembrando, o crime é majoritariamente furto: gente perdendo celular em restaurante, no calçadão, no ônibus, sem confronto. São João de Meriti, na Baixada, foi ainda mais intenso: saltou de 634 para 1.228 ocorrências (+93,7%) — quase dobrou em doze meses.

04

POR QUE 2025 ACELEROU

Não há resposta única. Mas alguns vetores ajudam a entender.

O primeiro é o PIX coercivo. O celular roubado não vale mais só pelo aparelho. Vale pelo que tem dentro: aplicativos bancários abertos, crédito disponível, capacidade de fazer transferências enquanto a vítima ainda está sem reagir. Reportagens locais (Folha, O Globo) descrevem o modus operandi consolidado: rouba, exige a senha do banco, transfere antes da vítima conseguir bloquear.

O segundo é a mudança no mercado de receptação. Aparelhos de gerações recentes ainda têm valor de revenda alto, sobretudo no mercado paralelo de exportação. A polícia federal e a civil têm operações ativas mapeando rotas Rio-Paraguai-Bolívia.

O terceiro é o policiamento ostensivo. O efetivo policial nas ruas do Rio caiu nos últimos anos — efeito de aposentadorias, exonerações e remanejamentos. Crime de oportunidade prospera quando há pouca presença visível.

Por que furto tem alta tão grande em Niterói?

Niterói teve a maior aceleração proporcional entre as grandes cidades (+41,5% em um ano). A hipótese mais consistente é o crescimento do polo gastronômico e turístico de Icaraí e do Centro de Niterói nos últimos anos — mais bares, mais restaurantes, mais movimento, mais vulnerabilidade pra furto sem violência. A cidade também tem alta concentração de trabalhadores que cruzam diariamente para o Rio, expondo o mesmo público alvo em duas pontas.

A combinação dos três fatores explica boa parte do salto de 22,7%. Mas não tudo. Outra parte do crescimento é provavelmente maior notificação: registros de BO de celular ficaram mais fáceis (algumas delegacias virtuais aceitam o registro online), e operadoras passaram a exigir BO para bloqueio definitivo do aparelho. Mais ocorrências registradas não significam necessariamente mais crime cometido — significam mais crime documentado.

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05

METODOLOGIA E FONTES

Metodologia, fonte, ressalvas e limites

Fonte dos dados: Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), série mensal por município (CISP), via base de microdados públicos disponibilizada no portal do ISP. Os dados são consolidados pela Polícia Civil do RJ a partir dos boletins de ocorrência registrados em todo o estado.

Período: janeiro de 2022 a dezembro de 2025. Dados parciais de 2026 (até março) existem mas não foram usados nas análises anuais.

Definição de roubo de celular: categoria roubo_celular do dataset ISP — subtração com violência ou grave ameaça especificamente de aparelho celular.

Definição de furto de celular: categoria furto_celular do dataset ISP — subtração sem violência (descuido, distração, batedor de carteira) especificamente de aparelho celular.

Cidades cobertas: a análise inclui todos os 92 municípios do RJ. Os destaques mostrados são os 10 maiores por volume.

Limitações: a notificação varia entre municípios — em cidades com maior infraestrutura digital de registro de BO, a propensão de a vítima formalizar a ocorrência é maior. Parte do crescimento pode refletir melhoria no registro, e não só aumento real do crime. Furto, em particular, tende a ser mais subnotificado que roubo.

Verificação: os números deste artigo foram extraídos da base oficial do ISP-RJ e cruzados com o dataset interno do Crime Brasil em maio de 2026.

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Citado por Gazeta do Povo, O Eco, Tribuna do Planalto

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Como citar esta página

CRIME BRASIL. O Rio perdeu 72 mil celulares em 2025 — um a cada 7 minutos. Disponível em: <https://crimebrasil.com.br/analises/celular-roubado-rj-2025>. Acesso em: 5 nov. 2026.

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Vinícius Mendes
Repórter · Olhar Direto (Cuiabá · MT)

Repórter da editoria de Reportagem do Olhar Direto, portal de notícias de Cuiabá (MT), com cobertura de segurança pública e casos policiais no estado. Usou o dado do Crime Brasil para reportar a queda de roubos e a alta de estelionatos em Mato Grosso.

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Jair GonçalvesDepoimento
Jair Gonçalves
Fundador · Portal Atibaia News

Fundador do Portal Atibaia News, veículo de notícias de Atibaia (interior de São Paulo). Publicou com o dado do Crime Brasil o ranking de ocorrências por bairro da cidade.

“Parabéns à Crime Brasil pelo excelente trabalho de jornalismo de dados! As informações disponibilizadas possibilitaram ao Portal Atibaia News produzir uma importante matéria sobre os números de ocorrências policiais por bairro em Atibaia, levando informação e transparência aos nossos leitores. Muito obrigado.”
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Douglas, médico veterinário, comanda com a família o canal Mundo de Cores, sobre vida no campo, no Rio Grande do Sul.

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— Mundo de Cores (canal)

“Muito Bom!”

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Gazeta do Povo
Artigo de opinião
Gazeta do Povo
Artigo assinado · Paraná

Artigo de opinião do editor do Crime Brasil: a queda de homicídios no Paraná esconde a alta em mortes no trânsito, suicídios e feminicídios — com o dado da plataforma.

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O Eco
Reportagem
O Eco
Reportagem · Amazônia

Reportagem sobre violência fundiária e baixa punição de crimes ambientais na Amazônia, cruzando dados do Crime Brasil com CPT, Ibama, CNJ e MapBiomas.

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Tribuna do Planalto
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Tribuna do Planalto
Goiânia · edição impressa

Matéria de capa cruzando a queda de homicídios em Goiás com a alta no entorno do Distrito Federal, a partir do dado da plataforma.

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Gazeta de S.Paulo
São Paulo · capital

Levantamento exclusivo do mapa da criminalidade na capital paulista — Moema com muito mais infrações que o Grajaú — com o dado do Crime Brasil.

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IHU · Unisinos
Fonte acadêmica
IHU · Unisinos
Instituto Humanitas Unisinos

Entrevista do Instituto Humanitas Unisinos que cita a plataforma como fonte de microdado criminal aberto.

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IBCCRIM · JCC
Revisado por pares
IBCCRIM · JCC
Jornal de Ciências Criminais

Artigo no Jornal de Ciências Criminais sobre os limites do acesso a microdados criminais no Brasil, citando o Crime Brasil.

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