A SSP/RS publica um dos conjuntos de dados mais completos do país, amparado pela Lei estadual 15.610/2021, que obriga a divulgação periódica de dados abertos de segurança pública. É também o estado com a taxonomia mais rica — mas a expectativa de atualização "quase em tempo real" que às vezes circula não corresponde ao que a base mostra na prática.
A resposta curta: a série cobre janeiro de 2022 até hoje, com cobertura de 100% dos municípios do estado, 80% das linhas com bairro preenchido — só que o mês mais recente com dado completo fica cerca de quatro meses atrás da data de hoje (14/07/2026), não duas ou três semanas.
De onde vêm os dados
A SSP/RS disponibiliza arquivos de dados abertos com ocorrências individuais, incluindo tipo de crime, data, município, bairro e coordenadas quando disponíveis. É a base com registro mais individualizado entre os cinco estados — cada linha é uma ocorrência específica, não um agregado mensal por categoria.
O que dá para consultar
| Item | Rio Grande do Sul (SSP/RS) |
|---|---|
| Série início | Jan/2022 |
| Última atualização completa | Mar/2026 |
| Defasagem observada | Cerca de 4 meses em relação a hoje |
| Granularidade | Município (497 de 497 — cobertura total) + bairro em texto livre (80% das linhas preenchidas) |
| Tipos de crime catalogados | 313 tipos distintos — a taxonomia mais rica dos cinco estados |
| Volume da série | Cerca de 3,12 milhões de registros |
O campo de bairro no RS, como em São Paulo, é texto livre — a contagem bruta de valores distintos passa de 35 mil em todo o estado, o que é muito mais do que qualquer lista oficial e depurada de bairros somada município a município. Isso não significa 35 mil bairros reais; significa que o mesmo bairro pode aparecer com grafias diferentes entre municípios e entre anos. Vale tratar esse campo como indicativo de localização, não como um catálogo fechado e comparável sem tratamento prévio.
A cobertura de município, por outro lado, é limpa: os 497 nomes distintos que aparecem na base batem exatamente com os 497 municípios oficiais do estado — não há inflação por variação de grafia nesse recorte específico.
Cuidados na leitura
A defasagem de cerca de quatro meses é o dado mais importante deste guia para quem planeja uma matéria com "os números mais recentes": o mês corrente e os dois ou três anteriores normalmente ainda não têm dado completo publicado no momento da consulta.
Registro policial mede o que chegou à delegacia, não a totalidade dos eventos — como em qualquer base de ocorrência, há subnotificação conhecida, mais acentuada em crimes contra a pessoa.
Com 313 tipos de crime distintos, comparações "tipo a tipo" entre RS e outros estados exigem agrupamento cuidadoso — a granularidade fina do RS não tem equivalente direto em bases mais agregadas, como a de Minas Gerais ou Bahia.
Quando os dados públicos não bastam
Este guia cobre a estrutura pública da base da SSP/RS. Para recortes por tipo de crime específico, séries customizadas por período, ou comparações com outros estados usando metodologia equivalente, a Crime Brasil também produz relatórios personalizados sob encomenda.
fontes e consultas usadas neste guia
Todos os números acima vêm de consulta direta à base que sustenta o Crime Brasil, rodada em 14/07/2026:
- Série e volume:
MIN/MAXde ano-mês e contagem total de registros. - Municípios e bairros: contagem de nomes distintos (com e sem normalização de texto), incluindo percentual de linhas com bairro preenchido.
- Tipos de crime: contagem de valores distintos do campo de tipo de enquadramento.
- Meses recentes: contagem de registros por mês para os últimos nove meses, para identificar o corte real entre "completo" e "em ingestão".
Como em qualquer base de ocorrência policial, os números refletem registros administrativos, não a totalidade dos eventos criminais ocorridos.