A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (SEJUSP/MG) publica contagens mensais de ocorrências por município. É comum repetir que MG só disponibiliza "crimes violentos" — mas checar a base diretamente mostra um recorte um pouco diferente do que costuma circular.
A resposta curta: a série cobre 2012 a 2026, com dado completo até março de 2026 (abril e maio ainda aparecem com volume muito abaixo do normal, sinal de que a ingestão do mês ainda está em andamento do lado da fonte), a granularidade é só município — sem bairro — e a lista de tipos de crime inclui furto e lesão corporal, não apenas os crimes tipicamente rotulados como violentos.
De onde vêm os dados
A SEJUSP/MG publica planilhas mensais com contagem de registros por município e tipo de ocorrência (natureza). A série cobre homicídio (consumado e tentado), latrocínio, roubo (consumado e tentado), extorsão, extorsão mediante sequestro, sequestro e cárcere privado, estupro e estupro de vulnerável (consumados e tentados), feminicídio — e também furto e lesão corporal, publicados como planilhas separadas dentro do mesmo conjunto de dados.
O que dá para consultar
| Item | Minas Gerais (SEJUSP/MG) |
|---|---|
| Série início | Jan/2012 |
| Última atualização completa | Mar/2026 (abr/mai 2026 com volume muito reduzido — ainda em ingestão) |
| Defasagem observada | Cerca de 3,5 meses em relação a hoje |
| Granularidade | Município apenas (863 nomes distintos — MG tem 853 municípios oficiais) |
| Tipos de crime catalogados | 26 categorias (contando variações de grafia) — cobre homicídio, latrocínio, roubo, extorsão, sequestro, estupro, feminicídio, furto e lesão corporal |
| Volume da série (meses completos) | Cerca de 5,95 milhões de registros somados |
O ponto que mais precisa de correção na expectativa comum sobre Minas Gerais: a série não é "só violência". Furto e lesão corporal estão dentro do mesmo conjunto de dados, publicados a partir de arquivos próprios que se somam à série principal de crimes considerados violentos. O que de fato não aparece é estelionato, tráfico de drogas, e outros crimes patrimoniais ou financeiros que estados como São Paulo e Rio Grande do Sul catalogam à parte.
A contagem de município (863 nomes distintos) passa um pouco dos 853 municípios oficiais do estado — a diferença mais provável é variação de grafia entre os diferentes arquivos-fonte que compõem a série (a base foi montada a partir de pelo menos quatro arquivos distintos cobrindo períodos e categorias diferentes).
Cuidados na leitura
Os dois meses mais recentes (abril e maio de 2026, no momento da checagem) aparecem com volume muito menor que a média histórica — não é queda real de criminalidade, é sinal de que a fonte ainda não fechou a apuração desses meses. Qualquer leitura que use "os últimos meses disponíveis" sem checar o volume corre o risco de confundir dado incompleto com tendência real.
Como MG não publica bairro, qualquer análise "por bairro" da capital ou de qualquer cidade mineira depende de outra fonte — não existe granularidade abaixo de município nessa base.
Registro policial mede o que foi formalizado, não o total de eventos — a subnotificação é conhecida especialmente em crimes contra a pessoa.
Quando os dados públicos não bastam
Este guia cobre a estrutura pública da base da SEJUSP/MG. Para recortes por tipo de crime específico, séries customizadas por período, ou comparações com outros estados usando metodologia equivalente, a Crime Brasil também produz relatórios personalizados sob encomenda.
fontes e consultas usadas neste guia
Todos os números acima vêm de consulta direta à base que sustenta o Crime Brasil, rodada em 14/07/2026:
- Série e volume:
MIN/MAXde ano-mês, soma do campo de registros para os meses completos (até março de 2026 incluído). - Municípios: contagem de nomes distintos.
- Tipos de crime: contagem de valores distintos do campo de natureza da ocorrência, com e sem normalização de maiúsculas/minúsculas.
- Meses recentes: contagem de registros por mês para os últimos meses disponíveis, para identificar o corte real entre "completo" e "em ingestão".
Como em qualquer base de ocorrência policial, os números refletem registros administrativos, não a totalidade dos eventos criminais ocorridos.