
Digite "Caieiras é perigosa?" no Google e você vai encontrar fóruns, posts e muita opinião — quase nenhum dado. O mesmo vale pra Mairiporã, Franco da Rocha e as outras cidades do anel norte da Grande São Paulo, aquele cinturão de cidades-dormitório encostado na Serra da Cantareira e cortado pela Fernão Dias.
São centenas de buscas por mês com a mesma pergunta no fundo: dá medo morar aqui? A resposta honesta exige número, não impressão. E o número, pra duas dessas cidades, surpreende.
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O QUE OS DADOS DIZEM SOBRE CAIEIRAS
1.Caieiras é tão segura quanto a capital.
Em 2025, Caieiras registrou 4 homicídios dolosos. Com cerca de 98 mil habitantes, isso dá uma taxa de 4,1 por 100 mil — praticamente idêntica à da cidade de São Paulo (4,2). Entre as cidades da Grande SP com dado disponível, é uma das mais seguras em violência letal.
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Quatro mortes num ano são uma tragédia pra quem está perto delas. Mas, como indicador de risco de uma cidade inteira, 4,1 por 100 mil é um número baixo — abaixo da média da Grande São Paulo e na faixa da própria capital, que costuma aparecer como referência de cidade grande relativamente segura.
A série dos últimos três anos confirma a estabilidade: 2 homicídios em 2023, 3 em 2024, 4 em 2025. Números pequenos, sem salto. Caieiras não é uma cidade com problema de violência letal — ao menos não pelo que o dado mostra.
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O ANEL NORTE NÃO É UM BLOCO
O erro de quem pesquisa "a região é perigosa?" é tratar o anel norte como uma coisa só. Não é. Cidades coladas uma na outra têm taxas de homicídio que variam quase duas vezes.
Na ponta de baixo, Caieiras (4,1) e Francisco Morato (4,7) ficam na faixa da capital. No meio, Cajamar (5,1) e Mairiporã (7,2). E no topo, sozinha, Franco da Rocha, com 8,0 por 100 mil — quase o dobro de Caieiras.
Quer dizer: morar em Caieiras e morar em Franco da Rocha, a poucos quilômetros de distância, significa níveis de risco de violência letal bem diferentes. A pergunta "o anel norte é perigoso?" não tem resposta única porque o anel norte não é uma cidade só.
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FRANCO DA ROCHA É O DESTAQUE — E ESTÁ SUBINDO
Se há uma cidade do anel norte que merece atenção pelos dados, é Franco da Rocha. Não só tem a maior taxa do grupo — a trajetória vem piorando.
Franco da Rocha passou de 8 homicídios em 2024 para 12 em 2025 — uma alta de 50% num ano. Mairiporã oscila num patamar de meia dúzia de casos. Caieiras segue na base, com a curva mais plana e baixa das três.
2.A mesma região, três histórias diferentes.
Três cidades vizinhas, três trajetórias. Franco da Rocha sobe e se descola das outras. Mairiporã se mantém. Caieiras quase não se move, na faixa mais segura. Tratar o anel norte como "a região perigosa" apaga exatamente a diferença que importa pra quem decide onde morar.
É bom lembrar a escala. Mesmo Franco da Rocha, no topo deste grupo, está longe das cidades mais violentas da Grande São Paulo — onde a taxa passa de 8,5 por 100 mil. O anel norte, no geral, é uma região de risco baixo a médio dentro da metrópole.
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O QUE ISSO SIGNIFICA (E O QUE NÃO)
Taxa baixa de homicídio não quer dizer ausência de crime. Caieiras, Mairiporã e as vizinhas têm furto, roubo e outros registros como qualquer cidade do tamanho delas. O que medimos aqui é o indicador mais duro: a morte intencional.
Três ressalvas honestas:
- Número pequeno oscila. Quando uma cidade tem 3 ou 4 homicídios por ano, um único caso a mais muda a taxa de forma visível. Por isso olhamos a série de três anos, não um ano isolado.
- Homicídio não é todo o crime. Uma cidade pode ter pouca violência letal e ainda assim ter problema com roubo ou tráfico. Este recorte responde à pergunta sobre risco de vida, não sobre tudo.
- O dado é do local do fato. Conta onde o crime aconteceu, não de onde a vítima era.
O que dá pra afirmar: pra quem pesquisa se Caieiras ou Mairiporã são perigosas pensando em violência letal, a resposta dos dados de 2025 é tranquilizadora — especialmente em Caieiras. E se há um nome no anel norte pra acompanhar com atenção, é Franco da Rocha.
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METODOLOGIA E FONTES
Metodologia, fonte, ressalvas e limites
Fonte dos dados: Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), portal de transparência ativa (SPDadosCriminais), registros de ocorrência. População: base do Crime Brasil, a mesma usada nas páginas de cidade.
Indicador: homicídio doloso (grupo_fato = 'HOMICÍDIO DOLOSO'), por município do fato. Excluída a variante 'homicídio doloso por acidente de trânsito'. É o crime com menor subnotificação no Brasil.
Período: ano-calendário de 2025 para as taxas, com série 2023-2025 para a análise de tendência.
Contagens conferidas (2023 / 2024 / 2025): Caieiras 2/3/4; Mairiporã 9/6/7; Franco da Rocha 8/8/12; Francisco Morato 7/8/8; Cajamar 2/3/5. Capital de São Paulo: 495 homicídios dolosos em 2025.
Taxa calculada como: (homicídios no ano / população) x 100.000. Populações aproximadas: Caieiras ~98,5 mil; Mairiporã ~97,8 mil; Franco da Rocha ~150,2 mil; Francisco Morato ~171,5 mil; Cajamar ~98,4 mil; São Paulo ~11,9 milhões.
Cuidado com base pequena: em cidades com poucos homicídios por ano, a taxa é sensível a variações pequenas. Por isso o texto enfatiza a série de três anos e evita conclusões a partir de um único ano.
O que este recorte NÃO é: não é um índice geral de segurança. Mede violência letal registrada, não a totalidade dos crimes nem o risco individual de cada morador.
Reprodutibilidade: dados apurados diretamente sobre a base PostgreSQL do Crime Brasil em 16/06/2026.
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