O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP/RJ) publica uma das séries históricas mais longas e mais consistentes do país. Quem procura dado de criminalidade fluminense esbarra logo numa expectativa que precisa ser corrigida: não existe bairro nessa base. A unidade é a CISP — circunscrição policial, o território de uma delegacia — que é mais fina que o município, mas não corresponde a bairro.
A resposta curta: a série começa em janeiro de 2003, o mês mais recente já disponível tem dado completo (defasagem de cerca de dois meses até hoje, 14/07/2026), e a granularidade real é CISP/município — qualquer pedido de dado "por bairro" no Rio precisa ser redirecionado para essa unidade territorial diferente.
De onde vêm os dados
O ISP/RJ mantém a Base de Dados por CISP, publicada mensalmente com indicadores por circunscrição policial. Cada linha é uma CISP em um mês — hoje são 137 circunscrições cobrindo 90 municípios do estado, incluindo a capital dividida em dezenas de CISPs. A série corrente mantém exatamente o mesmo número de CISPs reportadas mês a mês, o que indica cobertura estável (sem "buracos" de delegacias que somem ou reaparecem na série).
O que dá para consultar
| Item | Rio de Janeiro (ISP/RJ) |
|---|---|
| Série início | Jan/2003 |
| Última atualização completa | Mai/2026 — mesmo volume de CISPs de todos os meses anteriores |
| Defasagem observada | Cerca de 2 meses em relação a hoje — a menor entre os cinco estados |
| Granularidade | CISP (circunscrição policial) e município — sem bairro |
| Cobertura territorial | 137 CISPs, 90 municípios |
| Indicadores por CISP/mês | Mais de 50 (homicídio doloso, culposo, letalidade violenta, latrocínio, feminicídio, furto e roubo por subtipo — celular, veículo, comércio, transeunte — sequestro, tráfico e mais) |
O nível de detalhe por indicador é o ponto forte dessa base: em vez de uma única contagem de "roubo", o ISP/RJ separa roubo de rua, roubo a transeunte, roubo de veículo, roubo de celular, roubo em coletivo, roubo a banco, roubo de carga e outros subtipos — cada um como sua própria coluna mensal por CISP. Isso permite reconstruir tendências específicas (por exemplo, roubo de celular isoladamente) sem depender de agregados genéricos.
Cuidados na leitura
CISP não é bairro. Uma CISP pode cobrir vários bairros ou parte de um bairro grande — qualquer conversão de "CISP tal" para "bairro tal" exige um mapeamento à parte que o próprio ISP não fornece de forma direta. Tratar CISP como sinônimo de bairro é o erro mais comum de quem usa esse dado pela primeira vez.
Como em qualquer registro policial, os números reflitam o que foi formalizado na delegacia — não a totalidade dos eventos. Crimes contra a pessoa, em especial, têm subnotificação conhecida.
A coluna "letalidade violenta" agrega homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e morte por intervenção policial — é um indicador de política pública consolidado, não deve ser confundida com "homicídio doloso" isoladamente quando o objetivo é comparar com outro estado que não usa esse mesmo agregado.
Quando os dados públicos não bastam
Este guia cobre a estrutura pública da base do ISP/RJ. Para recortes que cruzem CISP com outros indicadores, séries customizadas por período específico, ou comparações com outros estados usando metodologia equivalente, a Crime Brasil também produz relatórios personalizados sob encomenda.
fontes e consultas usadas neste guia
Todos os números acima vêm de consulta direta à base que sustenta o Crime Brasil, rodada em 14/07/2026:
- Série e volume:
MIN/MAXde ano-mês e contagem total de linhas (uma linha = uma CISP em um mês). - Cobertura territorial: contagem de CISPs e de municípios distintos.
- Indicadores por CISP/mês: contagem de campos numéricos publicados por registro, excluindo campos de identificação (ano, mês, código da CISP, código da AISP/RISP, região, município).
- Estabilidade da série: contagem de linhas por mês nos últimos nove meses, para confirmar que o número de CISPs reportadas se mantém constante.
Como em qualquer base de ocorrência policial, os números refletem registros administrativos, não a totalidade dos eventos criminais ocorridos.