
São Gonçalo é a segunda maior cidade do estado do Rio, atrás só da capital. São quase 1 milhão de pessoas do outro lado da Baía de Guanabara. E a reputação que ela carrega — de lugar perigoso, esquecido, dominado pelo crime — não bate com o que os números do ISP mostram em 2025.
A cidade não é um paraíso. Mas é, de longe, a menos violenta entre as grandes da região metropolitana. E vem melhorando rápido onde mais importa.
São Gonçalo é mais perigosa que o resto do Rio?
Em 2025, São Gonçalo registrou 25.297 ocorrências criminais para uma população de 960.196 habitantes. Isso dá uma taxa de 2.635 por 100 mil — a mais baixa entre as grandes cidades da Região Metropolitana do Rio.
O Rio de Janeiro cidade tem mais que o dobro: 5.725 por 100 mil. Duque de Caxias chega a 4.092, Nova Iguaçu a 3.744. Até Belford Roxo, ali do lado, fica acima. São Gonçalo é a base da lista.
Isso não quer dizer que a cidade é segura no sentido absoluto. Quer dizer que, por habitante, mora-se com menos crime em São Gonçalo do que em quase qualquer outro grande município da região. A fama, nesse caso, não acompanha os dados.
E quando o filtro muda para a violência mais grave, o contraste fica ainda maior.
Qual é a taxa de homicídio em São Gonçalo?
8,3 homicídios por 100k: abaixo da própria capital
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Aqui mora a maior surpresa. Numa região onde o homicídio costuma dominar as manchetes, São Gonçalo tem a menor taxa letal entre as cidades de grande porte do Rio — e por uma margem larga.
São 80 homicídios dolosos num ano, numa cidade de quase 1 milhão de pessoas. Para comparar: Nova Iguaçu, com população menor, teve 229. Belford Roxo, com metade da gente, teve 115. São Gonçalo mata, proporcionalmente, um terço do que matam os vizinhos — e menos que a própria capital estadual.
Os homicídios despencaram em São Gonçalo
Essa taxa baixa não é acaso de um ano só. É o fim de uma queda longa e consistente.
Em 2021, foram 202 homicídios. Em 2025, 80. Uma queda de 60% em quatro anos. O salto mais forte veio entre 2023 e 2024, quando o número caiu de 133 para 82 de uma vez.
É uma das reduções mais expressivas da região metropolitana no período. E acontece numa cidade que raramente entra na conversa quando o assunto é melhora na segurança pública — toda a atenção costuma ir para a capital.
A série ainda é curta para cravar que a tendência é definitiva. Mas quatro anos seguidos de queda, terminando no menor patamar da série, é um sinal difícil de ignorar.
Quais são os crimes mais comuns em São Gonçalo?
Se a violência letal caiu, o que ainda preenche o boletim de ocorrências da cidade? O perfil é dominado por crimes patrimoniais — e por um tipo que nem precisa de contato físico.
Estelionato lidera com folga: 4.809 casos em 2025 — mais de 13 por dia. Furtos vêm logo atrás. Roubo de rua, que costuma ser o medo número um, aparece só em quinto lugar, com 1.926 ocorrências.
É um retrato de cidade onde o crime de violência direta perde espaço para o golpe. E isso não é detalhe: é a mudança mais importante na segurança de São Gonçalo nos últimos anos.
Dados completos de São Gonçalo
Veja todas as ocorrências por tipo e período, e compare com outras cidades da Região Metropolitana do Rio.
O verdadeiro crime que cresce: estelionato
Enquanto os homicídios caíam pela metade, o estelionato fazia o caminho oposto — e em ritmo acelerado.
Em 2019, foram 1.261 casos. Em 2022, o número mais que dobrou de uma vez, para 4.406 — o mesmo salto que explodiu em todo o Brasil com a popularização do Pix e dos golpes digitais. Em 2025, novo recorde: 4.809.
É a mesma história que se repete de Belford Roxo ao interior de São Paulo. O crime saiu da rua e foi pro telefone. A vítima de São Gonçalo hoje tem mais chance de cair num golpe de WhatsApp do que de ser assaltada na esquina.
Os roubos e furtos de celular reforçam o ponto: passaram de 853 em 2021 para 1.462 em 2025 — o aparelho na mão virou o alvo preferido.
São Gonçalo melhorou ou piorou?
Depende do crime que você olha.
Na violência letal, melhorou — e muito. Homicídios em queda de 60%, a menor taxa da região, mortes em confronto com a polícia também despencando (de 209 em 2021 para 30 em 2025). É um quadro bem diferente do que a reputação da cidade sugere.
No crime patrimonial e digital, piorou. O estelionato bateu recorde, os furtos de celular voltaram a subir. O total de ocorrências ficou praticamente estável (25.297 em 2025, contra 26.293 em 2021) justamente porque a queda da violência foi compensada pela alta dos golpes.
Resumindo: a cidade ficou menos letal e mais golpeada.
Vale a pena morar em São Gonçalo?
Pelos dados, o risco de violência grave é menor do que a fama indica — e menor do que na maior parte da região metropolitana do Rio. Quem mais pesa na balança contra São Gonçalo costuma ser a percepção, não a estatística.
O que exige atenção é o golpe. Estelionato é o crime mais provável de atingir um morador hoje, e ele não escolhe bairro nem horário. Proteção aqui é menos sobre evitar ruas e mais sobre desconfiar de mensagem, link e oferta fácil.
Os dados do ISP/RJ para São Gonçalo estão disponíveis no nível municipal — a fonte oficial não desagrega por bairro. Para ver onde a cidade se encaixa no ranking estadual, vale a lista dos municípios mais perigosos do RJ. E para o contraste mais didático, compare com Belford Roxo, ali ao lado, que tem quase o triplo da taxa de homicídio.
Compare São Gonçalo com o resto do Rio
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Perguntas frequentes sobre segurança em São Gonçalo
São Gonçalo é perigosa para morar? Menos do que a fama sugere. Em 2025, a taxa geral de criminalidade (2.635/100k) foi a mais baixa entre as grandes cidades da região metropolitana do Rio, e a taxa de homicídio (8,3/100k) ficou abaixo da capital. O maior risco hoje é patrimonial e digital, não a violência de rua.
Qual é a taxa de homicídio de São Gonçalo? Em 2025: 80 homicídios dolosos para 960.196 habitantes — taxa de 8,3 por 100 mil. É a menor entre Rio, Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Belford Roxo.
São Gonçalo melhorou nos últimos anos? Sim, na violência letal. Os homicídios caíram de 202 (2021) para 80 (2025), uma redução de 60%. Já o estelionato cresceu no mesmo período e hoje é o crime mais comum da cidade.
Quais são os bairros mais perigosos de São Gonçalo? Os dados do ISP/RJ para São Gonçalo estão no nível municipal — não há desagregação oficial por bairro. Para explorar os números da cidade, consulte a página de São Gonçalo.
A resposta final: São Gonçalo é perigosa?
Menos do que quase todo mundo imagina. A segunda maior cidade do Rio tem a menor taxa de crimes da sua região e uma das maiores quedas de homicídio do período — uma combinação que destoa por completo da sua reputação.
O perigo não sumiu. Ele mudou de forma. Saiu da arma e entrou na tela. Quem mora em São Gonçalo hoje precisa menos olhar por cima do ombro e mais desconfiar do que chega pelo celular.
metodologia e limites
Dados de ocorrências criminais de São Gonçalo extraídos do banco Crime Brasil (fonte primária: ISP/RJ — Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro). Série histórica 2021–2025, processada mensalmente em app.crimes_staging. O total de 2025 (25.297) foi cruzado com o endpoint /api/location-stats da própria plataforma. Taxa por 100 mil habitantes calculada sobre a população usada pelas páginas de cidade do Crime Brasil (São Gonçalo = 960.196; Belford Roxo = 518.384; Nova Iguaçu = 843.220; Duque de Caxias = 866.225; Rio de Janeiro = 6.730.729). Comparações entre cidades usam as mesmas fontes e o mesmo método. Os dados de 2026 são parciais e não foram usados neste artigo.