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Furtos por distrito e por via na capital paulista — fonte, recorte e checagens
Esta página descreve a apuração por trás de um mapa específico: o dos 96 distritos de São Paulo coloridos pelo número de furtos registrados em doze meses, em que cada distrito abre as dez vias com mais registros dentro dele. Se você chegou aqui pelo rodapé do mapa em algum veículo, é aqui que estão os números que sustentam o que você viu.
Todo o mapa vem de uma única base: o arquivo SPDadosCriminais, publicado pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo em transparência ativa. É a base pública de boletins de ocorrência do estado, registro a registro — cada linha é um boletim, com data, natureza, bairro, logradouro e o tipo de local onde o fato aconteceu.
Não há dado privado, comprado ou estimado neste mapa. Não há modelo, projeção ou suavização: o que está colorido é contagem de boletim.
A Secretaria revisa os arquivos depois de publicá-los, então os meses mais recentes da janela são preliminares e podem subir um pouco em extrações futuras. Por isso a data de extração aparece no rodapé do mapa: dois números tirados da mesma base em datas diferentes não são necessariamente iguais, e é a data que torna o número reproduzível.
Somamos três naturezas da base: FURTO - OUTROS, FURTO DE VEÍCULO e FURTO DE CARGA. Roubo não entra — furto é a subtração sem violência ou grave ameaça, e misturar as duas coisas num mesmo mapa produziria um retrato que não descreve nem uma nem outra.
No período, a capital registrou 280.463 furtos nessas três naturezas.
A base traz o nome do bairro digitado no boletim, não o distrito administrativo. Os dois nem sempre coincidem: "Água Branca" e "Várzea da Barra Funda" são bairros dentro do distrito da Barra Funda; "Santa Ifigênia" e "Centro Histórico" caem na República. A atribuição foi feita em duas passagens:
| Passagem | Registros | Do total |
|---|---|---|
| Pelo nome do bairro, contra a lista de distritos e seus sub-bairros | 217.884 | 77,7% |
| Pela coordenada do boletim, dentro do polígono do distrito | 43.981 | 15,7% |
| Sem nome reconhecível e sem coordenada — fora do mapa | 18.598 | 6,6% |
Resultado: 261.865 furtos atribuídos a um dos 96 distritos, 93,4% do total. O que ficou de fora ficou de fora mesmo — não foi redistribuído por proporção nem imputado ao distrito mais próximo. Um mapa que fecha em 100% às custas de chute é pior do que um mapa que declara o buraco.
O logradouro é campo de texto livre, preenchido à mão em cada delegacia. A mesma avenida aparece como "Av. Paulista", "AVENIDA PAULISTA" e "Av Paulista" no mesmo dia. Antes de contar qualquer coisa, as grafias foram unificadas: caixa, acento, abreviação de tipo de logradouro e espaçamento. Sem esse passo, uma via de mil registros racha em quatro linhas de duzentos e some do ranking.
O ranking é de via, não de endereço. A maioria dos boletins não traz o número, então o que se conta é a rua inteira — não um ponto dela.
Parte dos boletins sai da Secretaria com o endereço suprimido por sigilo legal: 9.561 registros, 3,7% dos atribuídos. Eles entram no total do distrito e ficam fora do ranking de vias. O percentual exato aparece no painel de cada distrito, porque em alguns bairros ele é alto o bastante para mudar a leitura do ranking.
Em vários distritos, a via com mais furtos não é bem uma rua: é o endereço de uma estação de metrô ou trem. A Rua Capri, em Pinheiros, é a lateral da estação; a Avenida Mário de Andrade é a Barra Funda. Ler essas linhas como "a rua mais perigosa" inverte o sentido do dado.
Por isso a via recebe a marcação quando metade ou mais dos seus registros foi classificada pela própria polícia, no campo de tipo de local do boletim, como ambiente metroviário, ferroviário, de terminal ou de transporte coletivo. O percentual exato vai ao lado da marca. O critério é esse, fixo — não é seleção manual de quais estações citar.
Onde o mapa mostra taxa, a fórmula é (registros / população) × 100.000, com a população do distrito no Censo 2022 do IBGE. Não há anualização: a janela é de doze meses, e a taxa é a daqueles doze meses.
Uma ressalva que vale mais do que a conta: a taxa por morador distorce sistematicamente distritos onde circula muito mais gente do que mora. Centro, corredores comerciais e distritos de estação sobem no ranking por taxa porque o denominador é a população residente e o numerador inclui quem só passou por ali. É um efeito real do indicador, não um defeito do dado — mas ele precisa estar dito para o número não ser lido como "chance de ser furtado morando ali".
O bloco publicado no veículo parceiro é autossuficiente: geometria dos 96 distritos, números e interação estão dentro do próprio arquivo. Ele não faz chamada a servidor nenhum, nem ao nosso — não rastreia o leitor, não carrega biblioteca externa e continua funcionando se o Crime Brasil sair do ar.
A malha dos distritos foi simplificada e pré-projetada para caber no arquivo sem perder o contorno reconhecível da cidade. O que se paga por isso é precisão de fronteira na escala de quarteirão, que este mapa não pretende ter; o que se ganha é uma peça que carrega em conexão ruim e não quebra a página.
Os dados são públicos e podem ser reproduzidos livremente. Pedimos que a peça mantenha a fonte primária (SSP-SP / SPDadosCriminais, com a janela e a data de extração) e o crédito de análise ao Crime Brasil, como está no rodapé do bloco.
Recortes adicionais da mesma base — hora do dia, mês a mês, furto de veículo isolado, outro distrito, outro município — podem ser preparados a pedido de redações.
Encontrou um número que parece errado? Escreva para [email protected]. Todo relato é conferido contra o arquivo-fonte, e correções são publicadas com nota.
O processo geral de coleta, normalização e verificação de todas as bases está em Metodologia; sobre o projeto e quem o mantém, Sobre o Crime Brasil.
Extração de 27/07/2026 · janela mai/2025 – abr/2026 · SSP-SP (SPDadosCriminais) · IBGE Censo 2022 · Crime Brasil