
Niterói aparece em todos os rankings de qualidade de vida do estado: maior renda per capita do RJ, orla de pós-cartão-postal, o velho apelido de "cidade sorriso". E os dados do ISP confirmam metade da fama.
A outra metade é mais complicada — e explica por que tanta gente busca "Niterói é perigosa" antes de atravessar a ponte.
Niterói é perigosa comparada ao Rio?
Na violência letal, Niterói está em outra liga — a boa.
Foram 40 homicídios dolosos em 2025 — numa cidade de mais de meio milhão de habitantes. Taxa de 7,7 por 100 mil: a menor do grupo das grandes, abaixo até de São Gonçalo (8,3), e quase metade da capital (14,3). Em 2019 eram 107 mortes; a queda acumulada é de 63%.
Mas o homicídio é só uma linha do boletim. Quando se olha o total de registros por habitante, Niterói pula para o outro extremo da tabela: 4.807 ocorrências por 100 mil — a segunda maior da região metropolitana, atrás apenas do Rio (5.725) e bem à frente de Duque de Caxias (4.092) e Nova Iguaçu (3.744).
Niterói é, ao mesmo tempo, uma das cidades que menos matam e uma das que mais registram crime no estado.
O crime símbolo de Niterói: o celular
Nenhum número explica melhor Niterói 2025 que o furto de celular.
Depois do vale da pandemia, a curva virou parede: 726 casos em 2023, 1.229 em 2024, 1.849 em 2025 — alta de 50% num único ano e duas vezes e meia o nível de 2019. São 5 celulares furtados por dia, sobretudo em áreas de movimento como o Centro, a zona sul niteroiense e os corredores de ônibus.
E o furto é só a porta de entrada: o roubo de celular também subiu (375 em 2025), e o aparelho levado costuma virar a chave para o crime seguinte — a invasão de conta, o Pix esvaziado, o golpe aplicado nos contatos da vítima.
O padrão Niterói: crime de superfície, não de sangue
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Quais são os crimes mais comuns em Niterói?
O estelionato domina: 6.343 casos em 2025 — 17 por dia, taxa de 1.227 por 100 mil habitantes, a maior da região metropolitana. A curva é a já conhecida do estado inteiro (1.713 em 2019 → salto em 2022 → recorde em 2025), com um agravante local: cidade de renda alta é alvo preferencial de golpe.
O roubo de rua, na contramão, caiu 67% desde 2019 (3.396 → 1.133). O roubo de veículo, 79% (1.331 → 279).
Um sinal exige registro à parte: os estupros subiram 56% em 2025 (136 → 212, o pior ano da série). Parte do aumento pode refletir mais denúncia — o padrão nacional aponta nessa direção — mas é o indicador violento que mais piorou na cidade.
Dados completos de Niterói
Veja todas as ocorrências por tipo e período, e compare com outras cidades da região metropolitana.
Vale a pena morar em Niterói?
Pelos dados, o risco de violência grave em Niterói é o menor entre as grandes cidades do estado — e segue caindo. É o argumento estatístico que sustenta a fama de qualidade de vida.
O que os números cobram é atenção ao patrimônio: o morador de Niterói tem hoje mais chance de ter o celular furtado ou de cair num golpe do que em quase qualquer outra cidade fluminense. A defesa eficaz mudou: bloqueio de tela forte, Pix com limite, desconfiança de link — mais do que evitar esquina.
Os dados do ISP para Niterói estão no nível municipal — sem desagregação oficial por bairro. Para comparar com o resto do estado, veja os municípios mais perigosos do RJ.
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Perguntas frequentes sobre segurança em Niterói
Niterói é perigosa para morar? Na violência grave, é uma das cidades mais seguras do estado: 7,7 homicídios por 100 mil em 2025, quase metade da capital. O risco relevante é patrimonial: recorde de furto de celular (1.849) e a maior taxa de estelionato da região metropolitana.
Qual é a taxa de homicídio de Niterói? Em 2025: 40 homicídios dolosos para 516.787 habitantes — 7,7 por 100 mil. Em 2019 eram 107 mortes; a queda é de 63%.
Qual é o crime mais comum em Niterói? Estelionato: 6.343 casos em 2025, 17 por dia. Depois vêm os furtos (5.040) e a lesão corporal dolosa (1.907). O furto de celular (1.849) é o que mais cresce: +50% em um ano.
Niterói é mais segura que o Rio de Janeiro? Na violência letal, sim — taxa de homicídio quase metade da capital. No crime patrimonial, a diferença é pequena: Niterói registra 4.807 ocorrências por 100 mil, contra 5.725 do Rio.
A resposta final: Niterói é perigosa?
Para a vida, Niterói é estatisticamente a mais segura das grandes cidades fluminenses. Para o bolso, é uma das mais visadas — e a tendência piora: furto de celular em recorde, golpe líder absoluto de ocorrências.
A cidade sorriso não tem o problema do Rio. Tem o problema das cidades ricas: ninguém quer sua vida, mas muita gente quer seu telefone.
metodologia e limites
Dados de ocorrências criminais de Niterói extraídos do banco Crime Brasil (fonte primária: ISP/RJ — Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro). Série histórica 2019–2025, processada mensalmente em app.crimes_staging. Taxa por 100 mil habitantes calculada sobre a população usada pelas páginas de cidade do Crime Brasil (Niterói = 516.787; Rio de Janeiro = 6.730.729). Taxas de comparação de Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Belford Roxo e São Gonçalo conforme análises anteriores do Crime Brasil com a mesma metodologia. Dados de 2026 são parciais e não foram usados.