
Alvorada cola em Porto Alegre no mapa, mas vive uma realidade econômica e demográfica bem diferente. 194 mil habitantes, IDH abaixo da média metropolitana, malha urbana adensada. É o tipo de cidade que aparece nos rankings de violência letal e raramente nos rankings de qualidade de vida.
Mas os dados dos últimos três anos mostram algo que escapa da manchete. Alvorada está caindo. E está caindo num ritmo parecido com o da capital — só que partindo de outro patamar.
01
O QUE OS NÚMEROS DIZEM
Em 2022, Alvorada registrou 11.618 ocorrências criminais. Em 2025, foram 13.711. Parece que piorou — mas é ilusão estatística. A categoria de tráfico de drogas só começou a ser registrada nos dados abertos da SSP a partir de 2023, e o salto de 2022 pra 2023 reflete isso, não um aumento real da violência.
A partir de 2023, o ritmo se estabiliza. E a fotografia muda quando você olha por habitante.
Por habitante, Porto Alegre tem mais crime registrado que Alvorada — em todos os três anos. É um dado contraintuitivo, porque a fama de Alvorada caminha no sentido oposto. A explicação está no que é registrado: a capital concentra muito mais furto, muito mais roubo e muito mais ocorrências de menor gravidade. Em volume bruto e por habitante.
1.Porto Alegre tem um terço a mais de crime por habitante que Alvorada
Em 2025, Porto Alegre registrou 9.433 ocorrências por 100 mil habitantes. Alvorada, 7.066 — uma diferença de 33% em favor da capital, contraintuitiva pra quem só conhece os rankings de violência letal.
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02
O CRIME PATRIMONIAL — ROUBO E FURTO
Aqui é onde a comparação fica clara. Roubo e furto seguem a circulação de bens, de comércio, de fluxo de pessoas. Porto Alegre tem muito mais dos três.
Em furto, a capital tem quase três vezes a taxa de Alvorada por habitante. Em roubo, a diferença é menor mas ainda expressiva: Porto Alegre tem 55% a mais que Alvorada por 100 mil habitantes. Não é por falta de oportunidade na periferia — é porque crime patrimonial mora onde tem o que furtar. Centro comercial, terminal de ônibus, balada, restaurante, ponto turístico. Alvorada não tem isso na mesma escala.
Mas as duas cidades estão caindo — e rápido.
2.Roubo caiu pela metade nas duas cidades
De 2023 a 2025, Alvorada cortou os roubos registrados em 54% (1.578 para 724). Porto Alegre, em 49% (15.604 para 8.026). É a queda mais expressiva do período em qualquer categoria.
A queda do roubo é fenômeno regional. Não é fruto de uma operação específica nem de uma política isolada de um município. Tem a ver com mudanças no padrão de denúncia, redução do roubo de celular pós-bloqueio em massa pelo IMEI, e provavelmente algum efeito da realocação policial pós-enchente de 2024. Funcionou em volume — funcionou em taxa.
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03
O ASSASSINATO É OUTRA HISTÓRIA
Em volume bruto, Porto Alegre tem muito mais assassinatos que Alvorada. Em 2025, a capital registrou 169 casos de homicídio doloso contra 35 em Alvorada. Cinco vezes mais.
Mas Porto Alegre tem 7 vezes a população de Alvorada. Quando você divide pelo número de habitantes, a leitura inverte.
Alvorada tem uma taxa de assassinatos 47% maior que a capital. Por habitante, é mais letal. Esse é o padrão clássico de periferia metropolitana brasileira: menos crime patrimonial, mais violência interpessoal grave. Disputa territorial entre facções, conflitos pessoais com arma de fogo, retaliações em série.
3.Mas o ritmo de queda é o mesmo
Alvorada caiu de 62 assassinatos em 2022 para 35 em 2025 — uma queda de 44%. Porto Alegre caiu de 298 para 169 — 43%. As duas cidades melhoraram quase no mesmo ritmo, partindo de patamares diferentes.
Esse é o dado que muda a narrativa. Alvorada não está estacionada na violência. Está caindo no mesmo ritmo da capital. A diferença é o ponto de partida — e quanto ainda falta pra equiparar a taxa.
04
COMO COMEÇOU 2026
Os três primeiros meses de 2026 já estão fechados nos dados da SSP/RS. E o saldo geral é bom pra as duas cidades.
No agregado, Alvorada caiu 6,7% e Porto Alegre caiu 5,3% no primeiro trimestre do ano. Roubo continua despencando: -41% em Alvorada e -28% na capital. Furto também: -15% e -16%. Estupro caiu nas duas, lesão corporal idem.
Mas tem um ruído nos dados de Alvorada que precisa de contexto. No primeiro trimestre de 2025, a cidade registrou apenas 3 assassinatos. No primeiro trimestre de 2026, foram 13. Na cara, parece que multiplicou por quatro.
4.O Q1-2025 foi o ponto mais baixo da série histórica
Os 3 assassinatos do primeiro trimestre de 2025 são o número mais baixo já registrado em Alvorada num trimestre desde 2022. A média dos primeiros trimestres de 2022 a 2024 é de 15 casos. O Q1-2026 com 13 está dentro do padrão — não é uma deterioração, é um retorno à média depois de um trimestre excepcionalmente baixo.
É a reversão estatística clássica. Um trimestre muito abaixo do esperado é seguido por outro mais próximo da média histórica. Não significa que o problema voltou — significa que o trimestre anterior foi a exceção, não a regra.
Vale acompanhar o segundo trimestre. Se a tendência de queda de 2022-2025 voltar, o ano fecha melhor que 2025. Se ficar acima de 15 por trimestre, é hora de olhar com mais cuidado.
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05
METODOLOGIA E FONTES
Metodologia, fonte, ressalvas e limites
Fonte: SSP/RS (Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul), microdados de boletins de ocorrência sob a Lei Estadual 15.610/2021. Dados extraídos diretamente do banco analítico do Crime Brasil em 15 de maio de 2026.
Período coberto: janeiro de 2022 a março de 2026.
População utilizada: 194.062 para Alvorada e 1.388.794 para Porto Alegre — Censo IBGE 2022 com agregação de setores censitários dentro dos limites OSM do município.
Sobre o salto de 2022 para 2023: os dados de tráfico de drogas só passaram a ser publicados nos microdados abertos a partir de 2023. Por isso, comparações entre 2022 e anos posteriores sobrevalorizam a piora em categorias específicas. Para análise de tendência, usamos sempre 2023 como base.
Definição de assassinato: apenas registros classificados como HOMICÍDIO DOLOSO. Homicídios culposos por direção veicular automotora foram contabilizados separadamente e não estão incluídos no número de assassinatos.
Comparativo Q1 vs Q1: usamos exclusivamente os meses de janeiro, fevereiro e março de cada ano. Esse recorte garante comparabilidade quando o ano em curso ainda não fechou.
Limitações: os dados representam exclusivamente crimes registrados em boletins de ocorrência. Há subnotificação significativa em todas as categorias, especialmente furto e violência doméstica. Diferenças de cobertura policial entre municípios podem afetar o volume registrado independentemente da incidência real. Esta é uma análise descritiva — não fazemos inferências causais sobre o que provocou as quedas.
Reprodutibilidade: queries originais e dados de apoio mantidos no banco analítico do Crime Brasil. Extração e verificação em 15/05/2026.
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